Surto global de sarampo, uma ameaça crescente para crianças

10 países são responsáveis por aproximadamente três quartos do aumento de casos de sarampo em 2018, incluindo os surtos no Brasil, Madagascar, Filipinas, Ucrânia e Iêmen.

01 Março 2019
Profissional de saúde vacina criança contra o sarampo enquanto outras crianças esperam em fila para ser vacinadas.
UNICEF/UN0284068/Rabezandriny
Resposta de imunização ao surto de sarampo em Madagasgar, em 20 de fevereiro de 2019.

Nova Iorque, 1º de março de 2019 – O UNICEF alerta que casos de sarampo estão surgindo em níveis alarmantes no mundo, puxados por dez países, responsáveis por mais de 74% do aumento, e por vários países que haviam sido previamente declarados livres da doença.

Globalmente, 98 países reportaram mais casos de sarampo em 2018 do que em 2017, impedindo os avanços contra essa doença fácil de prevenir, mas com grande potencial de morte.

Ucrânia, Filipinas e Brasil tiveram os maiores crescimentos no número de casos da doença na comparação entre os dois anos. A Ucrânia registrou 35.120 casos de sarampo em 2018. De acordo com o governo, outras 24.042 pessoas foram infectadas somente nos primeiros dois meses de 2019. Nas Filipinas, somente neste ano, houve 12.736 casos e 203 mortes, até o último dia 18 de fevereiro, comparados aos 15.599 casos registrados em todo o ano passado.

“Este é um alerta. Temos vacinas seguras, eficientes e baratas contra essa doença tão contagiosa – vacinas que têm salvado quase um milhão de vidas por ano nas duas últimas décadas”, afirma Henrietta H. Fore, diretora executiva do UNICEF. “Esses casos não apareceram da noite para o dia. Assim como os sérios surtos que temos no momento tiveram início em 2018, a falta de ações hoje trará consequências desastrosas para as crianças amanhã”.

O sarampo é muito contagioso, mais do que o ebola, a tuberculose e a influenza. O vírus pode ser contraído por alguém até duas horas depois de a pessoa infectada ter saído do local. Ele é transmitido pelo ar e infecta o trato respiratório, podendo matar crianças malnutridas e bebês que ainda são muito novos para ser vacinados. Uma vez infectado, não há um tratamento específico para o sarampo, por isso, a vacinação é uma ferramenta para salvar a vida das crianças.

Surto de sarampo entre 2017 e 2018[1]
Maior aumento de casos entre 2017 e 2018  Casos de sarampo em 2018 em países onde 
não havia casos em 2017
1. Ucrânia: 30.338 1. Brasil: 10.262
2. Filipinas: 13.192 2. Moldávia: 312
3. Brasil: 10.262 3. Montenegro: 203
4. Iêmen: 6.641 4. Colômbia: 188
5. Venezuela: 4.916 5. Timor-Leste: 59
6. Sérvia: 4.355 6. Peru: 38
7. Madagascar: 4.307 7. Chile: 23
8. Sudão: 3.496 8. Uzbequistão: 17
9. Tailândia: 2.758  
10. França: 2.269  

Em resposta a esses surtos, o UNICEF e seus parceiros estão dando apoio aos governos para alcançar, com urgência, milhões de crianças em todo o mundo. Por exemplo:

  • Na Ucrânia, o UNICEF vem apoiando o governo para acelerar a rotina de imunização em todo o país e combater a hesitação da população com relação à vacina, incluindo um esforço extra para reverter o recente surto, que matou 30 pessoas desde 2017. Em fevereiro, o Ministério da Saúde, com o apoio do UNICEF, lançou uma estratégia de imunização em escolas e clínicas na região de Lviv, na Ucrânia ocidental, onde o receio em relação à imunização e a escassez no fornecimento de vacinas resultaram em baixas taxas de vacinação.
  • Nas Filipinas, o governo, com o apoio do UNICEF e seus parceiros, vai realizar uma campanha para vacinar 9 milhões de crianças contra sarampo e pólio em 17 regiões. Usando mídias sociais, os ativistas da campanha planejam encorajar pais que têm receio de vacinar os filhos e trabalhadores de saúde.
  • No Brasil, de agosto a setembro de 2018, o governo realizou uma campanha contra pólio e sarampo alcançando mais de 11 milhões de crianças com menos de 5 anos (97,89% de cobertura). O UNICEF encorajou as pessoas de todo o País a se vacinar e capacitou monitores que trabalham em abrigos para migrantes venezuelanos em Roraima para promover a vacinação entre as famílias. O UNICEF também incluiu a vacinação contra o sarampo como parte da estratégia Selo UNICEF, que alcança 1.924 municípios no Semiárido e na Amazônia.
  • No Iêmen, onde anos de conflito levaram ao surto de sarampo, autoridades locais, com o apoio do UNICEF, da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Aliança Global para Vacinas e Imunização (Gavi), imunizaram mais de 11,5 milhões de crianças em fevereiro.
  • Em Madagascar, de 3 de setembro de 2018 a 21 de fevereiro 2019, 76.871 pessoas foram infectadas pelo sarampo e 928 morreram, a maioria crianças. Em janeiro, o governo, com a ajuda do UNICEF, lançou uma campanha de imunização voltada a 114 distritos. Mais de 2,1 milhões de crianças foram imunizadas em 25 distritos. Em fevereiro, 1,4 milhão de crianças foram vacinadas, e há 3,9 milhões a ser vacinadas em março.

Infraestrutura precária de saúde, conflitos civis, baixa conscientização da comunidade, complacência e hesitação com as vacinas levaram a vários surtos em países desenvolvidos e em desenvolvimento. Nos Estados Unidos, por exemplo, o número de casos de sarampo aumentou seis vezes entre 2017 e 2018, chegando a 791 casos. Mais recentemente, os EUA viram surtos em Nova Iorque e no Estado de Washington.

“Quase todos esses casos são evitáveis e, no entanto, as crianças estão se infectando, mesmo em lugares onde simplesmente não há desculpa”, afirma Fore. “O sarampo é a doença, mas, na maioria das vezes, o verdadeiro problema é a desinformação, junto com a falta de confiança e a complacência. Precisamos fazer mais para informar todos os pais de forma consistente, para que nos ajudem a vacinar com segurança todas as crianças”.

Para combater o sarampo, o UNICEF lança um apelo urgente a governos, profissionais de saúde e famílias para que façam mais para conter a doença, e recomenda:

  • Entender que as vacinas são opções seguras e eficientes, que podem salvar a vida da criança.
  • Vacinar todas as crianças de 6 meses a 5 anos durante os surtos.
  • Capacitar e equipar os profissionais de saúde para que possam prover serviços de qualidade.
  • Fortalecer os programas de imunização para fornecer todas as vacinas que salvam vidas.

[1] Nota: A análise é baseada nos dados de sarampo e rubéola da OMS para 194 países nos anos de 2017 e 2018. Para saber mais, clique aqui.

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Nota para editores

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