Indo de casa em casa na zona rural de Inajá (PE), agentes de saúde garantem a vacinação de crianças

Os atendimentos de saúde com foco na imunização de crianças de até 5 anos fazem parte das políticas públicas que devem ser priorizadas pelos municípios participantes do Selo UNICEF

UNICEF Brasil
Rosivânia Maria dos Santos, moradora do Sítio Olho D’água, em Inajá (PE), recebe a visita da agente de saúde Sineide Regina da Silva. A foto mostra uma porteira sendo aberta pela agente de saúde. Rosivânia está em pé em frente à casa. O chão é de terra em toda a volta.
UNICEF/BRZ/Adriano Nascimento

23 abril 2019

Era julho de 2018. O Brasil recebia a notícia de que os casos de sarampo no País estavam aumentando, desde o ano anterior. Nessa mesma época, chegava o alerta de que, pela primeira vez em 20 anos, a mortalidade infantil aumentara no Brasil.

Para tentar conter o surto, em agosto foi realizada a Campanha Nacional de Vacinação contra Poliomielite e Sarampo, para crianças de até 5 anos de idade. Desde então, municípios brasileiros começaram a mobilizar suas equipes técnicas para enfrentar a situação.

O UNICEF também passou a priorizar esse tema no Brasil e, assim, lançou um novo desafio aos 1.924 municípios participantes da iniciativa Selo UNICEF: garantir que mais de 95% das crianças, em cada município, fossem imunizadas.

Um dos municípios que abraçou esse objetivo foi Inajá, no Semiárido pernambucano. Lá, os agentes de saúde foram de casa em casa para garantir a participação das famílias na campanha. O maior problema estava nas áreas rurais, em que há mais dificuldade de acesso ao sistema de saúde. Para garantir que as crianças vivendo no campo também fossem protegidas, as equipes se mobilizaram para realizar a vacinação itinerante.

Rosivânia segura o filho José Inácio, que foi vacinado durante a campanha nacional, em agosto de 2018. Ela dá um beijo no rosto do bebê. Eles estão em frente à casa da família.
UNICEF/BRZ/Adriano Nascimento
Rosivânia segura o filho José Inácio, que foi vacinado durante a campanha nacional, em agosto de 2018.

Era o dia do aniversário de um ano de José Inácio quando a família recebeu a equipe de vacinação em casa. A visita foi uma alegria para os pais, que não teriam de se deslocar até o centro da cidade.

“Vivemos da roça, plantando e cuidando dos animais. Mesmo assim, cuidamos e vacinamos, indo para o médico de moto e muitas vezes de madrugada”, conta Rosivânia Maria dos Santos, mãe do José Inácio.

Apesar das dificuldades de acesso aos serviços de saúde, a informação chega até a comunidade do Sítio Olho D’água, onde a família vive. “Os agentes de saúde vêm com frequência. Sileide [Sileide Regina da Silva, uma das agentes de saúde] sempre explica as coisas que precisam ser feitas. Então, sempre olho o caderno de vacinação. Para não acontecer o pior, eu nunca deixo atrasar a aplicação”, conta Rosivânia.

Maria Romeika da Silva e a filha recebem a visita da agente de saúde Sileide no Sítio Olho D’água. A mãe segura a caderneta de vacinação da criança. Elas estão na janela de casa. Mãe e filha pelo lado de dentro. A agente de saúde do lado de fora. A casa é de tijolo aparente.
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Maria Romeika da Silva e a filha recebem a visita da agente de saúde Sileide no Sítio Olho D’água. A mãe segura a caderneta de vacinação da criança.

A visita dos agentes de saúde faz parte da rotina da comunidade. Outras famílias, como a de Maria Romeika da Silva, já aguardavam a chegada deles naquele mês. Quando a equipe apareceu em sua porta, Maria foi informada sobre a campanha de prevenção de sarampo e poliomielite e que sua filha, Anny Karolaine, poderia ser vacinada ali mesmo, em casa.

“Minha filha tomou a vacina e não deu nenhum efeito negativo. Se faz bem a ela, eu também me sinto bem. Não tomando a vacina, ela vai adoecer, por isso, foi importante a visita deles aqui”, conta a mãe, feliz. Na época, a bebê tinha apenas cinco meses e exigiria muitos cuidados para vaciná-la longe de casa.

As ações de mobilização e busca ativa geraram um resultado evidente no município. Ao final da campanha, mais de 98% das crianças de Inajá foram imunizadas. Agora, o município continua se esforçando para garantir a vacinação de rotina de todas as crianças.

Quitéria, seu filho José Otávio e o marido, Antônio, em casa, no Sítio Caldeirão. Março, 2019. A mãe segura a caderneta de vacinação.
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Quitéria, seu filho José Otávio e o marido, Antônio, em casa, no Sítio Caldeirão.

“Achei ótimo terem incluído a gente também na campanha”, relata Quitéria Luiza do Nascimento, moradora da comunidade rural Sítio Caldeirão. Ela vacinou seu filho José Otávio, na época com cinco meses. “O que precisar, vou fazer pelo meu filho. Mesmo que ninguém viesse, eu teria ido atrás da vacina mesmo assim. Acho importante e quero que, no futuro, ele seja uma boa pessoa, com saúde”.

Selo UNICEF
Os atendimentos de saúde com foco na imunização de crianças de até 5 anos fazem parte das políticas públicas que devem ser priorizadas pelos municípios participantes do Selo UNICEF – Edição 2017-2020.

A Edição 2017-2020 do Selo UNICEF conta com a participação de mais de 1.900 municípios de 18 Estados brasileiros. Eles assumiram perante o UNICEF o compromisso de implementar políticas públicas para a redução das desigualdades e de garantir os direitos das crianças e dos adolescentes previstos na Convenção sobre os Direitos da Criança e no Estatuto da Criança e do Adolescente.

A experiência das edições anteriores comprova que os municípios certificados com o Selo UNICEF avançam mais na melhoria dos indicadores sociais do que outros de características socioeconômicas e demográficas semelhantes, mas que não foram certificados ou não participaram da iniciativa.


O UNICEF e seus parceiros apoiam programas de imunização em mais de 100 países.

Em 2018, o UNICEF atingiu quase metade das crianças do mundo com vacinas que salvam vidas.
Você também pode ajudar a realizar o direito das crianças à sobrevivência e à boa saúde.

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