Ouvir, Fazer, Ler e Escrever, nova metodologia capacita Professores em diferentes modos de ensino.
Com um acompanhamento mais preciso e personalizado de cada criança a metodologia busca estimular diferentes modos de aprendizagem.
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Na África subsaariana, segundo dados da UNESCO de 2023, apenas 1 em cada 10 crianças são capazes de ler e compreender um simples texto aos 10 anos de idade. Esta desigualdade educacional afecta directamente o desenvolvimento individual das crianças e a sua capacidade de se adaptar a uma sociedade em constante desenvolvimento.
Para atingir os objectivos da abordagem, o Ministério do Educação, com o apoio técnico do UNICEF e a orientação metodológica da organização TaRL África, capacitaram cerca de 500 professores para a implementação desta metodologia educacional de reforço escolar para a aquisição e consolidação de competências de base nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática.
Suzana Paulo foi uma de mais de 500 professores/as que tiveram a oportunidade de fazer parte da fase experimental da Aprendizagem na Idade Certa – AIC.
Na província da Huila, nos municípios do Lubango e Humpata, 18 escolas foram seleccionadas para fazerem parte da fase experimental da metodologia. Uma dessas escolas é a escola N.º 60 do Lubango onde lecciona a mais de 30 anos a professora Suzana Inácio Paulo.
“Quando entrei na formação fiquei muito feliz porque era muito similar aquilo que eu já aplicava e com a formação conheci métodos de como melhorar e aplicar essa nova forma de ensinar os alunos/as com mais dificuldades.” Afirmou Suzana Paulo.
A experiente professora, conta que iniciou a sua carreira como professora voluntária do ensino de adultos no município da Humpata, onde o foco era alfabetização de camponeses. Então não foi difícil para ela mudar para o ensino primário quando surgiu a oportunidade, pois já ensinava as vogais aos adultos..
“Os meus alunos e alunas para mim são os meus filhos e filhas. Antes de começar as minhas aulas deixou-os contar uma estória e em seguida eu também conto uma estória para criar uma ambiente mais alegre na sala de aula.”
O AIC apresenta uma abordagem adaptativa e centrada no aluno podendo ser um modelo a ser expandido à escala nacional. Assegurando assim um acompanhamento mais preciso e personalizado da aprendizagem de cada criança. A metodologia busca estimular diferentes modos de aprendizagem, com actividades que variam entre ouvir, dizer, fazer, ler e escrever.
Neste método inovador ao invés de se agrupar as crianças por classe, elas são organizadas por níveis de competências no que se refere à leitura e ao cálculo matemático, permitindo que avancem rapidamente de um grupo para outro conforme o seu progresso.
Segundo a professora Suzana Paulo nas primeiras aulas de aplicação do AIC os alunos/as não sentiram muita diferença porque eles não sabiam que estavam a ser diagnosticados para eles continuavam a ter uma aula normal. Eu apenas criava uma ambiente alegre com palavras positivas e encorajadoras quando eles faziam a leitura e contagem dos números.
“ Em poucas aulas os meus alunos e alunas já dominam todas as brincadeiras e actividades que realizamos na sala de aula. Eles ficavam animados e traziam materiais de casa para contribuir nas actividades. Em minha casa também aplico essas metodologias e o meu filho em pouco tempo já domina os exercícios. Em duas semanas deixou de ter dificuldades de leitura no papel e começou a ler tudo que os olhos dele conseguem ver “.
Uma das grandes dificuldades para assegurar melhorias nos níveis de aprendizagem dos nossos alunos e alunas, relatada pela professora Suzana e outros professores da escola N.º 60, passa pela falta de responsabilidade e apoio do encarregados de educação.
É necessário que os pais assumam que a sua participação na vida da escola é um direito e um dever. Além de ser um dever cívico, a participação activa dos pais em estruturas da escola (associação de pais e outros grupos pedagógicos) é vista pelos filhos e filhas como uma demonstração de empenho e interesse.
A intervenção Aprendizagem na Idade Certa tem a duração de dezoito meses e deve alcançar cerca de 65 escolas e aproximadamente 22.000 alunos, habilitando professores para a implementação desta metodologia educacional de reforço escolar para a aquisição e consolidação de competências de base nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática. O AIC contribuirá para a melhoria dos resultados das aprendizagens em Angola.
Resultados anteriores em outros países, como a Zâmbia, país precursor da implementação desta metodologia em Africa, indicam melhorias substanciais nas competências de leitura e cálculo básico e redução significativa do número de alunos nos níveis mais baixos de aprendizagem.
Para a professora Suzana, que entrará para a reforma em 2025, a formação do AIC deveria chegar a muito tempo. Como professora sempre procurei formas de não deixar nem aluno/a para trás, então comecei a separar com base nas suas capacidades, os que já sabem ler, os que sabem contar, os que já sabem interpretar e os que já sabem fazer cálculos. Separei também os que tinham mais dificuldades e comecei a chamar esse exercício de pequena explicação.
Trabalhava com eles separadamente e o meu obejctivo era ter eles todos no mesmo nível em termos de leitura e cálculos básicos.
“Participei no programa de Empoderamento das Raparigas e Aprendizagem para Todos denominado PAT. Mas o AIC completou as minhas ideias dentro da sala de aula. Antes do AIC eu sempre tentava recuperar os alunos que tinham mais dificuldades”, conta Suzana Paulo.
Em Angola o UNICEF apoia o Ministério da Educação, na implementação da abordagem com o suporte técnico da organização TaRL África e o financiamento do Banco de Fomento Angola, o Governo da Áustria e a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Inicialmente está a ser implementada em aproximadamente 65 escolas das províncias de Benguela, Cunene, Huíla e Luanda, de Janeiro a Junho de 2024.
Foram realizados processos consultivos com Gabinetes Provinciais, Direcções Municipais, directores escolares e professores, foi desenhado um modelo de implementação adaptado ao contexto do sistema educativo angolano. O cronograma de actividades inclui consultas, formações de professores e supervisores, sensibilização de gestores escolares e associações de pais e encarregados da educação. Em Novembro de 2023 foram realizadas as primeiras formações regionais na Huíla e Luanda capacitando 75 formadores e mentores seniores.