Quando a ajuda vem de vários lados

Lanna Rodrigues trabalha em parceria com a equipe de Saúde & Nutrição do UNICEF/Adra na articulação de campanhas para a imunização de meninas e meninos migrantes venezuelanos

UNICEF Brasil
uma mulher (Lanna) de camiseta rosa está sentada atrás de uma mesa com vários papéis. Em primeiro plano, de costas e desfocados, estão uma mãe e seu filho no colo.
UNICEF/BRZ/João Laet

03 março 2020

No Estado de Roraima, na cidade de Pacaraima, fronteira do Brasil com a Venezuela, uma força tarefa foi montada em prol de crianças e adolescentes migrantes venezuelanos. Enfermeira no município, Lanna Rodrigues, de 25 anos, faz parte dessa engrenagem que conta com a ajuda de várias peças – entre elas o UNICEF, a Adra Brasil, o governo brasileiro – e que se sustenta graças a doadores como a Johnson & Johnson. 

Em Pacaraima, Lanna e seus parceiros lutam para garantir que meninos e meninas tenham acesso aos serviços de saúde aos quais têm direito. Ela é coordenadora de imunização na cidade há três anos. Assumiu o posto em 2017 e teve que enfrentar, de cara, o aumento da demanda de serviços que a migração venezuelana levou às unidades de saúde. 

Lanna conta que a falta de acesso a vacinas no sistema de saúde venezuelano trouxe para o Brasil o desafio de enfrentar doenças imunopreviníveis que já haviam sido erradicadas no País, como o sarampo. “Já acompanhei casos de crianças que faleceram em virtude de complicações de sarampo. Quando pegava o cartão de vacina, via que ela só tinha recebido a [vacina] BCG – porque é feita na maternidade –, não tinha outra. Estava tentando sair de um quadro de sarampo e entrava em outro de varicela, todas doenças imunopreviníveis – ou seja, doenças que, se vacinar, está protegido”, relata a enfermeira.

um mulher (Lana), de camiseta rosa, está agachada enquanto vacina um bebê que está no colo de sua mãe. A mãe está sentada em uma cadeira. A criança está chorando.
UNICEF/BRZ/João Laet

Era preciso agir rápido para imunizar quem chegava. Em parceria com a equipe de saúde e nutrição do UNICEF e da Adra Brasil – que atua no abrigo para migrantes e refugiados venezuelanos indígenas do município –, Lanna e sua equipe conseguiram imunizar todos os moradores do local. 

Hoje, os profissionais de saúde que trabalham no abrigo fazem acompanhamentos periódicos da situação vacinal de cada família e ações educativas para garantir a adesão e eficiência dos serviços.

Capacitar para cuidar melhor – Lanna e outros profissionais de saúde do Estado de Roraima participaram de um curso sobre Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Primeira Infância (AIDPI) promovido por UNICEF e Adra, e financiado pela Johnson & Johnson. Foram criadas turmas na capital, Boa Vista, e também em Pacaraima, facilitando o acesso de todos. Lanna destaca a conquista que é, para a equipe municipal, poder participar de uma capacitação sem ter que se deslocar por cerca de três horas até Boa Vista. 

“A saúde é o ponto chave de todas as coisas, então, é interessante esse investimento que as empresas fazem, porque vai qualificar o profissional. Com formação, a gente consegue cuidar da criança no nosso município, sem ela ter que ser deslocada para outro, o que gera um gasto maior. A partir do momento em que se preocupam com isso, de mandar um curso para o município, o acesso e a adesão são melhores.”

uma mulher (Lanna) de camiseta rosa está sentada em uma carteira escolar, olhando atentamente para a frente
UNICEF/BRZ/João Laet
Em uma sala de aula, um professor explica algo que está projetado na parede. Uma mulher (Lana) de camiseta rosa está de costas olhando para o professor
UNICEF/BRZ/João Laet

Durante a capacitação, médicos e enfermeiros relembraram conceitos importantes para identificar sinais de alertas que podem indicar uma criança em risco. “Por meio desse curso, pude conhecer as doenças mais prevalentes na infância e, a partir de agora, quando receber uma criança não vou só ver o que ela está precisando de vacina, mas também posso ter um olhar diferenciado. O que quero levar para mim é o conceito de ver o indivíduo como um todo, como foi muito frisado pelo instrutor”.

Lanna sabe que é peça na engrenagem que já salvou a vida de muitas crianças e adolescentes migrantes e refugiados e busca sempre novos meios para melhorar o que faz. É com orgulho que ela conta sobre a confiança que tem nos serviços que presta à população. “É gratificante pensar que estou em um serviço de saúde, podendo ofertar um produto que eu acredito na eficiência – desde a produção da vacina, até ela chegar aqui na sala e ser aplicada –, eu acredito muito que as pessoas estão sendo protegidas, e elas realmente estão”.