Saúde Materna e Infantil

O UNICEF Angola trabalha com os seus parceiros para uma cobertura alargada e de qualidade dos cuidados de saúde materna e infantil

Mother holds baby daughter in her back
© UNICEF/Angola/2014/André Silva Pinto

Criar um ambiente de apoio para mães e recém-nascidos

A mortalidade materna e infanto-juvenil continua a ser um problema de saúde pública em Angola. Muitos problemas de saúde que ocorrem durante a gestação podem ser evitados, identificados e tratados atempadamente através das consultas pré-natais e partos realizados por profissionais de saúde qualificados. Porém, apenas 61% das gestantes fizeram quatro ou mais consultas pré-natais e apenas 46% dos partos ocorrem numa unidade de saúde, registando-se uma enorme disparidade entre o meio urbano e o rural, onde apenas 16% das mulheres tiveram o parto numa unidade sanitária.

Complicações durante e pós-parto, como hemorragia, doenças cardíacas hipertensivas e infecções encontram-se entre as principais causas de mortes maternas, sobretudo nas gestantes adolescentes. Este quadro exacerba-se pela falta de assistência qualificada aos partos complicados e de emergência.  

A saúde neonatal em Angola está gradualmente a melhorar, mas um número elevado de crianças continua a morrer antes de completar os cinco anos, sendo que 35% dessas mortes ocorre nos primeiros 28 dias de vida. De notar que apenas 23% das mulheres com um nascimento entre 2015 e 2016 fizeram uma consulta pós-parto dois dias após o parto.

Estima-se a taxa de mortalidade de menores de cinco anos em 68 por 1000 nados vivos, e do recém-nascido de 24 em cada 1000 nados-vivos. A mortalidade neonatal estima-se em 24 mortes por cada 1.000 nados-vivos, e a mortalidade pós-neonatal estima-se em 20 mortes por cada 1.000 nados-vivos.

A vasta maioria destas mortes podem ser evitadas. Hábitos saudáveis e intervenções simples, mas de grande impacto, como administração de complemento nutricional e o uso de mosquiteiros, vacinas básicas e hábitos de boa higiene podem prevenir muitas das mortes de mães e crianças angolanas.

A melhoria das condições de saúde da mãe e do recém-nascido requer a prestação de serviços essenciais em momentos críticos e em locais específicos que possam ser de fácil acesso a mulheres e crianças. Para além dos cuidados primários de saúde, é preciso que as mães e as crianças contem também com um ambiente de apoio que garanta e promova seus direitos

O subprograma de Saúde Materna e Infantil pretende apoiar o Governo de Angola a aumentar e alcançar o acesso equitativo e a procura de intervenções e de serviços de saúde de qualidade através das seguintes estratégias:

  • Promoção dos padrões de qualidade dos cuidados neonatais, alinhados com o Plano de Ação para Todo Recém-Nascido, para que sejam adotados pelo Ministério da Saúde.
  • Revitalização da Agenda de Saúde Comunitária através do programa do ADECOS e outras plataformas existentes.
  • Fortalecimento da imunização de rotina e da gestão de cadeia de frio a nível central e provincial.
  • Assistência ao Ministério da Saúde para o fortalecimento de um sistema sanitári  que seja resiliente e responsivo às emergências.

Estas estratégias serão alcançadas através de advocacia e políticas, assistência técnica e criação de modelos de práticas promissoras que podem ser replicados e expandidos. De notar também a realização de estudos e análises dos obstáculos e elaboração de soluções correctivas para informar políticas e programas baseados em evidência. Parcerias com outros setores, como água e saneamento e protecção proteção da criança complementarão essas estratégias.