A rotina de uma adolescente dedicada à promoção da saúde e ao desenvolvimento comunitário
Ana Clara Melo, adolescente de 15 anos, concilia escola, estudos e participação ativa no NUCA de Serra Talhada (PE) para promover hábitos saudáveis e informar outras meninas e meninos sobre seus direitos
O dia de Ana Clara da Silva Melo começa cedo, por volta das oito da manhã. Ela arruma o quarto, toma café e segue para as atividades do Núcleo de Cidadania de Adolescentes e Jovens (NUCA) de Serra Talhada, no sertão de Pernambuco.
“O meu dia começa por volta das 8 da manhã, daí eu organizo meu quarto, tomo meu café, me organizo e vou para o NUCA, porque as atividades lá costumam ser sempre no período da manhã”, explica. As ações seguem até perto do meio-dia. Depois disso, ela volta para casa, se organiza novamente e se prepara para mais uma parte importante de sua agenda: a frequência nas aulas do segundo ano do Ensino Médio.
Essa rotina intensa, dividida entre escola e participação ativa no grupo, reflete o compromisso de Ana Clara com sua comunidade. Aos 15 anos, ela já soma anos de envolvimento com o grupo, um interesse que nasceu cedo, quando observava o trabalho da mãe. “Meu interesse pelo NUCA começou desde muito cedo porque a minha mãe era mobilizadora. Assim que eu completei 11 anos, eu pude entrar como ouvinte e foi um novo mundo assim. Eu vivo as melhores coisas da minha vida graças ao NUCA.”
O Núcleo de Cidadania de Adolescentes e Jovens faz parte do Selo UNICEF, plataforma que apoia mais de 2.200 municípios nas regiões Norte e Nordeste na garantia de direitos de crianças e adolescentes. E, no Brasil, essa iniciativa integra também a parceria global entre UNICEF e o Programa Adolescente Saudável da AstraZeneca, que mobiliza adolescentes e jovens para fortalecer políticas locais de prevenção das doenças não transmissíveis (DNTs), como diabetes, hipertensão e obesidade.
Em Serra Talhada, Ana Clara é uma das vozes que leva esse tema ao debate público. Curiosa e apaixonada por aprender, ela reconhece a importância de falar sobre saúde, especialmente entre adolescentes. “Eu sempre gostei de pesquisar muito sobre vários temas. Então, saúde é só um dos que eu acho importantíssimo trabalhar, principalmente na adolescência. A alimentação saudável é muito importante porque, a partir do momento que você começa a pesquisar sobre as vantagens e desvantagens, é impossível você não mudar os seus hábitos.”
Ela explica que muitas DNTs poderiam ser prevenidas simplesmente com acesso à informação, algo que falta a muitos adolescentes e jovens. “A importância de falar sobre as Doenças Não Transmissíveis é justamente por elas não serem tão abordadas, principalmente no convívio jovem. Porque, como eu disse, uma pessoa informada, ela dificilmente vai se submeter à alimentação não saudável.”
É com esse propósito que ela participa da Barraca de Alimentação Saudável, uma iniciativa do NUCA apresentada em eventos da prefeitura. Além da alimentação saudável, Ana Clara e os colegas do NUCA trabalham para informar adolescentes sobre seus direitos. Muitos não sabiam, por exemplo, que podiam buscar atendimento médico sem a presença dos pais.
“Muitos adolescentes chegaram a entrar no NUCA sem ter nenhuma noção de que eles tinham direito ao serviço de saúde. Então, através do grupo, a gente conseguiu informar e acredito que a gente conseguiu salvar muita gente.”
O futuro que Ana Clara quer construir
Participar do NUCA fez Ana Clara se tornar uma adolescente com repertório, consciência e desejo de transformar. Ela viaja representando seu município, dialoga com gestores, inspira outros adolescentes e jovens e planeja continuar atuando ativamente em sua comunidade. “Participar do NUCA faz de mim uma adolescente mais informada. Me sinto muito honrada de ter esse conhecimento. Eu pretendo continuar no grupo até a última faixa etária que der. No momento eu ainda não imagino a minha vida sem o NUCA.”
Em Serra Talhada, enquanto estuda, pesquisa, organiza barracas, orienta colegas e sonha com a faculdade, Ana Clara ajuda a construir um futuro mais saudável para toda sua comunidade.
“O mundo perfeito em relação à saúde para os adolescentes, com certeza, seria informação. Quando uma pessoa é informada, ela pode englobar isso em um grupo e já faz uma grande diferença”, reafirma.