Água, saneamento e higiene nas escolas

O UNICEF trabalha com o Governo de Angola para elaborar um diagnóstico das condições de água e saneamento das escolas nacionais e planejar as acções necessárias

Boy washes his hands with water from a tap
UNICEF/Angola/2016/Xavi Simancas

Qual a escola dos teus sonhos?

O sector da educação em Angola foi profundamente afectado pela guerra civil, com a destruição de infra-estruturas escolares e, apesar do progresso louvável registado nas infra-estruturas do país, as escolas ainda carecem de um ambiente higiénico e sanitário favorável. 

A média de acesso dos alunos a uma casa de banho é de apenas 58%, sendo que 23,5% usam latrinas. Mesmo ao lado da escola, a prática de defecação ao ar livre acontece em 44% dos casos. 

Somente 35% das escolas têm água para beber disponível e 62% não possui qualquer fonte de água potável. Cerca de 70% das escolas não têm ligações à rede, e aquelas que estão ligadas não são abastecidas durante 78% do tempo.

O subprograma Água, Saneamento e Higiene nas Escolas do UNICEF contribui para as prioridades do Governo de Angola, no âmbito da melhoria do acesso ao abastecimento de água potável e instalações sanitárias nas escolas nacionais, através da realização de um diagnóstico situacional para a orientação e formação de um modelo de “Escolas Amigas da Criança”.

 

Escolas Amigas das Crianças

Uma ‘Escola Amiga da Criança’ promove um ambiente de higiene e saúde apropriados, operação e manutenção das facilidades sanitárias, e é apoiada por um sistema de advocacia regional e nacional.

Com a necessidade de ter um conhecimento da realidade que afecta milhares de crianças em idade escolar, a Direcção Nacional do Ensino Geral, com o apoio das Direcções Provinciais de Educação do Cunene, Huíla, Bié, Luanda, Namibe, Huambo e o UNICEF, realizou um inquérito breve a 600 escolas com a intenção de avaliar o estado sanitário das mesmas.

Esta avaliação, executada através da aplicação do modelo abrangente de Tanahashi (1978), teve e tem como principal objectivo iniciar um debate sobre acesso à água, saneamento e higiene que leve ao planeamento e orçamentação adequados para escolas primárias. São as seguintes áreas prioritárias:

  • Ambiente favorável 
  • Oferta
  • Procura
  • Qualidade 

"Qual é a escola dos teus sonhos?” foi a pergunta central da pesquisa foi, com a intenção de encontrar a concepção que todos os envolvidos têm sobre uma escola ideal, que atenda às suas expectativas e necessidades, sem, no entanto, desconsiderar o contexto em que vivem. 

As instalações de água e saneamento nas escolas têm um forte impacto, positivo, não apenas na redução de doenças e da mortalidade, mas também no aumento de matrículas por parte das raparigas, bem como nas taxas de retenção e conclusão

Veja alguns dados desta recolha:

  • 55% das escolas inquiridas não têm água.
  • Cerca de 70% das escolas não estão ligadas à rede. 
  • 62% das escolas inquiridas não têm água para beber. 
  • Cerca de 24% das escolas não têm instalações sanitárias. 
  • Em 32% das escolas inquiridas defeca-se ao ar livre, 18% em latrinas secas, 47% em latrinas ligadas à fossa séptica e 2% está ligada à rede de esgotos.

Os parceiros concluíram, entre outros:

  • Que a necessidade de intervenção é urgente.
  • Deve ser tido em conta melhor planeamento, como uma melhor base de dados para que possam existir fontes de verificação de áreas básicas como água, higiene e saneamento.
  • A orçamentação não demonstra sustentabilidade a nível provincial, municipal e comunal. 
  • A inoperância dos mecanismos existentes nas escolas, por falta de fundos e planeamento, origina o colapso das já débeis estruturas. 
  • Os professores não são qualificados em 27% dos casos, não estando preparados com conhecimentos suficientes para cultivar matérias dentro dos temas da água, saneamento e higiene. 
  • As escolas precisam de um planeamento adequado na sua fase de construção de forma a o acesso à água, saneamento e higiene serem logo incluídos.

Os direitos da criança, referem-se à necessidade de perceber as crianças como sujeitos de direitos, e de transformar as escolas num espaço em que esses direitos sejam assegurados

E por isso, recomendam:

  • Monitoria regular no âmbito do Sistema Integrado de Gestão de Informação sobre Educação 
  • Ocorrência de mais relatórios como este para obtenção de informação real para planeamento e recolha de dados essenciais para complementar a informação sobre o sector da educação em Angola 
  • Promover um debate multisectorial sobre água, saneamento e higiene nas escolas 
  • Que o Ministério da Educação elabore um plano nacional em parceria com entidades interessadas para elaboração de um inquérito nacional sobre água, saneamento e higiene nas escolas e os seus impactos na vida escolar e das crianças