Espaço Amigo da Criança é ponto de acolhimento e amparo para migrantes venezuelanos

Em pouco mais de dois meses de atividades, o Espaço Amigo da Criança que funciona na cidade de Pacaraima, município brasileiro que faz fronteira com a Venezuela, já atendeu mais de 1,5 mil crianças.

UNICEF Brasil
Monitora brinca com crianças venezuelas em Espaço Amigo da Criança em Roraima
UNICEF/BRZ/João Laet

23 Outubro 2018

Em pouco mais de dois meses de atividades, o Espaço Amigo da Criança que funciona na cidade de Pacaraima, município brasileiro que faz fronteira com a Venezuela, já atendeu mais de 1,5 mil crianças. O local, uma iniciativa do UNICEF em parceria com a ONG Visão Mundial, funciona no Centro de Triagem mantido pela Operação Acolhida, das Forças Armadas, e virou um ponto de amparo para crianças e pais que entram no Brasil.

A venezuelana Maria Nogueira trabalha no local desde o início das atividades em parceria com outras quatro colaboradoras. É com elas que as crianças ficam enquanto os pais realizam atendimentos para solicitar o refúgio ou residência temporária no País. No Espaço Amigo da Criança, os pequenos fazem atividades de recreação.

“Nosso trabalho é cuidar das crianças, enquanto os pais estão nos procedimentos. Elas brincam, jogam, desenham, nós cantamos, dançamos. Fazemos atividades de que eles gostam. Há dias em que temos até 40 crianças ao mesmo tempo. Temos que usar a imaginação e ser criativos”, conta Maria sorrindo.

Nas paredes do local destinado ao acolhimento, dezenas de desenhos coloridos de crianças que passaram pelo espaço são expostos. Os dias da semana em português e espanhol e o abecedário complementam o mural.

Maria conta que o trabalho é prazeroso, mas que muitas vezes pede uma sensibilidade aguda para tratar com casos de crianças em situações mais vulneráveis. “Houve uma criança que chegou aqui e nós perguntamos ‘Onde você está dormindo?’ Na inocência, ela respondeu: ‘Estou em uma casa nova que não tem paredes. Só tem um telhado’. Ou seja, é na rua ou em frente a uma loja. É muito difícil, mas temos um coração imenso para tratar com essas situações”. 

Monitora brinca com crianças venezuelas em Espaço Amigo da Criança em Roraima
UNICEF/BRZ/João Laet

Como explica Maria, as funções dela e das outras colaboradoras do local não são restritas ao entretenimento. A equipe também fica atenta as condições de saúde, de higiene e outras necessidades dos pequenos. “Quando notamos que uma criança está com febre, ou algum problema, indicamos aos pais para levem à área médica ou ao posto de saúde. Crianças que vêm da rua com pouca roupa ou uma roupa muito suja, encaminhamos à atenção social para que recebam doações. O trabalho é maior do que entreter porque cuidamos da criança como um todo”.

Yasmin Fuertes, de 10 anos, esperava no espaço enquanto a mãe solicitava a residência temporária para a família no Brasil. Tímida, ela sentou observando o espaço, antes de começar a participar das atividades. Yasmin contou que mora na cidade de Santa Elena de Uairén, o primeiro município venezuelano após o Brasil, e se prepara para mudar para o País. “Já comecei a fazer aulas de português e sei falar os dias da semana”, disse apontando para o desenho na parede.

Especialista de Saúde do UNICEF conversa com mãe de criança
UNICEF/BRZ/João Laet
Francisca Andrade, especialista em Saúde do UNICEF no Brasil, conversa com a mãe da pequena Yohelys Gonzales, de 1 ano e meio, no Espaço Amigo da Criança para meninas e meninos migrantes venezuelanos em Roraima.

Assim como Yasmin, dezenas de crianças passam diariamente no Espaço Amigo da Criança que funciona na fronteira. Eles são locais criados em contexto de emergência e tem como finalidade proteger crianças. Os espaços são formados por um ambiente próprio, material adequado e pessoas capacitadas para a proteção. Em Roraima, o UNICEF e seus parceiros já instalaram seis espaços e mais de 3,6 mil crianças já foram atendidas desde maio.