“Antes eu vivia no meu mundinho. Agora tenho um mundo e preciso estar ali para ajudar.”

Aos 18 anos, Tayná Oliveira descobriu a empatia pelo outro ao participar do projeto Viva Melhor Sabendo Jovem

UNICEF Brasil
Tayná olha e sorri para a foto. Atrás dela a cidade de São Paulo
UNICEF/BRZ/Mélanie Layet

16 maio 2019

“Eu gostei muito da maneira como você falou com a gente, porque o pessoal tem muito preconceito e você tratou a gente muito bem”. A jovem Tayná Oliveira leu essa frase numa carta que recebeu de moradores em situação de rua da região central da cidade de São Paulo, após terem sido atendidos por ela durante uma ação de rua do projeto Viva Melhor Sabendo Jovem. Uma iniciativa do UNICEF, em parceria com o Instituto Cultural Barong e o Programa Municipal de DST/Aids da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, que levou testagens de HIV, sífilis e hepatites B e C para as ruas, ao encontro de jovens mais vulneráveis da capital paulista, disponibilizando informações sobre prevenção e, em casos positivos, vinculando ao tratamento do HIV.

Ela lembra que, durante o preenchimento da ficha de atendimento, ficou muito emocionada. “Percebi ser possível entender a vida da pessoa e aprofundar a conversa, superando preconceitos e medos que muitas vezes carregamos com a gente”.

Aos 18 anos, Tayná está estudando Recursos Humanos e tem em casa uma grande influência para trilhar carreira na promoção de saúde. Foi sua irmã – gerente do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de São Mateus, na Zona Leste de São Paulo – que a motivou a se candidatar no processo de voluntariado do CTA. “Minha irmã fez Assistência Social e falou que tinha tudo a ver comigo”. A jovem, que na época tinha acabado de completar 16 anos, foi aprovada, se debruçou em cursos e logo se encantou.

Em seguida, com linguagem simples e usada pelos jovens, Tayná deixou a timidez de lado para encarar um novo desafio: fazer palestras sobre saúde para a juventude. “Minha primeira palestra foi sobre as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e higiene para jovens de 12 anos”, relembra.

Durante uma das reuniões no CTA, a ONG Barong fez uma apresentação da organização a fim de recrutar jovens para participar do Viva Melhor Sabendo Jovem. Tayná logo se prontificou a participar e iniciou as formações de comunicação interpessoal. “Antigamente eu tinha muito problema para falar em público e o curso me ajudou muito, principalmente na escola”.

Após as primeiras formações, Tayná logo passou a atuar nas ações de testagem no Centro de São Paulo. Ela gosta da oportunidade de parar para ouvir outros jovens, falar sobre a sua vida, suas relações e trocar informações sobre prevenção. Tayná acredita que esse contato mais próximo só é possível por causa da educação entre pares, de jovem para jovem.

Tayná relembra a importância desse tipo de metodologia, de levar as testagens de HIV, sífilis e hepatites B e C para o público mais vulnerável da cidade. “Para a cidade, é uma inovação. Para mim, foi uma descoberta muito grande”. Para ela, o espaço de fala sobre sexualidade com os jovens é um dos pontos altos do projeto. “Você se sente realizada, porque encontra um local onde pode falar tudo o que quiser, até mesmo expor sua vida sem ter um rótulo taxado”, destaca.

Hoje, a jovem se sente transformada e acredita que a empatia pelo próximo é fundamental. E conclui: “Eu mudei muito me colocando no lugar das mais diversas pessoas. Eu amadureci. Percebo que antes eu vivia no meu mundinho. Agora eu tenho um mundo e preciso estar ali para ajudar”.


Sobre o Viva Melhor Sabendo Jovem – O Viva Melhor Sabendo Jovem – uma parceria do UNICEF, com o Instituto Cultural Barong e o Programa Municipal de DST/Aids (PM DST/Aids), da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) de São Paulo – tem como objetivo ampliar o acesso de adolescentes e jovens entre 15 e 24 anos aos testes de HIV, sífilis e hepatites B e C, bem como a retenção ao tratamento em caso de positividade do(s) exame(s) e o acesso às informações sobre prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. Para isso, leva uma van a locais que os jovens mais frequentam, e utiliza a metodologia de educação entre pares, isto é, jovens abordando e orientando jovens. O resultado dos testes é informado em cerca de 30 minutos.