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Minha voz, meu voto: adolescentes se mobilizam nas Eleições 2026

Adolescentes de diferentes regiões do Brasil fortalecem a participação cidadã e se mobilizam para colocar a infância e a juventude em pauta nas Eleições 2026

UNICEF
adolescentes se mobilizam nas Eleições 2026
UNICEF/BRZ/Ana Rodrigues
02 outubro 2026

“Antes eu não estava tão envolvido nas políticas. Agora eu sei que é de grande importância participar. Se ninguém falar, essas melhorias simplesmente não vão chegar até a gente. Nossa voz é importante e a gente tem que lutar por isso.”

A reflexão é de Richard Damasceno, adolescente do Núcleo de Cidadania de Adolescentes (NUCA) de Floresta do Araguaia, no sudeste do Pará. Em 2026, ele e outros adolescentes do município se comprometeram a mobilizar outros jovens para participar das eleições.

Entre abril e maio, o grupo foi às escolas, conversou com outros adolescentes e incentivou meninas e meninos de 16 e 17 anos a tirar o primeiro título de eleitor. A mobilização fazia parte da campanha "Meu Voto Importa", iniciativa realizada pelo UNICEF em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para fortalecer a participação de adolescentes nas Eleições 2026.

Durante o período da iniciativa, Floresta do Araguaia registrou um aumento de cerca de 2.870% na emissão de títulos eleitorais entre adolescentes de 16 e 17 anos. O resultado levou o município a vencer o desafio nacional da iniciativa.

Como reconhecimento, representantes do NUCA viajaram a Brasília em agosto deste ano para conhecer o TSE. Lá, tiveram contato com o funcionamento da urna eletrônica, aprenderam mais sobre a história do voto no Brasil e aprofundaram as conversas sobre direitos e participação democrática.

Para Lara Sophia, adolescente do NUCA de Floresta do Araguaia, a experiência também trouxe uma nova percepção sobre os próprios direitos: “Eu percebi que nós, jovens e adolescentes, temos os nossos direitos, só que a gente não conhecia todos eles. Viajar para outra cidade, conhecer o TSE e aprender que a gente faz a diferença no voto, conhecer mais sobre os nossos direitos, foi muito bom,” compartilha.

adolescentes visitam TSE
UNICEF/BRZ/Ana Rodrigues

De volta ao município, os adolescentes querem continuar multiplicando o que aprenderam nas escolas e nas redes sociais e desenvolver novas ações para envolver outros jovens nos espaços de participação cidadã.

A experiência de Floresta do Araguaia é uma das frentes de uma mobilização mais ampla do UNICEF e de adolescentes para fortalecer a participação política nas Eleições 2026.

Adolescentes mobilizando adolescentes

O Meu Voto Importa mobilizou integrantes dos Núcleos de Cidadania de Adolescentes (NUCAs) de municípios participantes do Selo UNICEF na Amazônia e no Semiárido brasileiro. A proposta colocou os próprios adolescentes no centro da ação: jovens conversando com outros jovens sobre voto, direitos e participação nas escolhas do País.

Ao longo da iniciativa, mais de 250 mil adolescentes entre 16 e 17 anos, aptos a voltar nas eleições de 2026, tiraram o título de eleitor por meio das ações de mobilização nos 2.277 municípios inscritos no Selo UNICEF 2025-2028.

Os NUCAs são espaços vinculados ao Selo UNICEF nos quais adolescentes discutem questões que afetam suas vidas e desenvolvem ações para mobilizar e transformar suas comunidades. Na edição atual, mais de 58 mil adolescentes participam dos NUCAs. As ações realizadas por adolescentes, sobre temas como saúde, prevenção às violências, equidade étnico-racial, mudanças climáticas, orçamento público e participação cidadã, já alcançaram mais de 1,3 milhão de pessoas.

Mas a mobilização para as Eleições 2026 não termina com a emissão do título ou com o voto. Conhecer propostas, acompanhar o debate público e cobrar compromissos de quem pretende governar também fazem parte da participação cidadã.

“É com o nosso voto, com a nossa participação, que a gente consegue cobrar melhor a escola, postos de saúde funcionando, oportunidades de emprego, combate ao trabalho infantil e etc.,” afirma Cleberson de Jesus, mobilizador do NUCA de Floresta do Araguaia.

É essa mensagem que adolescentes dos NUCAs agora levam diretamente a eleitoras e eleitores.
 

Compromissos de candidaturas com crianças e adolescentes

Em um novo vídeo-manifesto do UNICEF, cinco adolescentes de diferentes estados brasileiros se unem para falar sobre as Eleições 2026 e os direitos de crianças e adolescentes:  Isabelle (Paraíba), Isabelly (Roraima), João Pedro (Alagoas), Lígia (Ceará) e Richard (Pará).

“A gente veio reforçar esse chamado: é importante conhecer as propostas, acompanhar o debate e cobrar compromissos com a nossa educação, proteção, saúde e participação”, afirma Richard.

 

No vídeo, os adolescentes chamam atenção especialmente para as diferentes formas de violência que ainda atingem meninas e meninos no Brasil. Violências sexual, física e maus-tratos começam cedo e acontecem muitas vezes dentro de casa. Fora dela, a violência letal atinge de forma desproporcional adolescentes negros: cerca de 5 mil crianças e adolescentes são assassinados todos os anos no País, e meninos negros são a maioria das vítimas.

“Enfrentar a violência contra crianças precisa ser prioridade para os novos governantes”, afirma Isabelly.

As vozes dos adolescentes se somam a outra frente da atuação do UNICEF nas Eleições 2026: o diálogo direto com quem disputa a Presidência da República e os governos estaduais.

Neste período eleitoral, o UNICEF está apresentando uma Carta-Compromisso às principais candidaturas à Presidência e, nos estados onde atua, aos governos estaduais, convidando candidatas e candidatos a assumir publicamente compromissos com a proteção de crianças e adolescentes.

Conheça os pedidos do UNICEF para as Eleições 2026

A carta apresenta três prioridades: enfrentar a violência dentro de casa contra meninas e meninos, com políticas de apoio às famílias, proteção e cuidado; enfrentar a violência extrema e o racismo, especialmente contra meninos negros de periferias, além da violência de gênero e da misoginia; e garantir transparência, sustentabilidade e responsabilização no uso dos recursos públicos destinados à garantia dos direitos de crianças e adolescentes.

São esses compromissos que ganham voz no manifesto.

O UNICEF atua de forma apartidária, imparcial e independente e mantém diálogo com representantes de diferentes correntes políticas. A mobilização busca contribuir para que os direitos de crianças e adolescentes façam parte do debate eleitoral e das prioridades das próximas gestões.

Participação que se transforma em ação

A experiência de Richard e Lara em Floresta do Araguaia e as vozes dos cinco adolescentes do manifesto fazem parte de um mesmo movimento: adolescentes conhecendo seus direitos, mobilizando seus pares, participando do debate público e cobrando compromissos de quem pretende governar.

Na edição 2025-2028, o Selo UNICEF conta com organizações da sociedade civil que atuam como parceiras implementadoras nos territórios. Na Amazônia Legal, a implementação é realizada pelo Instituto Peabiru e pelo Instituto Amazônia Açu (IAÇU). No Semiárido, atuam o Centro Dom José Brandão de Castro (CDJBC), a Asserte e a Associação para o Desenvolvimento dos Municípios do Ceará (APDMCE). Em articulação com o UNICEF, essas organizações prestam apoio técnico aos municípios na implementação das atividades do Selo e no fortalecimento de políticas públicas para crianças e adolescentes.

Do incentivo ao primeiro título de eleitor ao acompanhamento das propostas apresentadas durante a campanha, a mobilização busca ampliar os espaços para que adolescentes participem das decisões que afetam suas vidas e suas comunidades.

No vídeo, Isabelly e Lígia resumem o que está no centro desse chamado:

“Para que cada criança, sem exceção, viva protegida e tenha seus direitos assegurados. É isso que vai levar o Brasil pra frente!”