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Juventude indígena debate proteção dos territórios, direitos e autonomia econômica em Roraima

A XI Assembleia Estadual da Juventude Indígena reuniu jovens, lideranças e instituições da ONU na Terra Indígena Raposa Serra do Sol

01 outubro 2026
 Atividade do UNICEF e OIT em Roraima
Conselho Indígena de Roraima

NORMANDIA, Roraima, 01 de outubro de 2026 – Entre os dias 20 e 24 de setembro, a XI Assembleia Estadual da Juventude Indígena de Roraima reuniu cerca de 300 jovens, lideranças indígenas e representantes de instituições na comunidade Camará, região Baixo Cotingo, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Normandia. Realizado pelo Departamento de Juventude Indígena Gabriel Ferreira, do Conselho Indígena de Roraima (CIR), o encontro teve como tema “De luto e em luta: nós resistiremos, salvando vidas e protegendo os territórios”.

A assembleia foi um espaço de escuta, diálogos, aprendizado, troca de experiências e construção coletiva. Entre os temas debatidos estiveram a proteção dos territórios, os direitos indígenas, a valorização dos saberes tradicionais, a participação política, as mudanças climáticas, a violência contra crianças, adolescentes, jovens e mulheres e a formação de novas lideranças.

“De luto e em luta, nós resistiremos, salvando vidas e protegendo os territórios. Esse tema representa a nossa luta, a luta da juventude e dos povos indígenas”, afirmou Kayzyd Dan, coordenadora do Departamento de Juventude do CIR.

Os participantes também dialogaram sobre formas de fortalecer as economias indígenas e ampliar as oportunidades para os jovens nos territórios. O debate destacou a importância da proteção territorial para a continuidade de atividades como o artesanato, a produção agrícola e o turismo conduzido pelas comunidades, além de iniciativas de apoio à produção e à autonomia econômica.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) apoiaram a realização da Assembleia no âmbito do projeto “Proteção integral e promoção dos direitos de crianças, adolescentes e jovens indígenas na Bacia Amazônica brasileira”. O projeto reúne agências das Nações Unidas para fortalecer políticas públicas voltadas a povos indígenas na Amazônia Legal, com ênfase em saúde, educação, proteção contra violências, documentação, participação social e acesso a serviços culturalmente adequados.

A OIT contribui para os diálogos da Assembleia ao apresentar aos jovens indígenas as disposições da Convenção nº 169 da OIT, sobre Povos Indígenas e Tribais, e ao destacar a importância do conhecimento dos direitos indígenas para sua defesa.

Durante a Assembleia, o diretor do Escritório da OIT para o Brasil, Vinícius Pinheiro, ressaltou que “os jovens têm esse papel fundamental de incorporar inovação, de trazer tecnologia e de trazer o nível de acesso à educação, mas combinado com o reforço da tradição. Trata-se de utilizar esses instrumentos para reforçar as tradições indígenas. A OIT, por intermédio da Convenção nº 169, representa uma forma de proteção dos territórios e dos interesses indígenas. Por isso, nós estamos aqui apoiando essa iniciativa”.

A Convenção nº 169 é o único tratado internacional aberto a ratificações que se ocupa exclusivamente dos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Ela se fundamenta no respeito às culturas e formas de vida dos povos indígenas e comunidades tradicionais e reconhece seus direitos sobre as terras e os recursos naturais, assim como o seu direito de decidir suas próprias prioridades. Por isso, os princípios fundamentais de consulta e participação constituem a pedra angular da Convenção. O Brasil ratificou essa Convenção em 2002 e tem a responsabilidade de aplicá-la em todo o território nacional.

O encarregado do Escritório da OIT para a Amazônia, Raoní Vale, destacou que o conhecimento sobre os direitos indígenas é fundamental na luta pela garantia desses direitos.

“Quero que vocês leiam o artigo 6º da Convenção nº 169 da OIT para saber mais sobre os direitos de vocês. Lá estão reconhecidos os direitos conquistados pelos guerreiros que vieram antes de nós. Por isso, reforço: conheçam e dominem os seus direitos”, afirmou Raoní.

Raoní Vale - OIT - atividade em Roraima
Conselho Indígena de Roraima

Representantes do UNICEF, da OIT, da Associação dos Povos Indígenas da Terra São Marcos (APITSM) e do CIR discutiram planos de defesa e proteção dos jovens indígenas nos territórios. A conversa abordou também temas como saúde mental, acesso à água, formação e oportunidades de trabalho, além da importância de ouvir a juventude na definição das ações voltadas às comunidades.

O especialista em assuntos indígenas da UNICEF, Ícaro Lavoisier, apresentou as ações desenvolvidas pela instituição por meio dos departamentos, incluindo a pauta da saúde mental, o acesso à água, entre outras. Ícaro explicou ainda os próximos passos da UNICEF voltados aos jovens.

“Vamos trabalhar com vocês a empregabilidade, por meio do projeto Um Milhão de Oportunidades. Na oficina, quero apresentar essa plataforma para vocês, que é gratuita, e vocês vão me dizer se os cursos e as oportunidades ofertadas estão dentro da realidade de vocês.”

Icaro Lavoisier - atividade em Roraima
Conselho Indígena de Roraima

Lideranças tradicionais, representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), além de jovens de outras regiões e estados, também participaram da Aassembleia. Entre eles, estiveram jovens do Departamento de Adolescentes e Jovens Indígenas do Rio Negro (DAJIRN) e da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), que realizaram um intercâmbio em Roraima. Também participaram Natália Mapuá, pesquisadora e ativista socioambiental; Rayhatã Pataxó, do Conselho da Juventude Indígena da Bahia (COJIBA); e jovens da Associação dos Povos Indígenas da Terra São Marcos (APITSM).

Com informações do Conselho Indígena de Roraima 

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