UNICEF lança Busca Ativa Vacinal para enfrentar retrocesso na imunização infantil

Parceria estratégica entre UNICEF e Pfizer, com apoio da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, visa contribuir com municípios do Norte e Nordeste para encontrar crianças com atraso vacinal ou não vacinadas, e garantir a imunização delas

07 dezembro 2022
Foto mostra três agentes de saúde levando vacinas em uma rua. Ao lado deles estão três crianças.
UNICEF/BRZ/Hugo Coutinho
Em Campina Grande, na Paraíba, agentes de saúde promovem a Busca Ativa Vacinal de crianças que ainda não estão vacinadas contra as doenças evitáveis.

Brasília, 7 de dezembro de 2022 – No Brasil, três em cada dez crianças não receberam vacinas necessárias para protegê-las de doenças potencialmente perigosas. Entre as regiões do País, o Norte e o Nordeste apresentam os indicadores mais baixos de imunização infantil. Por isso, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lança, nesta quarta-feira, a Busca Ativa Vacinal (BAV). Desenvolvida em parceria com a Pfizer e com apoio da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, a estratégia visa contribuir com os municípios dessas regiões para encontrar crianças menores de 5 anos que não foram vacinadas ou estão com a vacinação atrasada, e tomar as medidas para que elas recebam todas as doses e cresçam protegidas de doenças evitáveis.

A proposta da BAV é contribuir para que cada município trabalhe de forma intersetorial, reunindo representantes de diferentes áreas em prol da vacinação infantil. Para tanto, a BAV conta com uma plataforma digital, gratuita, para apoiar os agentes locais na identificação, no registro e no monitoramento de crianças não imunizadas; e na tomada das medidas necessárias para as atualizações de vacinação. A estratégia conta, também, com programas de capacitação online e gratuitos, voltados a agentes comunitários de saúde, a visitadores domiciliares de outras áreas e todos os atores envolvidos na imunização infantil.

“Por meio da estratégia de Busca Ativa Vacinal, o UNICEF vai trabalhar junto com os municípios, unindo áreas como saúde, educação e assistência social, em um esforço intersetorial, articulado, pela garantia do direito à saúde, protegendo crianças de doenças evitáveis”, explica Cristina Albuquerque, chefe de Saúde do UNICEF no Brasil. “Na primeira infância, crianças recebem imunização contra, pelo menos, 19 doenças. O declínio nas taxas de vacinação coloca milhões de crianças e adolescentes, no Brasil e em todo o mundo, em risco de doenças perigosas e evitáveis”, complementa Cristina.

“A equidade é um dos valores da Pfizer e se reflete em nosso trabalho focado no acesso equitativo à saúde, o que inclui a vacinação. É fato que a imunização infantil encontra resistência e as taxas de cobertura vêm sofrendo uma queda brusca, para diferentes tipos de vacina. Isso representa um risco para a população pediátrica e para a comunidade como um todo, que se torna mais vulnerável a doenças que antes estavam sob controle. Por isso, como empresa, estamos dedicados a enfrentar esse problema de diferentes formas, incluindo a parceria com o UNICEF para encontrar crianças com atraso vacinal”, comenta a diretora médica da Pfizer Brasil, Adriana Ribeiro.

No Brasil, as coberturas vacinais vêm caindo desde 2015, colocando o País em alerta para o perigo do retorno de doenças evitáveis. A cobertura da vacinação contra a poliomielite caiu de 98,3% em 2015 para 70,2% em 2021. A cobertura da primeira dose (D1) da vacina tríplice viral – que protege contra sarampo, caxumba e rubéola – caiu de 96,1% para 74,4% no mesmo período. E a cobertura da vacina pentavalente – contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e contra a bactéria haemophilus influenza tipo b – passou de 96,3% para 70,6% (DataSUS, 2021 – consultado em 28.11.2022). Para a maioria das vacinas, a cobertura vacinal deve alcançar 95% ou mais, para que todas as crianças fiquem protegidas.

Entre os dez estados com as mais baixas taxas de cobertura vacinal contra a poliomielite em 2021, nove estão nas regiões Norte e Nordeste (Amapá, 44,4%; Roraima, 50,2%; Rio de Janeiro, 54,1%; Pará, 55,8%; Maranhão, 61%; Acre, 61,5%; Bahia, 61,6%; Amazonas, 66,7%; Pernambuco, 67,3%; Paraíba, 68,8%).

O declínio das coberturas vacinais no Brasil deve-se a muitos fatores, incluindo um número crescente de crianças que vivem em ambientes de vulnerabilidade – onde o acesso à imunização é, muitas vezes, desafiador –, aumento da desinformação e desafios relacionados à covid-19, como interrupções de serviços e da cadeia de suprimentos.

Estratégia intersetorial para reverter esse cenário – Busca Ativa Vacinal
A Busca Ativa Vacinal (BAV) é voltada aos 2 mil municípios da Amazônia e do Semiárido que participam do Selo UNICEF. A partir desta semana, a plataforma já está no ar para que os municípios façam adesão à estratégia e comecem a cadastrar suas equipes. Para tanto, é necessário que cada município designe um gestor da BAV – responsável geral pela estratégia – e um coordenador operacional – responsável pela implementação, junto aos demais agentes públicos locais. A partir desta semana, também, os municípios já podem acessar o primeiro curso de educação a distância (EAD) da BAV, disponível na plataforma do Selo UNICEF.

A partir de março de 2023, a plataforma da BAV passará a contar com uma funcionalidade para registro, identificação e monitoramento dos casos de crianças não imunizadas ou com atraso vacinal, que poderá ser utilizada por cada município em seu trabalho diário. Também serão disponibilizados cursos específicos para os atores de campo.

Pilotos da Busca Ativa Vacinal
Para chegar ao desenho atual da estratégia de Busca Ativa Vacinal, o UNICEF investiu em projetos-piloto, realizados em 2022, em quatro municípios: Abaetetuba (PA), Barreirinhas (AM), Baturité (CE) e Campina Grande (PB), com parceria estratégica da Pfizer e apoio da Fundação José Luiz Egydio Setúbal.

Ao longo dos meses, o UNICEF foi testando e aprimorando a estratégia nas redes municipais de saúde desses quatro municípios, visando criar uma metodologia que pudesse ser utilizada em larga escala.

Por meio de encontros virtuais mensais e alguns encontros presenciais, foram discutidos a organização das equipes e da metodologia da estratégia no município; qual a realidade local; quais as diferentes iniciativas que já eram desenvolvidas para alcançar as coberturas vacinais ideais; o que estava funcionando bem; e as vulnerabilidades que impediam cada município de alcançar as metas preconizadas.

A cada encontro, os municípios receberam materiais atualizados, ferramentas para diagnóstico institucional e novas apresentações para sensibilizar e gerar conhecimento sobre a BAV. Além disso, foram entregues os kits-BAV, compostos de camisetas e guias da ‘Metodologia da BAV”, guias de ‘Implantação da BAV no município” e cartilhas “Análise da carteira de vacinação”. Todos esses materiais foram desenvolvidos e testados durante os pilotos e agora farão parte da estratégia maior, lançada oficialmente nesta quarta-feira.

Busca Ativa Vacinal
A Busca Ativa Vacinal –BAV é uma estratégia do UNICEF para apoiar os municípios na garantia da imunização infantil. Usa uma metodologia social e uma ferramenta tecnológica – que será disponibilizada gratuitamente para municípios –e contribui para identificar crianças menores de 5 anos com atraso vacinal ou não vacinadas; estabelecer estratégias para encaminhamento delas aos serviços de saúde e atualizações de vacinação; monitorar a cobertura vacinal; acompanhar a situação vacinal da população alvo; e identificar e responder a vulnerabilidades que levam à não vacinação. A estratégia incentiva a participação de diferentes áreas na BAV – como Educação, Saúde, Assistência Social, entre outras –, fortalecendo a rede de garantia de direitos. Para a iniciativa, o UNICEF conta com parceria estratégica da Pfizer e apoio da Fundação José Luiz Egydio Setúbal.

Contatos para a imprensa

Elisa Meirelles Reis
Oficial de Comunicação
UNICEF Brasil
Telefone: (61) 98166 1649
Luana Ribeiro Piotto
Oficial de Comunicação
UNICEF Brasil

Sobre o UNICEF
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