Representante do UNICEF

Desde Setembro 2015, Marcoluigi Corsi é o Representante do UNICEF em Moçambique

Marcoluigi Corsi começa oficialmente as suas novas funções hoje como Representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Moçambique.
UNICEF Moçambique/2015/Emidio Machiana

Estou ansioso para trabalhar com o Governo e os nossos muitos parceiros de desenvolvimento para juntos fazermos avançar os direitos das crianças

Marcoluigi Corsi, 2015

Em Setembro de 2015, Marcoluigi Corsi começou oficialmente as suas novas funções como Representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Moçambique. Ele possui mais de 20 anos de experiência internacional na planificação, coordenação, implementação, monitorização e avaliação de uma ampla gama de programas para melhorar o bem-estar das crianças e mulheres.

Antes desta nomeação, o Sr. Corsi cumpriu quatro anos como Representante do UNICEF na Bolívia, durante os quais liderou o desenvolvimento e a implementação do Programa de Cooperação do Governo da Bolívia com UNICEF, contribuindo na realização de iniciativas conjuntas das Nações Unidas e colaboração interagências - conhecida como a Iniciativa Delivering as One - destinada a melhorar a eficiência da gestão da sua assistência ao governo.

Ao longo da sua carreira, o Sr. Corsi tem sido um forte defensor dos direitos da criança, de uma melhor prestação de desenvolvimento, incluindo a implementação dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio, bem como a erradicação da pobreza.

Estou animado em fazer parte do UNICEF em Moçambique, numa fase crucial de desenvolvimento do país, nomeadamente a preparação de um novo Quadro de Assistência das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDAF) e o novo Programa Nacional de Cooperação do UNICEF para 2017 - 2020

Marcoluigi Corsi, 2015

O Sr. Corsi iniciou a sua carreira no UNICEF em 1997, como Oficial Assistente de Programas de Monitorização e Avaliação, na Unidade de Planificação e Coordenação de base Comunitária, baseada em Dar es Salaam, Tanzânia. Em 1999, foi nomeado Oficial responsável para a planificação, monitorização e avaliação dos programas do UNICEF, na Somália mas com base em Nairobi, Quénia, no Centro de Apoio à Somália. No exercício dessas funções providenciou liderança técnica ao nível nacional e, supervisou também os três escritórios locais em todos os aspectos de planificação, análise, controle e avaliação do programa com assistência do UNICEF na Somália. De 2002 a 2005 foi Representante adjunto do UNICEF na Eritréia. De 2005 a 2008, foi Oficial sénior para a planificação, monitorização e avaliação dos programas do UNICEF, e especialista na mobilização de recursos financeiros, e de 2008 a 2011 foi Representante adjunto do UNICEF, baseado em Jacarta, na Indonésia. Em 2011, foi transferido para La Paz, Bolívia exercendo as funções de Representante.

Ele possui o grau de Mestrado em Ciências Políticas Internacionais.

O Sr. Corsi é nacional da Itália. Ele é casado e tem três filhas.

Depoimento do Representante

Marcoluigi Corsi, Representante do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em Moçambique.
UNICEF Moçambique/2019/Louise Daniels

Moçambique é um dos países mais vulneráveis do mundo a desastres como secas, cheias, ciclones, epidemias e tremores de terra de pequena dimensão. Em 2015, Moçambique encontrava-se no topo da lista ao lado da República Dominicana e do Malawi como um dos países mais afectados por condições climáticas mais extremas (Germanwatch Global Climate Risk Index, 2017). Entre 1980 e 2015, Moçambique sofreu 25 situações de cheias, 14 ciclones tropicais, 13 secas, 23 epidemias e um pequeno tremor de terra (INGC, 2016). 

Os moçambicanos também sofreram os efeitos de uma guerra que durou 16 anos e que terminou em 1992 que – além de ter ceifado a vida de centenas de milhares de pessoas, incluindo mulheres e crianças – também tornou-o num dos países mais pobres do mundo. Apesar do progresso assinalado desde 1992, o país registou, recentemente, uma crise da dívida e também enfrenta desafios em termos de segurança. Hoje em dia, as famílias ainda lutam por ultrapassar a pobreza e para atingir a segurança alimentar, assim como para aceder a serviços essenciais, nomeadamente cuidados de saúde, água, saneamento e higiene e educação. Os que vivem nas zonas rurais e nas zonas urbanas pobres são particularmente vulneráveis. De uma maneira geral, os níveis de pobreza são elevados, situados em 54 por cento, e as disparidades são acentuadas. Apesar dos avanços significativos registados na redução da mortalidade infantil, muitas crianças menores de 5 anos continuam a morrer devido a doenças preveníveis e tratáveis; a malária é responsável por 35 por cento da mortalidade infantil, subsistem enormes desafios em termos de nutrição, assim como de água, saneamento e higiene, que contribuem para os elevados índices de desnutrição crónica, situada em 43,3 por cento. Também apesar do progresso considerável nos ingressos no ensino primário, menos de metade das crianças concluem o ensino primário. 

Os adolescentes, especialmente as raparigas, também necessitam do nosso apoio. Em Moçambique, as crianças e os adolescentes constituem 52 por cento da população e são a secção da população que regista o crescimento mais rápido. Um dos principais desafios que enfrentam é evitar o casamento antes dos 18 anos de idade, uma vez que o casamento prematuro pode ter um impacto devastador na saúde, na educação e no bem-estar em geral. Moçambique apresenta a décima taxa mais elevada de casamentos prematuros a nível mundial, afectando quase uma em cada duas raparigas; 48 por cento das raparigas casam-se antes dos 18 anos (IDS, 2011). 

Além disso, os adolescentes são particularmente vulneráveis ao HIV. Em 2014, um número estimado em 18.000 adolescentes com idades compreendidas entre os 15–19 anos foram infectados pelo HIV, de acordo com o Relatório Global do SIDA (2014) do Programa Conjunto das Nações Unidades para o HIV/SIDA (ONUSIDA). 

Devemos apoiar as crianças, adolescentes, mães, avós, pais, professores, e aos milhões de outros que eles representam e ajudá-los a fortalecer a sua resiliência na luta que travam para atingir o seu potencial. Com alguma assistência adicional, muitos deles poderão avançar rumo à realização dos seus objectivos e continuarão a dar, ou darão no futuro, um contributo valioso para o desenvolvimento deste belo país que é culturalmente tão diverso e potencialmente rico.