“Nosso lugar é no palco. E o palco é grande”, diz adolescente do interior de Pernambuco

Josielle Barbosa da Silva, 17 anos, encontrou no Núcleo de Cidadania dos Adolescentes, do Selo UNICEF, um espaço para ampliar sua voz e uma oportunidade para que adolescentes e jovens sejam os protagonistas de sua história.

UNICEF Brasil
Adolescente posa para foto. Ela está sentada em um banco de sua escola e usa a camiseta do projeto do UNICEF.
UNICEF/BRZ/Raoni Libório

16 janeiro 2019

O discurso bem estruturado e a desenvoltura de Josielle Barbosa da Silva, 17 anos, impactam rapidamente. Em apenas 10 minutos de conversa, ela encanta com sua postura extremamente politizada. Natural de Panelas, no interior de Pernambuco, a adolescente discorre sobre as mais diversas e complexas temáticas, indo de protagonismo juvenil a feminismo, de perspectivas de futuro nas pequenas cidades ao direito ao voto, entre outras.

Com esse perfil desbravador, Josielle conta que defender um espaço para ser ouvida e ter direito à participação nunca chegou a ser muito difícil – pelo menos “para ela”, faz questão de frisar. Mas reconhece que, para muitos adolescentes, “ter voz” é um momento raro. E reforça que ela mesmo se encontrou e pôde ampliar as discussões ao conhecer e participar do Núcleo de Cidadania dos Adolescentes (Nuca), criado na edição passada do Selo UNICEF e fortalecido desde 2017, início da atual edição (2017-2020). Ela também destaca os benefícios para os adolescentes do município.  

“O Nuca é uma porta aberta. É uma forma de mostrar que o adolescente pode tudo. O jovem é o presente da nossa sociedade, não o futuro”, destaca Josielle, que é também a atual presidente do Nuca de Panelas. Um dos objetivos do Núcleo, destacado por ela, é mostrar aos adolescentes do município que existe um grupo ali, à disposição, acessível e presente. “Existe muito adolescente que precisa ter espaço para a voz, que não acredita. Estamos presentes para cobrar nossos direitos. O município nos ajuda, nos incluindo nos eventos da cidade e dando visibilidade. Mas nós lembramos a todos que estamos presentes, votando”, reforça.

Seguindo com naturalidade para o tema do feminismo, outro tema bastante discutido entre os adolescentes do grupo, Josielle conta que, desde pequena, se relacionava melhor com meninos e mantém muitas amizades masculinas, o que considera bastante positivo, pois pode desconstruir algumas imagens machistas. “Os meninos são educados para ser machistas na nossa sociedade. E nós, que já refletimos e somos feministas, precisamos correr atrás. Eles começam a pensar diferente porque é a amiga deles que tá falando ou sofrendo. Em vez de só criticar, tento conversar e mostrar que a luta por igualdade é de todos”, diz.

Adolescentes olham para alguma coisa ou alguém que não aparece na foto. Eles estão de lado.
UNICEF/BRZ/Raoni Libório

Apaixonada por futebol, ela reforça que já ouviu muitos meninos mandarem ela se calar ou sair de perto por ser menina e não saber do que estava falando. “Não gosto de jogar, mas amo ver os jogos e falar de futebol. Eu nunca cedi. Alguns foram vendo que eu podia entender disso sim. Disso e do que eu mais quisesse”, lembra.  

Outro benefício do Nuca, destacado por Josielle, é que ele reúne todos os tipos de jovem, com condições financeiras e sem, meninos e meninas com todos os gostos. “Lá eles se esquecem dessas diferenças e, quando elas estão à mostra, isso é respeitado. Sem preconceitos”. A desenvoltura fez Josielle ser uma das adolescentes indicadas para representar o Nuca nas atividades do Dia Mundial da Criança de 2018, quando um grupo de adolescentes pernambucanos assumiu o controle de um programa de entrevistas da TV online do Jornal do Commercio.

O programa (TV JC) abordou diversas temáticas e ficou bastante dinâmico com a participação dos adolescentes. Como um convite a outros adolescentes, Josielle defende: “O palco é grande. Vamos dar a mão e puxar o outro para o palco. Nosso lugar não é na plateia. O palco é vida, é brilho”, diz a adolescente que gosta de dançar e criou oficina de dança no Nuca. Como oportunidade para outros adolescentes e jovens, o Núcleo também desenvolve oficinas de canto, violão e artes manuais.  

 

adolescentes dançam na sala de aula
UNICEF/BRZ/Raoni Libório

Nuca – O direito de meninos e meninas de participar nas decisões de sua comunidade é assegurado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente. Previsto na metodologia do Selo UNICEF, o Núcleo de Cidadania dos Adolescentes (Nuca) é um mecanismo para garantir essa participação. Sua proposta é articular adolescentes para mudar a situação em que estão inseridos, por meio de formação e atividades de transformação. Eles se organizam em rede, discutem questões importantes para seu desenvolvimento, implementam ações e levam suas reivindicações à gestão pública municipal.

Selo UNICEF – A Edição 2017-2020 do Selo UNICEF conta com a participação de mais de 1.924 municípios de 18 Estados brasileiros, na Amazônia e no Semiárido. Seu sucesso é resultado da parceria entre o UNICEF e governos estaduais e municipais por meio da atuação integrada entre diferentes níveis de governo voltados para crianças e adolescentes.

A experiência com as edições anteriores comprova que os municípios certificados com o Selo UNICEF avançam mais na melhoria dos indicadores sociais do que outros municípios de características socioeconômicas e demográficas semelhantes que não foram certificados ou participaram da iniciativa.

Alcançar 1.924 municípios que participam do Selo UNICEF só é possível graças ao apoio de milhares de doadores individuais e de parceiros corporativos como Amil, Instituto Net Claro Embratel, Fundação Itaú Social, RGE, Enel, Coelba, Cosern, Celpe, BNDES, CPFL, Sanofi, Neve, Energisa, Celpa e Cemar.

Mais informações sobre o Selo UNICEF em www.selounicef.org.br.

Pernambuco, janeiro de 2019