Mais de 171 milhões de estudantes tiveram sua educação interrompida por riscos climáticos em 2025 no mundo, aponta UNICEF
No Brasil, ao menos 745 mil crianças e adolescentes deixaram de ir à escola em algum momento de 2025, principalmente por causa de ondas de calor.
NOVA YORK, 10 de setembro de 2026 – Mais de 171 milhões de estudantes em todo o mundo, ou 1 em cada 10, da Educação Infantil ao Ensino Médio, tiveram sua educação interrompida por riscos climáticos em 2025, segundo uma nova análise divulgada hoje pelo UNICEF. No Brasil, foram ao menos 745 mil.
O relatório Aprendizagem Interrompida: Panorama Global das Interrupções Educacionais Relacionadas ao Clima em 2025 (disponível apenas em inglês) analisou dados de 106 países ou territórios e concluiu que riscos climáticos – incluindo tempestades, enchentes, ondas de calor, secas e incêndios florestais – levaram à suspensão de aulas, danos a escolas, migração para o ensino remoto, redução do tempo letivo, queda na frequência escolar e aumento do risco de evasão para milhões de estudantes em todo o mundo.
“Para milhões de crianças, os riscos climáticos fazem mais do que interromper as aulas. Eles destroem escolas, deslocam famílias e empurram as crianças mais vulneráveis, especialmente as meninas, para fora da sala de aula de forma permanente”, afirmou a Diretora Executiva do UNICEF, Catherine Russell.
Segundo a análise, no mundo, as tempestades foram a causa mais comum das interrupções escolares no ano passado, afetando 109 milhões de estudantes. As enchentes afetaram pelo menos 70 milhões de estudantes, enquanto as ondas de calor interromperam a Educação de aproximadamente 50 milhões de crianças.
No Brasil, ao menos 745 mil crianças e adolescentes tiveram seu acesso à Educação impossibilitado em algum momento de 2025 por conta de questões climáticas. O número inclui estudantes do Rio Grande do Sul que ficaram sem aulas no início de 2025 por conta de uma onda de calor, e estudantes do Paraná que não conseguiram frequentar a escola por causa de um tornado, em novembro do mesmo ano. Estima-se que esses dados devem ser ainda maiores, visto que eventos climáticos extremos atingiram outras regiões do País em 2025, mas não foram capturados pela metodologia da pesquisa.
Impactos em diferentes regiões do mundo
“Minha escola fica ao lado de um riacho e, quando há enchentes, a água sobe e invade a escola”, contou Taudibura Garo, de 16 anos, de Papua-Nova Guiné, onde as condições do El Niño devem aumentar o risco de eventos climáticos extremos nos próximos meses. “Normalmente, a água chega até os nossos joelhos e inunda os banheiros. Então, fica insalubre permanecer na escola e perdemos as aulas que deveríamos estar frequentando.”
Embora estudantes de todos os níveis de renda tenham sido afetados, três quartos dos estudantes impactados vivem em países de baixa e média-baixa renda, onde os sistemas educacionais frequentemente não dispõem dos recursos necessários para proteger a aprendizagem durante emergências relacionadas ao clima.
No Paquistão, por exemplo, um dos países mais afetados pela análise, enchentes severas causadas pelas monções em agosto atrasaram o retorno às aulas de mais de 28 milhões de estudantes, tornando esse um dos maiores episódios de interrupção educacional relacionados ao clima registrados em 2025. Já no Egito, uma forte tempestade Khamsin (vento e poeira) levou à suspensão das aulas em todo o país por um dia em abril, afetando também mais de 28 milhões de estudantes.
De acordo com os dados, 40 países enfrentaram múltiplas rodadas de interrupções escolares relacionadas ao clima ao longo do ano. Em Madagascar, por exemplo, secas, ciclones tropicais e enchentes afetaram 280 mil estudantes durante o período. Na Espanha, mais de 500 mil estudantes da Comunidade Valenciana foram afetados por tempestades em março, seguidas pelo ciclone pós-tropical Gabrielle em setembro. Em outras regiões do país, o calor extremo interrompeu as aulas em maio e junho, enquanto a tempestade Alice impactou a educação em outubro.
As perdas de aprendizagem e o aumento das taxas de evasão escolar podem reduzir a produtividade da força de trabalho, desacelerar o crescimento econômico e dificultar a redução da pobreza. O relatório estima que a falta de ação poderá resultar em perdas potenciais de pelo menos US$ 200 bilhões em rendimentos ao longo da vida dos estudantes que sofreram interrupções educacionais relacionadas ao clima em 2025.
As meninas enfrentam um risco ainda maior de abandonar a escola quando eventos climáticos interrompem ou fecham unidades de ensino. Danos às escolas e às instalações sanitárias, deslocamentos e perda de renda familiar podem aumentar a carga de cuidados domésticos e de coleta de água sobre elas. Essas pressões também elevam o risco de casamento infantil, dificultando o retorno às aulas quando as escolas reabrem.
Ao mesmo tempo, o relatório destaca soluções práticas que já estão ajudando a proteger a aprendizagem dos impactos climáticos, incluindo a incorporação da resiliência climática ao planejamento educacional nacional, o fortalecimento da infraestrutura escolar, a garantia da continuidade do ensino durante e após interrupções e a inclusão da educação climática nos currículos para preparar crianças e jovens para se adaptarem a um mundo em transformação.
Recomendações
Com base nessas abordagens comprovadas, o UNICEF conclama governos e parceiros a ampliar os esforços para proteger a educação dos piores impactos dos riscos climáticos por meio das seguintes ações:
- Fortalecer a resiliência climática dos sistemas educacionais para garantir a continuidade da aprendizagem durante emergências.
- Aumentar o financiamento nacional e internacional destinado à resiliência educacional.
- Investir em infraestrutura educacional resiliente ao clima para proteger estudantes e educadores.
- Capacitar crianças e jovens com conhecimentos e habilidades para desenvolver resiliência e impulsionar a ação climática.
- Fortalecer os sistemas de dados sobre clima e educação para antecipar, responder e recuperar-se melhor das interrupções.
“Os riscos climáticos ameaçam a vida e o futuro das crianças”, afirmou Russell. “Para proteger a educação das crianças de hoje e das futuras gerações, precisamos investir em escolas e sistemas educacionais capazes de resistir aos choques climáticos.”
Notas para editores
Os países afetados por riscos climáticos em 2025 foram identificados com base no Banco de Dados Internacional de Eventos de Emergência (EMDAT) e no Arquivo de Desastres do ReliefWeb. Dentro dessas ocorrências, as interrupções escolares foram verificadas por meio de relatórios de situação e comunicados de imprensa do UNICEF, da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho (IFRC), do Centro de Coordenação de Resposta a Emergências da Comissão Europeia (ECHO Flash), do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), do ReliefWeb e de outros meios de comunicação.
As principais fontes de dados incluem escritórios e comitês nacionais do UNICEF, relatórios humanitários do UNICEF, atualizações do OCHA, Save the Children, Education Cluster, ministérios da educação e o Instituto de Estatísticas da UNESCO (UIS).
O relatório Children’s Climate Risk Report 2026, divulgado pelo UNICEF em junho, constatou que quase metade das crianças do mundo, ou 1,1 bilhão, está exposta a pelo menos três riscos climáticos sobrepostos, que ameaçam sua saúde, educação e sobrevivência.
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O UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, trabalha para proteger os direitos de cada criança e adolescente, em todos os lugares, especialmente os mais vulneráveis, nos locais mais remotos. Em mais de 190 países e territórios, fazemos o que for preciso para ajudar crianças e adolescentes a sobreviver, prosperar e alcançar seu pleno potencial. Em 2025, o UNICEF comemora 75 anos no Brasil.
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