UNICEF apresenta análise das desigualdades na infância e adolescência em Fortaleza

Monitoramento indica que territórios mais vulneráveis apresentaram melhoras

16 dezembro 2020

Fortaleza, 16 de dezembro de 2020 – Entre 2016 e 2019, a cidade de Fortaleza apresentou uma diminuição significativa das desigualdades relacionadas à infância e à adolescência. Dos 58 bairros que contavam com as taxas mais altas de mortalidade neonatal (nos primeiros 28 dias de vida) em 2016, houve melhora em 48. Entre os 51 bairros com as piores taxas de abandono escolar no mesmo ano, 50 melhoraram nesse indicador até 2019. E, entre os 58 bairros com os maiores índices de gravidez na adolescência em 2016, houve melhorias nesse indicador em 55 deles em 2019.

Os dados fazem parte do monitoramento de indicadores que o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) realiza nas dez capitais brasileiras que participaram da Plataforma dos Centros Urbanos 2017-2020: Fortaleza, Belém, Maceió, Manaus, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo e Vitória. Os dados estão disponíveis aqui.

“Os bairros mais afetados pelas desigualdades sociais em geral têm os piores indicadores em várias dimensões, como as de mortalidade neonatal, crianças fora da escola, adolescentes grávidas e homicídios de adolescentes. São sempre os mesmos bairros e quase sempre com desafios em todos os indicadores”, diz Rui Aguiar, chefe do escritório do UNICEF em Fortaleza. “Isso mostra que priorizar políticas públicas nesses territórios é o melhor caminho para a redução das desigualdades no município”, completa.

Enfrentamento da exclusão escolar
A taxa de abandono escolar no ensino fundamental na rede pública caiu em Fortaleza de 2,76%, em 2016, para 0,50%, em 2019. Se essa taxa tivesse se mantido inalterada, pelo menos 3.500 estudantes a mais teriam abandonado a escola nesse período. Além disso, 15 mil estudantes a menos tinham atraso escolar de dois anos ou mais em 2019 em relação a 2016. Isso representa uma melhora de 26% nos dados médios da cidade. Outro avanço foi em relação à cobertura da pré-escola para crianças de 4 e 5 anos, que aumentou 5% entre 2016 e 2019.

Promoção dos direitos da primeira infância
Entre os 48 bairros que apresentaram queda nos índices de mortalidade neonatal estão os quatro que tinham os piores indicadores nesse tema: Em Barra do Ceará, a taxa passou de 10,46 mortes por 1.000 nascidos vivos para 7,80; em Bom Jardim, foi de 8,14 para 1,94; em Pici, de 23,31 para 9,43; e, em Vicente Pinzon, a redução foi de 12,38 para 4,12 para cada grupo de 1.000 nascidos vivos.

Gravidez na adolescência
Dos 58 que tinham os maiores índices de gravidez na adolescência em 2016, 55 tiveram melhoras em 2019. Se esses índices tivessem se mantidos os mesmos, seriam 1.000 meninas a mais, entre 10 e 19 anos, engravidando em 2019. Vale destacar que os indicadores de gravidez na adolescência envolvem um desafio complexo, pois, entre meninas de 10 a 14 anos, há sempre presunção de violência, merecendo uma atenção específica das políticas públicas.

Redução de homicídios de adolescentes
Embora tenha havido queda no número de homicídios de adolescentes em 2019 em relação a 2016 em mais de 90% das regiões com os piores índices registrados naquele ano (dos 58 bairros da cidade, 53 tiveram melhoras em 2019), não há indícios de que a queda de homicídios esteja acontecendo em bases sustentáveis, face aos números ainda não fechados oficialmente e para 2020.

“A redução de homicídios de adolescentes é um desafio que permanece e se diversifica, quando, por exemplo, se amplia entre as meninas”, explica Rui Aguiar. “Com certeza tem havido um esforço significativo nas políticas públicas municipais e estaduais nessa direção, mas os indicadores mais recentes não parecem refletir no curto prazo o impacto dessas ações, sugerindo que os programas de prevenção de homicídios precisam ser planejados de maneira integrada para que os resultados sejam perceptíveis mais rapidamente e de maneira sustentável”.

A análise dos indicadores de Fortaleza está disponível aqui.

Sobre a Plataforma dos Centros Urbanos – Uma iniciativa do UNICEF, em cooperação com governos e parceiros, a Plataforma dos Centros Urbanos busca promover os direitos das crianças e dos adolescentes mais afetados pelas desigualdades existentes dentro de cada cidade. Em sua terceira edição, de 2017 a 2020, a iniciativa aconteceu em dez capitais brasileiras: Belém (PA), Fortaleza (CE), Maceió (AL), Manaus (AM), Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), São Luís (MA), São Paulo (SP) e Vitória (ES).

Contatos para a imprensa

Bruno Viécili
Especialista em Comunicação
UNICEF Brasil
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Sobre o UNICEF
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