ACREDITE! VOCÊ TEM O PODER DA MUDANÇA.
Click to close the emergency alert banner.

“Eu não só fui, eu ainda sou esse jovem”: a trajetória de Patrick

Após mais de uma década de mobilização com adolescentes e jovens, Patrick ajuda hoje a planejar e acompanhar políticas para as juventudes do Rio.

UNICEF
homem de barba vestindo camisa cinza sorri para foto com um anfiteatro ao fundo
UNICEF/BR
17 agosto 2026

Aos 24 anos, Patrick Pereira é coordenador de Informações e Monitoramento da Secretaria Especial da Juventude Carioca, a JUV-Rio. Antes de trabalhar com planejamento, indicadores e metas, ele era um adolescente que atravessava a cidade para participar de espaços de defesa dos direitos das crianças e juventudes.

A participação social entrou cedo em sua vida. Aos 11 anos, ainda no ensino fundamental, Patrick ajudou a fundar um grêmio estudantil. Também integrou o Conselho Escola-Comunidade (CEC) e, mais tarde, aproximou-se ainda mais do movimento estudantil e das pautas relacionadas aos direitos de crianças e adolescentes. 

“Eu sempre fui muito ligado à mobilização. Sempre tive alguma chama de ativismo”

Morador de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, Patrick percorria mais de 60 quilômetros para participar de atividades no Centro da cidade. Em 2018, durante uma série de encontros de incidência jovem, Patrick falou sobre o que o motivava:

“Saí de casa 5h40 da manhã para chegar aqui no Centro do Rio. Peguei trem, metrô, ônibus e depois andei mais um pouquinho. Hoje me sinto representando os adolescentes dos subúrbios e periferias do Rio, aqueles que muitos nem sabem que podem e têm direito a participar.”

Da participação no território aos espaços nacionais

O primeiro contato de Patrick com o UNICEF aconteceu por meio do RAP da Saúde, a Rede de Adolescentes e Jovens Promotores da Saúde. A iniciativa da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro forma adolescentes e jovens para atuarem em seus territórios em temas como promoção da saúde, prevenção das violências, direitos humanos e cidadania.

Foi a partir dessa experiência que Patrick chegou à Plataforma dos Centros Urbanos (PCU), iniciativa do UNICEF voltada à promoção dos direitos de crianças e adolescentes nas grandes cidades. O RAP da Saúde mantinha uma relação próxima com a PCU e, por meio da parceria entre o UNICEF e a Prefeitura do Rio de Janeiro, adolescentes que integravam a rede passaram a participar das atividades da iniciativa. Patrick estava entre eles.

Essa aproximação deu início à trajetória de Patrick em espaços de participação ligados ao UNICEF. Realizada entre 2008 e 2020, a Plataforma dos Centros Urbanos posteriormente deu lugar à Agenda Cidade UNICEF.

Uma das primeiras experiências de Patrick com o UNICEF aconteceu em 2017, no Kids Takeover, chamado no Brasil de Crianças no Controle. No contexto do Dia Mundial da Infância, Patrick assumiu simbolicamente, por um dia, uma função no Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

Nos anos seguintes, ele participou da iniciativa do UNICEF chamada Chama na Solução, metodologia de cocriação na qual adolescentes identificam problemas de seus territórios e desenvolvem respostas possíveis. A participação de Patrick começou no Rio de Janeiro e depois foi ampliada para outras partes do país, chegando a cidades como Manaus, Boa Vista e Recife.

Em novembro de 2018, aos 17 anos, Patrick representou adolescentes brasileiros no encontro “Na Rota da Igualdade”, realizado pelo UNICEF e pela CEPAL, em Santiago, no Chile. Durante o evento, levou para um espaço internacional as discussões desenvolvidas no Rio sobre prevenção e enfrentamento dos homicídios de crianças e adolescentes e conheceu iniciativas construídas por jovens de diferentes países da América Latina e do Caribe. A primeira viagem internacional tornou-se uma das experiências mais marcantes de sua vida.

Patrick também participou da mobilização que levou à criação do Conselho Consultivo de Adolescentes e Jovens do UNICEF. Primeiro como jovem conselheiro e, posteriormente, apoiando o próprio grupo, como consultor, ajudou a fortalecer a participação de outros adolescentes.

Para ele, participar não pode significar apenas ser convidado para falar. As contribuições dos adolescentes precisam ser consideradas na construção das decisões.

“Para a participação ser realmente efetiva, a gente precisa não só escutar o adolescente, o jovem, mas escutar de igual para igual. A opinião não tem que ser só escutada, ela tem que ser levada em consideração”

jovem fala ao microfone sentado em uma cadeira
Arquivo

Sua trajetória passou da mobilização territorial em Guaratiba para espaços municipais, nacionais e internacionais. Ao mesmo tempo que essas iniciativas contribuíram para sua formação, Patrick também colaborou para construí-las e ampliá-las.

O enfrentamento à violência armada

A agenda de prevenção das violências sempre esteve no centro da atuação de Patrick. No contexto da Plataforma dos Centros Urbanos, ele participou da construção do Comitê para Prevenção e Enfrentamento dos Homicídios de Crianças e Adolescentes no Rio de Janeiro. Entre os avanços associados a essa mobilização está a Lei Ágatha, que estabelece prioridade para a investigação de crimes nos quais crianças e adolescentes sejam vítimas.

“Acho que, quando a gente está falando de crianças e adolescentes se desenvolvendo de maneira plena e feliz, não consegue alcançar nada disso se não garante o direito à vida dessas crianças e adolescentes.” 

A pauta também fazia parte de sua experiência pessoal. Patrick acompanhava pelos noticiários as mortes de crianças e adolescentes e convivia com jovens que não conseguiam comparecer a reuniões, atividades e espaços de participação por causa de conflitos armados e de caminhos interrompidos pela violência.

“Quando uma criança ou um adolescente perde a vida, acho que toda a sociedade perde um pouco”

Com o tempo, a discussão sobre prevenção passou a incluir também a promoção de direitos e de oportunidades. Para Patrick, afastar adolescentes de contextos de violência exige garantir acesso à educação, à formação profissional, à convivência comunitária e a espaços seguros de participação.

Ele contribuiu para a construção do 1MiO - Um Milhão de Oportunidades, iniciativa do UNICEF que articula empresas, governos e organizações para ampliar o acesso de adolescentes e jovens à formação e ao mundo do trabalho.

No lançamento do 1MiO, destacou:

“Com uma oportunidade, um jovem da favela pode mudar sua comunidade. Com um milhão de oportunidades, jovens potentes podem transformar o Brasil.”

Patrick também participou da construção da Agenda Cidade UNICEF, iniciativa do UNICEF para prevenção e resposta às violências nos grandes centros urbanos.

A transição para a vida adulta

Depois de passar tantos anos em espaços de participação juvenil, Patrick viveu uma etapa que considera pouco discutida: o momento em que o adolescente se torna adulto e deixa de ocupar os mesmos projetos, grupos e conselhos.

Para ele, os espaços de participação precisam pensar não apenas na contribuição dos adolescentes para as iniciativas, mas também nos efeitos dessas experiências sobre a vida de cada participante.

“A gente precisa pensar em apoio para a saúde mental desse adolescente e em apoiar a construção de projetos de vida para adolescentes que participam”

Patrick reconhece que a participação o ajudou a compreender o que desejava fazer profissionalmente. Ao mesmo tempo, lembra que, ainda muito jovem, precisou lidar com temas sensíveis, como homicídios, violência armada e violações de direitos.

Após anos dedicados à mobilização, decidiu desacelerar para se preparar para o vestibular. A trajetória influenciou sua escolha pela graduação em Direito e, hoje, Patrick estuda na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), instituição onde sempre sonhou estudar.

Mesmo durante esse período, continuou envolvido com as pautas das juventudes. Participou do Pacto pela Juventude, parceria entre a Prefeitura do Rio e a UNESCO voltada à formação de jovens lideranças.

Ao fim do projeto, foi convidado para trabalhar na Secretaria Especial da Juventude Carioca. Entrou como assistente administrativo, passou pelos cargos de gerente de projetos e gerente administrativo e, atualmente, é coordenador de Informações e Monitoramento.

homem de cabelo preso com camiseta gebe olha para o lado esquerdo
Arquivo

Mudança de cadeira

Quase dez anos depois de seu primeiro contato com o UNICEF,  atualmente Patrick integra o Comitê Gestor da Agenda Cidade UNICEF, representando a JUVRio e a Prefeitura do Rio.

Antes, participava dos encontros para levar as demandas de adolescentes e cobrar respostas dos gestores públicos. Hoje, trabalha diretamente com a implementação de políticas voltadas para esse público.

“Quando a gente está pensando em uma política pública, lá no meu trabalho, onde eu estou atuando, eu sei exatamente do que aquele jovem precisa, o que ele vai topar e o que ele não vai topar. Porque eu não só fui: eu ainda sou esse jovem.”

A mudança de cadeira não representou um afastamento de sua trajetória. A experiência vivida como adolescente de Guaratiba, que atravessava a cidade para ter o direito de participar, tornou-se parte da forma como Patrick pensa a gestão pública.

“É muito gratificante pensar que parte da minha contribuição, hoje está virando política pública. Saber que há jovens que estão se qualificando com ideias que eu pensei junto com colegas no meu trabalho é muito enriquecedor para mim.”

Agora, Patrick ajuda a construir políticas para adolescentes e jovens que enfrentam desafios semelhantes aos que marcaram o início de sua própria história.

Para ações de mobilidade segura, participação de adolescentes e jovens no Rio de Janeiro e a Agenda Cidade UNICEF, contamos com o apoio da Fundação Abertis e com a colaboração de sua filial no Brasil, a Arteris.