Um recomeço para Ogrismar Del Valle

A jovem warao de 19 anos veio para o Brasil com a filha de 2 anos e o companheiro, e encontrou apoio em evento apoiado pelo UNICEF

UNICEF Brasil
um homem de costas, com a camisa do UNICEF, mede o braço de uma criança que está no colo da mãe
UNICEF/BRZ/Inaê Brandão

27 Setembro 2019

Ogrismar Del Valle, de 19 anos, viu a comunidade indígena em que viva na Venezuela desde que nasceu esvaziar. Amigos, familiares, colegas, todos seguindo pelo curso do rio Delta Amacuro fugindo da fome e das necessidades que se instalaram no local que abrigava parte da população warao.

Há três dias ela chegou ao Brasil com a filha de 2 anos e o companheiro. Encontraram refúgio em uma habitação espontânea de venezuelanos que abriga famílias indígenas e não indígenas. Lá, Ogrismar recebeu materiais de higiene, comida e roupas. A filha dela, Glorismar Del Valle, passou por uma avaliação nutricional, recebeu remédio antiparasitário e atualizou a carteira de vacinação em um evento realizado pela organização Médicos Sem Fronteiras e apoiado pela equipe técnica de Saúde & Nutrição do UNICEF que atua em Roraima.

Duas pessoas estão debruçadas sobre uma criança, que está deitada em uma cama de medição. Uma dessas pessoas veste uma camiseta do UNICEF, a outra é a mãe da criança
UNICEF/BRZ/Inaê Brandão

A jovem vivia na comunidade de Araguabisi e trabalhava como artesã. Seis meses após o nascimento de Glorismar, sua única filha, o primeiro marido morreu e a jovem ficou sem apoio. Ogrismar viu a comunidade em que morava perder, aos poucos, a vida. Há um dia de barco de Tucupita, principal cidade venezuelana da região, ela não tinha dinheiro para deixar o local, mas tinha medo de acabar sozinha na vila.

Com um novo companheiro, pegou a filha nos braços e tomou coragem para a viagem. "A vida era difícil porque não havia quem me ajudasse. Vim para o Brasil pela minha filha. Já não tínhamos o que comer, remédio, ela não tinha roupa para vestir, não tinha fralda. A menina chorava de fome. Chegamos ao Brasil com dinheiro emprestado por uma vizinha e um cacique nos recebeu neste local. Ontem recebemos comida e itens de uso pessoal. Me disseram para vir para o Brasil porque aqui atendem bem os waraos", contou.

A família foi acolhida na ocupação batizada de Ka'Ubanoko. Lá, 664 pessoas, sendo 279 crianças e adolescentes, vivem de forma improvisada em barracas e redes. Em parceria com a ONG Visão Mundial, o UNICEF presta apoio ao local com atividades de recreação, esportivas, de leitura, desenho e escrita. As equipes de Proteção da Criança e Educação também são capacitadas para identificar possíveis casos de violência cometidos contra meninas e meninos.

mãe dá uma ampola de vitamina para a filha, que está em seu colo e bebe o remédio
UNICEF/BRZ/Inaê Brandão

"Eu estou feliz de estar aqui porque aqui estão cuidando da gente. Eu vim só com a roupa do corpo, a criança também. Ganhamos sandálias, coisas de higiene pessoal. Há muito tempo que eu não tinha xampu e sabão. Fazia muito tempo, nem lembro quanto, que não lavava o cabelo e ontem eu lavei. Me senti bem de novo e disse para o meu companheiro 'ainda bem que viemos para cá'. Aqui no Brasil queremos trabalhar, queremos uma casa".

O programa de Saúde & Nutrição do UNICEF é possível graças ao trabalho de seus parceiros e ao financiamento do Escritório de População, Refugiados e Migração do governo dos Estados Unidos (BPRM/USA); do Fundo Central de Resposta a Emergência das Nações Unidas (Cerf); da Johnson & Johnson; e do Governo da Nova Zelândia.


Conheça o trabalho do UNICEF Brasil pelas crianças e pelos adolescentes migrantes venezuelanos.


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