Homicídios de crianças e adolescentes

No Brasil, todos os dias, 31 crianças e adolescentes morrem assassinados. Responder às formas extremas de violência e prevenir os homicídios de crianças e adolescentes são prioridades para o UNICEF.

Menino olha através da janela
Coletivo Rua/Tércio Teixeira

Nas últimas décadas, o Brasil alcançou avanços importantes na redução da mortalidade infantil. Essas conquistas permitiram que o País salvasse cerca de 239 mil crianças, entre 1995 e 2005.

No entanto, muitas dessas crianças, não chegaram à idade adulta. Durante a década seguinte (2006 a 2015), cerca de 100 mil meninos e meninas adolescentes foram vítimas de homicídios no Brasil. Ou seja: as vidas salvas na primeira infância foram perdidas na segunda década por causa da violência (Datasus).

O Brasil é um dos cinco países com os maiores índices de homicídios de adolescentes no mundo, mas o cenário brasileiro é o pior em números absolutos.

O número de homicídios de adolescentes do sexo masculino no Brasil é maior, inclusive, do que em países afetados por conflitos, como Síria e Iraque. Em 2015, 11.403 adolescentes de 10 a 19 anos foram assassinados no Brasil, dos quais 10.480 eram meninos. No mesmo período, na Síria, um total de 7.607 meninos morreram, a maioria em decorrência da guerra. No Iraque, foram registradas 5.513 mortes de meninos no mesmo período, em decorrência da violência.

Caso não haja mudanças significativas no País, 43 mil adolescentes de 12 a 18 anos serão mortos no Brasil entre 2015 e 2021, de acordo com o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA, 2014). O IHA é uma ferramenta desenvolvida pelo UNICEF e parceiros para analisar o cenário dos homicídios de adolescentes no País e fazer estimativas para o futuro.

infográfico homicídios

Sete das 10 cidades mais violentas do Brasil estão na Região Nordeste. Fortaleza tem o maior índice de homicídios de adolescentes do País, com 10,94 para cada 1.000 adolescentes, seguida por Maceió (9,37). Rio de Janeiro e São Paulo, na Região Sudeste, ocupam as posições 19 e 22 no ranking (com 2,71/1.000 e 2,19/1.000, respectivamente).


As vítimas de homicídios são, em sua maioria, meninos negros,
que vivem nas periferias dos grandes centros,
estão fora da escola e vêm de famílias com baixo poder aquisitivo.


 

A vida desses adolescentes é marcada por uma série de violações de direitos. Em 2017, um estudo produzido pelo UNICEF e seus parceiros analisou a trajetória de adolescentes mortos em sete cidades do Ceará. Na capital, Fortaleza, 44% das mortes aconteceram em 17 dos 119 bairros da cidade. Metade das vítimas morreu a cerca de 500 metros de casa e 70% estavam fora da escola a, pelo menos, seis meses. “Eu ouvi o tiro que matou meu filho”, disse aos pesquisadores a mãe de um dos meninos mortos.

A pesquisa e os números confirmam que a vida dos adolescentes das periferias é marcada por uma enorme falta de oportunidades que os torna cada vez mais vulneráveis à violência letal. Além de manter os investimentos na primeira infância, é hora de o Brasil investir igualmente na segunda década de vida.

O trabalho do UNICEF

Responder às formas extremas de violência e prevenir os homicídios de adolescentes são prioridades para o UNICEF em seu Programa de País (2017-2021). Isso inclui:

  • Consolidar pesquisas e dados sobre violência;
  • Conscientizar a sociedade sobre os desafios da segunda década da vida;
  • Incentivar a participação de adolescentes na identificação dos desafios e busca de soluções;
  • Advogar pela implementação do marco legal de proteção à criança;
  • Fortalecer iniciativas locais de prevenção e resposta à violência;
  • Promover uma agenda pública de proteção à vida abrangente, intersetorial e integrada.

Alguns resultados

  • Pesquisa com 2 mil brasileiros sobre a percepção da sociedade sobre a violência.
  • Lançamento de estudosIHA, Trajetórias Interrompidas, Educar ou punir? e A Familiar Face – alcançaram 150 milhões de pessoas em 2017.
  • Aprovação da Lei 13.431/2017, que garante a escuta protegida para crianças vítimas ou testemunhas de violência.
  • Criação dos comitês pela prevenção de homicídios na adolescência na Bahia, no Ceará, no Rio de Janeiro e São Paulo, referências para outras capitais.

Você também pode ajudar o UNICEF em suas ações.