Como prevenir a transmissão do HIV de mãe para filho?
O HIV não é uma sentença de morte. Com tratamento antirretroviral adequado, a pessoa vivendo com HIV pode ter uma vida longa, saudável e com qualidade.
O que é o HIV?
O HIV significa Vírus da Imunodeficiência Humana. É um vírus que ataca o sistema imunológico, especialmente as células de defesa chamadas CD4, enfraquecendo a capacidade do corpo de combater infecções e doenças. Sem tratamento, o HIV pode evoluir para a SIDA (AIDS), que é o estágio mais avançado da infecção, mas com tratamento antiretroviral (TARV), a pessoa pode viver muitos anos com saúde e qualidade de vida.
Como o HIV se transmite?
O HIV é transmitido apenas através de certos fluídos corporais de uma pessoa vivendo com HIV que não esteja em tratamento ou não tenha carga viral suprimida. Estes fluídos podem ser sangue, esperma, secreções vaginais, e leite materno.
Quais são as principais formas de transmissão?
As principais formas de transmissão são através de relações sexuais desprotegidas, sexo vaginal ou anal sem preservativo, contacto com sangue contaminado, partilha de objectos perfurocortantes como agulhas, seringas ou lâminas, transfusão de sangue e de mãe para filho.
É importante saber que o HIV, não se transmite através de abraços, beijos ou aperto de mão, tosse ou espiro, partilha de pratos, copos ou talheres, picada de mosquito, suor ou lágrimas ou uso da mesma casa de banho.
A prevenção da transmissão do HIV de mãe para filho (conhecida como PTV) é altamente eficaz quando as medidas correctas são seguidas. Sem intervenção, o risco pode chegar a 30–45%, mas com prevenção adequada pode ser reduzido para menos de 1–2%.
O HIV pode ser transmitido de mãe para filho durante a gravidez, o parto e a amamentação.
Principais formas de prevenção
No sistema nacional de saúde, o teste de HIV é oferecido de forma gratuita a todas as pessoas. Recomenda-se que a testagem seja feita a cada 3 meses.
Para prevenir a transmissão do HIV de mãe para filho, deve-se
- Recomenda-se a realização de testes em todas as mulheres antes da gravidez, no início da gestação e a repetição dos testes durante o pré-natal, o parto e o pós-parto, conforme orientação do profissional de saúde. A testagem deve ser estendida a todos os parceiros elegíveis.
- Mulheres grávidas que vivem com HIV e são diagnosticadas durante o acompanhamento pré-natal devem iniciar imediatamente a terapia antirretroviral (TARV), independentemente da carga viral ou do CD4. O TARV é fundamental para a redução da carga viral a níveis indetectáveis, prevenindo a transmissão ao bebé.
- É importante que todas as mulheres grávidas que vivem com HIV façam seguimento na consulta pré-natal de qualidade para permitir a monitoria da carga viral, garantir a adesão ao tratamento e que facilmente sejam diagnosticadas outras infecções, como a sífilis e a hepatite B, entre outras.
- Recomenda-se que as mulheres grávidas tenham o seu parto na maternidade e assistida por profissionais de saúde.
- Após o nascimento, todos bebés nascidos de mães que vivem com HIV, devem tomar a profilaxia com antiretroviral e fazer o teste de HIV de acordo com as normas nacionais.
- É importante que as mães façam o aleitamento exclusivo até aos 6 meses de vida e que a mãe esteja em TARV e tenha boa adesão.
- As mulheres grávidas, assim como as lactantes, devem tomar o TARV todos os dias à mesma hora, sem interrupções, pois é essencial para proteger a saúde da mãe e do seu bebé.
- O uso do preservativo masculino ou feminino durante todas as relações sexuais é uma medida essencial de prevenção do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis (ITS). Mesmo durante a gravidez e amamentação, o preservativo protege a mulher contra uma nova infecção pelo HIV ou reinfecção.
- O uso da PrEP em mulheres grávidas e lactantes em risco de HIV é um método seguro e eficaz para mulheres HIV-negativas que apresentam risco aumentado de infecção, incluindo durante a gravidez e a amamentação. A PrEP reduz significativamente o risco de adquirir o HIV, protegendo tanto a mulher quanto o bebé. O seu uso deve ser feito sob orientação de um profissional de saúde.
O HIV não é uma sentença de morte. Com tratamento antirretroviral adequado, a pessoa vivendo com HIV pode ter uma vida longa, saudável e com qualidade.