“Para o meu futuro, sonho em ser médica para ajudar as pessoas”

Sara Batis, 10 anos, é daquelas crianças que gostam de brincar, dançar e se divertir com as amigas, e é bastante focada nos estudos. Ela frequenta o Espaço de Aprendizagem do UNICEF para imigrantes venezuelanos em Roraima.

UNICEF Brasil
Sara aparece na frente de várias barracas usadas como abrigo para migrantes venezuelanos em Boa Vista.
UNICEF/BRZ/João Laet

13 setembro 2018

“Bom dia, boa tarde, boa noite”, “Como está você?”. Essas são algumas das primeiras frases em português que a venezuelana Sara Batis, de 10 anos, aprendeu nos dois meses em que vive no Brasil. Criança curiosa e sempre dedicada aos estudos, Sara está aprendendo o idioma no espaço de aprendizagem implantando pelo UNICEF em parceria com a Fraternidade – Federação Humanitária Internacional, no abrigo para imigrantes Nova Canaã, em Boa Vista (RR).

Sara é daquelas crianças que gostam de brincar, dançar e se divertir com as amigas, e é bastante focada nos estudos. “Gosto muito dos jogos, e também gosto mais da escola. Sempre fui muito dedicada aos estudos. Para o meu futuro, sonho em ser médica para ajudar as pessoas”, responde com firmeza e clareza explicando que tem esse sonho desde os cinco anos.

A futura médica, sua mãe, seu pai e os três irmãos são da cidade de El Tigre, no estado de Anzoátegui, na Venezuela. Ela chegou ao Brasil em 4 de julho com os irmãos. Os pais tinham vindo antes e encontrado refúgio no abrigo Nova Canaã.

Sara conta que, em El Tigre, ia para aulas de reforço pela manhã e de tarde frequentava a escola regular. Fazia ditado, cópias de texto, estudava adição, multiplicação e era zelosa com o material didático que tinha. Entretanto, alguns meses antes de se mudar para Roraima, já não frequentava mais as aulas porque as atividades foram suspensas em razão da falta de recursos e do baixo número de alunos.

Em Boa Vista, Sara ainda não frequenta a escola regular. De segunda a sexta, participa das atividades do Espaço Amigo da Criança pela manhã e, à tarde, vai às aulas do espaço de aprendizagem, ambos desenvolvidos pelo UNICEF em parceria com as ONGs Fraternidade e Visão Mundial. “Aqui não é igual à escola, mas também aprendemos a escrever, fazer contas e falar português. Eles nos ensinam que temos que lavar as mãos com sabão sempre que vamos comer, quando entramos na escola, quando saímos do banheiro. Aprendi a manter a mesa e o chão limpos”.

A mãe de Sara, Dairenes Batis, de 28 anos, conta que a filha sempre foi muito responsável. Ela, que não teve a oportunidade de concluir os estudos básicos na Venezuela, disse que deseja que os quatro filhos possam estudar. “Sempre digo a ela que os estudos são muito importantes e que ela deve escolher algo de que goste para se dedicar. Se ela gostar e quiser ser médica, então deve ser”, afirmou.

Sara conta que sempre recebe o incentivo dos pais para seguir firme nos estudos e que, por ser a primogênita, tenta sempre mostrar a importância de estudar para seus irmãos mais novos.

Espaços de Aprendizagem
Os Espaços de Aprendizagem funcionam desde maio de 2018 em três abrigos pra venezuelanos refugiados em Roraima. Nesse período, mais de 600 crianças já foram atendidas nos locais que funcionam como uma escola de transição e são usados em contexto de emergência. Os locais não substituem a escola regular, mas ajudam a diminuir o impacto quando as crianças forem restabelecidas no ensino tradicional. Durante as aulas, são ministrados conteúdos tradicionais – como português, espanhol e matemática –, mas também temas que auxiliam na convivência no abrigo – entre eles, higiene, saúde e respeito ao próximo.

Roraima, setembro de 2018.