"Eu quero um futuro diferente para mim"

Cumprindo medida socioeducativa em meio aberto, Pedro*, 17 anos, recebeu o apoio necessário para voltar à escola e hoje quer um emprego e uma vida melhor.

UNICEF Brasil
adolescente de costas, para proteger sua identidade
UNICEF/BRZ/Luiz Marques

30 outubro 2017

"Se eu não viesse para cá, estaria no mundo das drogas de novo. Fiz uma besteira que me trouxe para cá. E isso mudou a minha vida.

Eu era muito querido na minha família. Ninguém imaginava que eu mexeria com esse negócio de vender droga. Meus pais sempre confiaram em mim, eu era um menino que não dava trabalho. Meus tios também gostavam muito de mim e nunca imaginaram o que aconteceria.

Mas eu via todo mundo com dinheiro e não conseguia arrumar um emprego. Aí comecei a andar com más companhias. Saía de casa com a farda da escola, fugia e ia para a praia ou para um igarapé. Minha mãe me pagava todos os cursos, mas eu não ia. Comecei a sair à noite, a usar droga e ganhar dinheiro com elas. Cai nesse mundo. E isso acabou com a minha vida. Essa vida só leva você à morte ou a terminar atrás das grades.

Até que um dia a polícia me pegou e eu vim parar aqui no Creas [Centro de Referência Especializada de Assistência Social]. Fui sentenciado a uma medida socioeducativa em meio aberto. E minha vida começou a mudar.

Quando cheguei, começaram a conversar comigo, passei a frequentar cursos e eu comecei a refletir. Isso foi mexendo comigo. Voltei para a escola e comecei a levar os estudos a sério. Há uma pedagoga que me acompanha no Creas, conversa comigo, pergunta como eu estou indo na escola e vê minha frequência. Eu falo para ela que eu estou mudando pouco a pouco. E isso é muito legal.

Hoje, curso o 1º ano do ensino médio, quero continuar a estudar e trabalhar. Fiz um curso aqui no Creas, está ali meu certificado. Estou só esperando para arrumar um emprego de jovem aprendiz. Já preenchi os pré-requisitos que o Creas colocou e estou indo atrás.

Minha medida socioeducativa vai acabar logo, mas eu quero continuar estudando, fazendo mais cursos e tendo apoio de pessoas como a pedagoga aqui do Creas. Eu aprendi muito aqui. Se não fosse essa chance, não teria mudado. Mas hoje eu sou diferente.

A minha mãe está sempre do meu lado, ela é quem mais me ajuda. Quando eu fui pego, fiquei com vergonha da minha família. Agora, eles estão confiando em mim de novo porque veem que eu estou mudando. Eu não vou cair novamente. Aquilo não era vida, não. E quero outro futuro para mim."

Pedro*, 17 anos, cumpre medida socioeducativa em meio aberto no município de Santarém (PA).

Sobre o Selo UNICEF
O município de Santarém está inscrito na edição 2017-2020 do Selo UNICEF, iniciativa do UNICEF voltada a estimular os municípios a implementar políticas públicas para reduzir as desigualdades e garantir os direitos de meninas e meninos previstos na Convenção sobre os Direitos da Criança e no Estatuto da Criança e do Adolescente. Nesta edição, o Selo UNICEF conta com 1.924 municípios inscritos na Amazônia Legal brasileira e no Semiárido, territórios que concentram o maior número de meninos e meninas em situação de vulnerabilidade do País.

Entre as ações que os municípios inscritos no Selo devem priorizar, está a oferta de atendimento socioeducativo em meio aberto de acordo com parâmetros do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase) e do Sistema Único de Assistência Social (Suas), por meio da implementação de um fluxo integrado entre todas as políticas públicas, em especial saúde, assistência social e educação, e o sistema de justiça.

*O nome do adolescente foi alterado para preservar sua identidade.

Santarém, outubro de 2017.