Adolescentes do Rio criam propostas e apontam responsabilidades para o estado e próximo governo
Participantes do Núcleo de Cidadania de Adolescentes (NUCA-RJ) reforçam que as vozes das juventudes precisam ser ouvidas
Entre os meses de agosto e setembro, o escritório do UNICEF no Rio de Janeiro promoveu uma série de encontros com adolescentes e jovens, buscando compreender o que eles e elas almejam, sonham e reivindicam para si, para os territórios onde vivem e para o estado do Rio de Janeiro. Chamados de Diálogos com Adolescentes e Jovens, os encontros deram vida ao Núcleo de Cidadania de Adolescentes (NUCA-RJ), espaço de participação e mobilização juvenil apoiado pela Agenda Cidade UNICEF.
O grupo reúne 23 adolescentes e jovens, com idades entre 15 e 21 anos, de diferentes regiões da cidade do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense, com experiências e demandas diversas.
UNICEF/BRZ/João Henrique Santiago
“Foi uma das experiências mais importantes da minha vida. Conheci o Rio de Janeiro por óticas diferentes, e isso me fez ver muito além dos meus próprios horizontes”, contou Jean Lúcio, um dos participantes.
Em um ano de eleições, no qual a população brasileira escolherá representantes nacionais e estaduais dos poderes Executivo e Legislativo, o UNICEF tem convocado as candidaturas a assumirem compromissos concretos pela garantia dos direitos de crianças e adolescentes.
“Para o UNICEF, adolescentes e jovens têm o direito à participação cidadã. Garantir espaços de escuta, diálogo e incidência é essencial para fortalecer a democracia e promover mudanças reais com políticas públicas que impactam suas vidas”, disse Joana Fontoura, Oficial de Desenvolvimento e Participação de Adolescentes do UNICEF e a responsável pelo NUCA Rio de Janeiro.
Ao longo dos encontros, os participantes discutiram os principais desafios que identificam em seus territórios e elaboraram seis propostas prioritárias de incidência política. Essas propostas foram consideradas, junto às contribuições de especialistas e representantes da sociedade civil, na construção dos compromissos apresentados pelo UNICEF às candidaturas ao Governo do Rio.
As seis propostas dos adolescentes são:
1. Educação Antirracista para Transformação Social
Propõe fortalecer uma educação pública comprometida com a equidade, com ações de enfrentamento ao racismo, ao machismo e a outras formas de discriminação, além da formação de professores e da ampliação da participação juvenil.
2. Juventude Viva e Territórios Seguros: Enfrentamento à Violência Armada
Defende uma política de proteção à juventude que combine prevenção das violências, segurança cidadã, atendimento psicossocial e ampliação de oportunidades de educação, cultura e esporte.
3. Saúde Mental como Direito da Juventude
Propõe ampliar e integrar a rede de atenção à saúde mental de adolescentes e jovens, fortalecendo serviços como CAPS e CAPSi, o atendimento psicológico nas escolas e ações comunitárias de prevenção e cuidado.
4. Justiça Climática e Enfrentamento ao Racismo Ambiental
Defende políticas voltadas à proteção dos territórios mais vulnerabilizados aos impactos da crise climática, incluindo prevenção de riscos, melhoria da infraestrutura urbana, educação climática e participação da juventude nas decisões ambientais.
5. Enfrentamento à Violência de Gênero e Proteção das Meninas e Jovens Mulheres
Propõe fortalecer a prevenção à violência de gênero e a rede de proteção a meninas e jovens mulheres, com educação para a igualdade de gênero, atendimento especializado e articulação entre diferentes políticas públicas.
6. Mobilidade Urbana e Direito à Cidade
Defende condições de deslocamento seguras, regulares e dignas para adolescentes e jovens, especialmente nos territórios periféricos, para que problemas no transporte e situações de violência não impeçam o acesso à educação, à cultura, ao lazer, ao trabalho e a outros direitos.
Perguntados sobre que mensagem deixariam para o próximo governador do Rio de Janeiro, os participantes também compartilharam algumas das mudanças que esperam ver nos próximos anos.
Das propostas para os territórios
Depois da elaboração das propostas, os adolescentes e jovens passaram a trabalhar também na sua disseminação em outros espaços.
Com acompanhamento do UNICEF, os adolescentes e jovens estão realizando ações de mobilização, como eventos e oficinas, aproximando as discussões construídas ao longo dos encontros das comunidades onde vivem. A ideia é que essa troca ganhe novos espaços, envolvendo outros adolescentes e jovens nas discussões sobre os desafios que fazem parte de suas realidades.
“Esperamos que essa experiência no NUCA fortaleça em cada um desses adolescentes e jovens a certeza de que suas vozes têm poder de transformar as suas realidades impactando seus pares, seus territórios, e que sigam participando e incidindo mesmo após esse período eleitoral”, destacou Joana Fontoura.
O Diálogos com Adolescentes e Jovens do UNICEF no Rio de Janeiro conta com a parceria estratégica da Fundação Abertis, com a colaboração de sua filial no Brasil, a Arteris




