Fotos na migração: adolescentes revelam olhar em exposição

Exposição virtual “Explorando um novo lar” mostra fotografias tiradas por adolescentes venezuelanos e brasileiros em Roraima, o estado mais afetado pela crise na Venezuela

UNICEF Brasil
Um menino venezuelano sorri para a foto no abrigo Rondon 1 em Boa Vista, Roraima
Roilymar Vegas
01 outubro 2021

“A fotografia é uma coisa linda porque permite conhecer mais as pessoas”. É assim que o adolescente venezuelano Lisandro Parabacuto, de 12 anos, resume o sentimento quando vê a sua foto que está entre 50 imagens que compõem a exposição virtual “Explorando um novo lar”, lançada pelo UNICEF em parceria com o Instituto Pirilampos.

A mostra é fruto de uma oficina realizada ao longo de 2021 com grupos de adolescentes refugiados e migrantes da Venezuela que vivem em abrigos e de estudantes de escolas públicas de Boa Vista, Roraima – o estado brasileiro mais afetado pela crise política e social no país vizinho. Juntos, eles compõem a Rede de Jovens Comunicadores (saiba mais ao final).

O UNICEF atua para criar oportunidades de integração entre adolescentes brasileiros e venezuelanos como forma de promover a coesão social e combater a xenofobia. Confira abaixo algumas dessas imagens acompanhadas de depoimentos. A exposição completa pode ser conferida neste site especial.

Uma mulher venezuelana do abrigo Pricumã olha seriamente para a foto
Jhonsleib Guzman

“Quando tirei minha primeira foto, fiquei feliz em ver a emoção naquilo que eu estava observando, como a câmera, os planos... Fiquei impressionada com a expressão da pessoa que eu estava fotografando. Era uma senhora, e dava para ver o jeito dela de ser”

Jhonsleib Guzman, 13 anos (Abrigo Pricumã)
Menino Nené, irmão do fotógrafo
Julio Cesar Bastardo

"Tirei uma foto do Nené (irmão do autor). Essa foi a foto da qual mais gostei. Gosto de fotografar os sorrisos das pessoas. Eu posso ser fotógrafo no futuro, o mundo dá muitas voltas. A fotografia é muito interessante. Tudo ao nosso redor é belo, se podem fazer fotografias de tudo e quando se olha bem, é belo”

Julio Cesar Bastardo, 14 anos (Abrigo 13 de Setembro)
Um inseto em uma árvore
Christian Andrés Perdomo Urbaneja,

“A foto que mais gostei foi a que tirei de um inseto que estava no tronco de uma árvore. Posso dizer que adoro enquadrar a grandeza da natureza, tanto a fauna quanto a flora”

Christian Andrés Perdomo Urbaneja, 18 anos (Escola Estadual Maria das Dores Brasil)
menino sorrindo no abrigo Pintolândia
Eudimar Ninlin

"No primeiro dia da oficina tirei uma fotografia dos meus irmãozinhos. O meu irmãozinho estava rindo, e minha irmãzinha também. Eles estavam felizes, por isso essa é a fotografia da que mais gosto"

Eudimar Ninlin, 13 anos (Abrigo Pintolândia)
Alenjandro pulando
Lisandro Parabacuto

“Gosto muito das fotos que pude fazer, principalmente a que tirei do meu amigo Alejandro, quando ele pulou e estava no ar. A fotografia é uma coisa linda porque permite conhecer mais as pessoas"

Lisandro Parabacuto, 12 anos (Abrigo Rondon 3)
menino se pendurava numa árvore em Boa Vista
Sérgio Gonzáles

A foto acima foi tirada por Sérgio Gonzáles, 13 anos, que vive no abrigo Pricumã. Ele clicou um colega enquanto este se pendurava numa árvore em Boa Vista. Vivem hoje no Brasil mais de 260 mil refugiados e migrantes da Venezuela – um em cada três é criança ou adolescente.

Imagem da turma de um abrigo com técnica de pintar com a luz (lightpainting)
UNICEF/BRZ

Fotografia colaborativa da turma do Rondon 3, abrigo onde vivem mais de 1,1 mil pessoas. A técnica de pintar com a luz (lightpainting) foi uma das que mais empolgou os adolescentes nas oficinas. “Com a luz você podia desenhar tudo o que quisesse. Toda a sua imaginação era como se houvesse um ‘boom’”, lembra o adolescente Jeremys Narvaez em vídeo.

menina pisa em uma poça de água
Rosmagli Gonzalez

Foto tirada por Rosmagli Gonzalez, 13 anos, no abrigo Pintolândia. O Pintolândia é um dos cinco abrigos em Roraima exclusivos para populações indígenas envolvidas no fluxo migratório. Estima-se que 5,5 mil indígenas venezuelanos tenham migrado ao Brasil, a maioria das etnias Warao e Pemon.

Trabalho com adolescentes comunicadores

Os adolescentes que participaram da oficina fotográfica integram a Rede de Jovens Comunicadores (RJC), um grupo ativo de 168 adolescentes que debatem, produzem e disseminam conteúdo em suas comunidades sobre temas diversos como saúde mental, fake news, xenofobia e prevenção à covid-19. Esse projeto conta com o apoio financeiro da Agência Sueca de Cooperação para o Desenvolvimento Internacional (Asdi).

A RJC faz parte da estratégia Súper Panas, que são espaços seguros para crianças e adolescentes refugiados e migrantes implementados pelo UNICEF e parceiros, como o Instituto Pirilampos.

Existem hoje mais de 25 Súper Panas em abrigos e centros de triagem de Roraima, Amazonas e Pará, onde meninos e meninas recebem apoio psicossocial e participam de atividades educativas de ensino não formal. Apenas em 2020, mais de 19 mil crianças e adolescentes foram beneficiados.