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Lugar de vacinar é no posto e em todo lugar

Com calendário de vacinação atrasado, Analy recebeu quatro doses na creche, em Campina Grande, e voltou para casa mais protegida

UNICEF Brasil
Foto mostra uma menina pequena sentada no chão, com as pernas cruzadas. Ela está segurando e mostrando uma caderneta de vacinação. Ela está sorrindo.
UNICEF/BRZ/Júlia Ferreira Kacowicz
26 agosto 2022

A família de Analy Souza, de 4 anos, mudou-se para a cidade de Campina Grande (PB) durante a pandemia de covid-19. Em meio às adaptações a uma nova rotina, o calendário de vacinação da menina ficou atrasado. Ela não era a única. Entre 2019 e 2021, em todo o Brasil, três em cada dez crianças deixaram de ser imunizadas contra doenças graves. Analy não foi até o posto de saúde. Mas as doses pendentes chegaram até ela por meio da creche municipal. Em um dia de aula, a menina recebeu as vacinas que faltavam e voltou para casa mais protegida.

Foto mostra duas meninas pequenas sentadas no chão, olhando para a câmera e sorrindo.
UNICEF/BRZ/Júlia Ferreira Kacowicz

A iniciativa municipal de realizar a busca ativa vacinal nas creches foi aprovada pela mãe de Analy, Wenia de Souza Silva, que elogiou a praticidade da ação. “A gente sabe que é importante vacinar, mas acaba deixando pra um outro dia, outro dia... Desse jeito, funcionou. Fiquei com pena, e até com medo, porque foram quatro furadas no mesmo dia. Mas conversaram comigo e me senti segura”, contou, acrescentando que a filha mais nova, Liz, de 1 ano e 5 meses, também atualizou as vacinas que estavam pendentes.

Com sorriso no rosto e olhos brilhantes, Analy mostra onde foram aplicadas as vacinas, apontando para os braços e pernas. “É muito importante tomar vacina para ir pra casa vacinada. Doeu, e passou. Assim, o bichinho vai embora”, disse, mostrando os comprovantes da vacinação.

A avó de Gutierre, de 3 anos, Maria Solidária da Silva também ficou mais tranquila depois que o neto recebeu as cinco doses de vacinas que estavam pendentes. “Na vida corrida, acabou ficando atrasado. É muito bom saber que ele está bem cuidado e até com as vacinas tomadas na creche”, disse.

Foto mostra uma mulher sentada em um banco num refeitório escolar. Ela está com um menino pequeno no colo. Ele segura uma caderneta de vacinação com a mão direita.
UNICEF/BRZ/Júlia Ferreira Kacowicz

Para garantir mais leveza ao momento da vacinação, as creches têm desenvolvido um reforço nas atividades lúdicas e brincadeiras de forma paralela à vacinação. A enfermeira Micheline Pires, que atua na coordenação do Programa Saúde na Escola pela Secretaria Municipal de Educação, ressalta que a ação foi motivada pela observação da queda vacinal. “Ouvimos muitos relatos de dificuldade para o transporte até os postos de saúde, falta de recursos e, com a pandemia, isso se agravou. A aceitação desse serviço nas creches tem sido muito boa”, reforça.

A ação começou pelos Centros de Referência em Assistência Social (Cras) e, de acordo com a coordenadora de Imunização Samira Luna, está percorrendo as 43 creches de Campina Grande e, na sequência, seguirá para as outras escolas que já estão recebendo a vacinação de covid-19. Ao todo, a iniciativa busca proteger 34 mil estudantes.

Busca Ativa Vacinal – O município de Campina Grande faz parte do Selo UNICEF, uma das principais iniciativas do UNICEF para garantir os direitos de meninas e meninos. Campina Grande é um dos quatro municípios em que está sendo realizado o projeto-piloto da iniciativa Busca Ativa Vacinal (BAV). Desenvolvida pelo UNICEF, com apoio de Fundação José Luiz Egydio Setúbal e outras organizações, a iniciativa visa contribuir com os municípios para encontrar crianças que não receberam a imunização de rotina, e tomar as medidas para que elas sejam imunizadas e cresçam protegidas de doenças evitáveis.

Os profissionais do município já foram apresentados à plataforma do projeto e passaram por uma primeira capacitação. “As Secretarias de Saúde e de Educação já mantinham parceria pelo Programa Saúde na Escola, mas a busca ativa vacinal foi ampliada durante a campanha de vacinação contra a covid-19 e a partir da adesão do município ao Selo UNICEF”, destaca Samira.