Empoderada para escolher: Atija diz não à violência e a união prematura

"Com o programa Girls are in action aprendi a dizer não a qualquer tipo de violência. Aprendi a respeitar-me e a respeitar os outros. Descobri que o casamento só deve acontecer depois dos 18 anos."

Sheila Cossa
"Com o programa Girls are in action aprendi a dizer não a qualquer tipo de violência. Aprendi a respeitar-me e a respeitar os outros. Descobri que o casamento só deve acontecer depois dos 18 anos."
Caritas Diossena de Pemba/2025/Siena Andre
24 Novembro 2025

Ancuabe, Cabo Delgado - Atija Bacare, de 16 anos, vive actualmente no centro de reassentamento de Nanona, em Ancuabe, depois de ter sido forçada a abandonar a sua terra natal, Mucojo, no distrito de Macomia, devido ao conflito armado que assola a província de Cabo Delgado.

Como muitas outras raparigas deslocadas, Atija chegou ao centro com receios, dúvidas e uma sensação de vulnerabilidade. Depois de algum tempo, Atija foi integrada no programa Girls are in action (GAIA), iniciativa que promove os direitos das adolescentes, incluindo competências para a vida, empoderamento económico e protecção da criança com sensibilidade ao género, através de sessões educativas.

Durante as sessões, Atija aprendeu a identificar e denunciar abusos, compreendeu os seus direitos e desenvolveu uma nova consciência sobre o seu valor enquanto rapariga. Uma das aprendizagens mais marcantes foi a definição de violência como qualquer acto feito sem o seu consentimento. "Ninguém pode tocar-me ou forçar-me a fazer algo que eu não queira.".

Atija conta com convicção: "com o GAIA aprendi a dizer não a qualquer tipo de violência. Aprendi a respeitar-me e a respeitar os outros. Descobri que o casamento só deve acontecer depois dos 18 anos."

Para além das sessões teóricas, o programa oferece às raparigas e rapazes ferramentas para reconstruírem as suas vidas com dignidade e esperança através de actividades práticas.

Atija participou em actividades práticas como a produção de peneiras e já pensa na rentabilidade. "Foi difícil nos primeiros dias, mas com força de vontade consegui terminar a minha peneira. Foi uma experiência única. Agora quero fazer mais para vender."

O impacto do GAIA não abrange apenas as raparigas. Envolve também os cuidadores, pais e líderes comunitários.

Ntiwe Mamad, de 14 anos, é outra adolescente que também vive no centro, vinda de Mucojo. Juntamente com a Atija partilha o que aprende nas sessões educativas com as pessoas próximas a si. "Houve muitas mudanças desde que entrei no programa. Falei com os meus pais sobre o que aprendemos nas sessões, sobre o casamento precoce. As minhas amigas, que achavam que era tudo mentira, mudaram de opinião e agora também participam, conta."

As actividades do GAIA têm gerado mudanças significativas no bem-estar físico, emocional e social dos participantes. Atija e Ntiwe agora sonham em aprender bordado, costura, carpintaria e outras competências que lhes permitam construir um futuro com mais oportunidades.

"Hoje caminho com mais confiança e esperança", diz Atija, com um sorriso que espelha a força de quem está a transformar a sua história.

O UNICEF apoia o programa Girls are in action (GAIA) com o generoso apoio financeiro dos Governos da Suécia e da Irlanda.