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Guerra na Ucrânia: crianças, adolescentes e famílias

O UNICEF e seus parceiros estão no local prestando apoio a meninas, meninos e famílias que necessitam desesperadamente de segurança, estabilidade e proteção

Foto mostra um homem carregando uma bebê no ombro. Atrás deles, há prédios destruídos pela guerra.
UNICEF/UN0770704/Filippov

Crianças, adolescentes e famílias da Ucrânia passaram por um ano de violência, trauma, destruição e deslocamento. Meninas e meninos continuam a ser mortos, feridos e profundamente traumatizados pela violência que provocou deslocamentos em uma escala e uma velocidade nunca vistas desde a Segunda Guerra Mundial. Escolas, hospitais e outras infraestruturas civis das quais dependem continuam a ser danificados ou destruídos. Famílias foram separadas e vidas dilaceradas.

O UNICEF estava na Ucrânia antes do início da guerra e nas semanas e meses desde então permaneceu e entregou ajuda humanitária. Está com as crianças e os adolescentes da Ucrânia e continuará trabalhando com parceiros para apoiá-los durante a guerra e além.

>> Leia mais sobre o trabalho do UNICEF na Ucrânia.

O que está acontecendo na Ucrânia?

Uma menina abraça uma mulher. Elas estão em pé em frente aos escombros de uma casa.
UNICEF/UN0778061/Vashkiv Em 30 de dezembro de 2022, em Irpin, região de Kiev, Anya, de 10 anos, abraça a mãe dela, Olya, ao lado de sua casa destruída pela guerra na Ucrânia.

As crianças e os adolescentes da Ucrânia estão pagando um preço extraordinário em vidas perdidas e destruídas. Mais de 400 meninas e meninos foram mortos e centenas ficaram feridos, enquanto cerca de 7,8 milhões de crianças e adolescentes foram impactados e privados de sua infância e adolescência, de tempo com amigos e familiares, de uma vida pacífica. Eles carregam cicatrizes invisíveis e traumas que podem levar uma vida inteira para cicatrizar.

O conflito causou danos significativos a infraestruturas vitais, afetando gravemente o acesso a eletricidade, aquecimento, água e telecomunicações. A renda das famílias e o acesso aos serviços foram dizimados. Centenas de escolas educação básica foram danificadas ou destruídas por bombardeios, interrompendo a educação das crianças e dos adolescentes da Ucrânia, com consequências potencialmente vitalícias.

A agitação da guerra criou uma situação ainda mais delicada para crianças e adolescentes deslocados, aqueles que vivem em instituições e meninas e meninos com deficiência. Milhões de pessoas tiveram que fugir de suas casas, deslocamento em uma escala que pode ter consequências para as próximas gerações.

As escolas e outras instalações educacionais não são apenas locais de aprendizado, elas também fornecem um senso crucial de estrutura e segurança para meninas e meninos. No entanto, o deslocamento e a destruição de escolas deixaram mais de 3 milhões de crianças e adolescentes acessando o aprendizado remotamente ou por meio de uma combinação de aulas online e presenciais. Os danos à eletricidade e a outras infraestruturas de energia estão apenas complicando a capacidade das famílias de acessar até mesmo as aulas virtuais.

No início da guerra e durante o verão, muitas famílias que fugiram da Ucrânia optaram pelo ensino online em vez de matricular seus filhos e filhas nas escolas locais, na esperança de voltar para casa rapidamente. Mas, um ano depois, duas em cada três crianças refugiadas ucranianas ainda não estão matriculadas nos sistemas educacionais do país anfitrião. A integração das crianças refugiadas ucranianas nos sistemas nacionais de educação deve ser priorizada em todos os níveis de ensino, especialmente na educação infantil e no ensino fundamental – com professores qualificados, materiais didáticos e espaços para apoiar a aprendizagem presencial, o desenvolvimento e o bem-estar.

A guerra na Ucrânia está roubando de crianças e adolescentes estabilidade, segurança, escola, amigos, família, um lar e esperanças para o futuro. As feridas mentais da guerra podem afetar meninas e meninos até a idade adulta. Para evitar uma geração de crianças e adolescentes marcada pelo conflito, sua saúde mental e suas necessidades psicossociais devem ser priorizadas. Isso deve incluir ações apropriadas à idade para fornecer atenção integral, construir resiliência e, especialmente para crianças mais velhas e adolescentes, dar-lhes oportunidades de expressar suas preocupações.

Também deve ser fornecido apoio aos pais, mães e cuidadores para ajudá-los a lidar com os efeitos angustiantes que a guerra e o deslocamento tiveram sobre eles. Em última análise, isso os equipará para que também apoiem melhor o bem-estar mental de seus filhos e filhas.

A guerra provocou deslocamentos em uma escala e uma velocidade nunca vistas desde a Segunda Guerra Mundial – com um impacto de longo alcance em toda a região e além. Mais de 8 milhões de refugiados da Ucrânia foram registrados em toda a Europa, a maioria deles mulheres e crianças e adolescentes.

O UNICEF saúda a solidariedade internacional demonstrada às crianças e aos adolescentes da Ucrânia e àqueles em todo o mundo afetados negativamente pela guerra. Mas, à medida que o conflito e o deslocamento continuam, ainda é necessário apoio em toda a região para garantir que as meninas e os meninos refugiados não sejam deixados de fora.

Como o UNICEF está ajudando crianças, adolescentes e famílias na Ucrânia?

O UNICEF estava na Ucrânia antes do início da guerra e, ao longo do ano passado, permaneceu no país e tem trabalhando dia e noite, com seus parceiros, para ampliar os programas vitais para crianças e adolescentes. Nos países que acolhem refugiados, o UNICEF trabalha com as autoridades nacionais e locais, bem como com organizações da sociedade civil, para prestar assistência de emergência e serviços de apoio às famílias que fogem da guerra na Ucrânia.

Foto mostra um grupo de crianças com mochilas do UNICEF.
UNICEF/UN0757833/Filipov Em 22 de dezembro de 2022, em Carcóvia, crianças afetadas pela guerra no leste da Ucrânia receberam presentes de Natal do Ministério de Política Social daquele país. O UNICEF contribuiu com cerca de 30 mil mochilas e kits de material escolar para essa iniciativa, apoiando a educação e a saúde mental dessas crianças.

Dentro da Ucrânia, o UNICEF e seus parceiros:

  • Forneceram materiais de aprendizagem para mais de 1 milhão de crianças e adolescentes e matricularam mais de 1,4 milhão de meninas e meninos em educação formal e não formal.
  • Alcançaram mais de 3,3 milhões de meninas, meninos e cuidadores com apoio em saúde mental e psicossocial e mais de 400 mil mulheres, crianças e adolescentes com serviços de resposta à violência de gênero.
  • Permitiram o acesso à água potável para mais de 5,5 milhões de pessoas que vivem em áreas onde as redes foram danificadas ou destruídas e forneceram saneamento e suprimentos de higiene para quase 1,7 milhão de pessoas.
  • Permitiram que quase 5 milhões de pessoas tivessem acesso à saúde com suprimentos distribuídos em áreas afetadas pela guerra.
  • Alcançaram mais de 224 mil famílias na Ucrânia com programas de transferência de renda.
Foto mostra uma profissional de saúde mexendo em uma incubadora.
UNICEF/UN0783095 Em fevereiro de 2023, uma profissional de saúde da UTI Neonatal do Instituto Materno-Infantil, em Chisinau, capital da Moldávia, está monitorando um bebê prematuro que foi colocado em uma incubadora fornecida pelo UNICEF. Desde o início da guerra na Ucrânia, o UNICEF tem apoiado o sistema de saúde da Moldávia para fornecer serviços de saúde gratuitos para mães refugiadas e seus filhos e filhas.

Nos países vizinhos, o UNICEF:

  • Trabalhou com governos locais e municípios que acolhem refugiados para fornecer acesso à educação formal e informal para mais de 1 milhão de meninas e meninos refugiados.
  • Permitiu que mais de 100 mil pessoas tivessem acesso a água potável para beber e para as necessidades domésticas.
  • Apoiou os Ministérios da Saúde desses países para fornecer acesso a serviços de saúde primários a mais de 470 mil mulheres, crianças e adolescentes refugiados.
  • Alcançou mais de 50 mil domicílios com programas de transferência de renda.
Foto mostra uma mulher de costas segurando uma criança no colo
UNICEF/UN0622178/Holerga Emma, de 5 anos, brinca com uma funcionária do UNICEF em um Centro Ponto Azul, na fronteira de Isaccea, na Romênia. Ela, sua mãe e seu irmão caçula saíram de Odessa, na Ucrânia, fugindo da guerra.

O que o UNICEF está pedindo

  • Acesso humanitário sem impedimentos.
  • O fim dos ataques a crianças e adolescentes e às infraestruturas das quais eles dependem, incluindo escolas, hospitais e infraestrutura crítica de água e alimentos.
  • A todas as partes envolvidas na guerra que evitem o uso de escolas ou outras instalações nesse conflito.
  • O fim do uso de armas explosivas em áreas povoadas, que são diretamente responsáveis pela morte e mutilação de centenas de crianças e adolescentes.

Seguindo em frente

O UNICEF estará em contato com as partes em conflito quando e onde seu apoio for necessário para alcançar as populações afetadas, incluindo crianças e adolescentes.

O UNICEF está na Ucrânia há muitos anos e manteve uma abordagem baseada em princípios humanitários em casos anteriores de violência e conflito para garantir o acesso contínuo a populações vulneráveis. Desde o início desta guerra, a UNICEF, juntamente com os parceiros da ONU, continua a defender o respeito pelos princípios humanitários, o direito humanitário internacional e a lei dos direitos humanos, incluindo o fim e a prevenção de graves violações contra as crianças e adolescentes.

Acima de tudo, o UNICEF continuará a defender o fim das hostilidades.

Crianças e adolescentes precisam de paz sustentada para recuperar sua infância e adolescência, retornar à normalidade e começar a se curar e se recuperar.

Foto mostra um bebê sentado em um sofá e sorrindo
UNICEF/UN0761447/Pashkina Os pais de Makar, de 2 anos, perderam seus empregos devido à guerra. Agora, graças a um programa de transferência de renda do UNICEF, eles podem ter novamente esperança de construir um futuro melhor para seu filho.

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