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Declaração do UNICEF sobre feminicídio da adolescente Ana Kévile Nogueira Batista, em Deputado Irapuan Pinheiro, CE, em 25 de abril

28 abril 2026

O UNICEF manifesta profunda indignação com mais um feminicídio no Brasil, agora vitimando a adolescente Ana Kévile, de 17 anos, moradora de Deputado Irapuan Pinheiro, no Ceará.

Ana Kévile foi morta após recusar o assédio de um homem. Sua morte não foi um acidente nem um crime isolado. É a expressão mais brutal da misoginia estrutural que permeia a sociedade brasileira, alimentando a violência de gênero e a cultura de impunidade. O feminicídio de Ana Kévile é um lembrete doloroso de que a violência contra meninas e mulheres não é um problema delas, mas um problema de toda a sociedade, que exige respostas urgentes e coordenadas. 

A morte da adolescente é a expressão mais extrema de uma cultura que pune meninas por dizer não. É mais uma vida interrompida, de uma menina que vinha inspirando outras crianças e adolescentes, e lutando por seus direitos. 

Ela foi mais uma vítima de feminicídio, crime que mata quatro mulheres por dia no Brasil, quase 1.500 por ano, segundo dados referentes a 2025 (janeiro a novembro) do Ministério da Justiça e Segurança Pública. 

O Brasil vive uma epidemia de violência de gênero. Isso não pode ser naturalizado. Estudos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) apontam para um aumento generalizado em casos de violências contra mulheres, desde perseguições, violência física e incluindo, também, feminicídios. 

Neste caso, a vítima era uma adolescente. Em tantos outros, a violência afetou e afeta, direta e indiretamente, a vida das famílias das vítimas. E a dor é insuportável. 

Ana Kévile conhecia seus direitos. Participava de um espaço de formação cidadã há seis anos, o núcleo de cidadania de adolescentes (NUCA) do município, estratégia que integra o Selo UNICEF para garantir o direito de meninas e meninos à participação cidadã e ajudar a que possam conhecer e reivindicar seus direitos, enfrentar vulnerabilidades e superar desigualdades que afetam a sua vida. 

Isso não foi suficiente para protegê-la, porque prevenção da violência de gênero não depende apenas da menina que sabe dizer não, mas de uma sociedade que ensina meninos e homens a respeitar esse não. É preciso desenvolver e aprovar uma política nacional de prevenção da violência contra adolescentes, com governança estabelecida, orçamentada e de longo prazo. Essa política deve reunir e conectar programas já existentes, adotando um olhar de gênero, antirracista, intencional e intersetorial. E investindo, de forma sistemática, na formação de meninos e homens para relações baseadas no respeito e no cuidado.

O que diz a Lei:

Em outubro de 2025, foi sancionada a Lei nº 14.994/2024, agravando a pena para feminicídio e outros crimes contra a mulher e tornando feminicídio um “crime autônomo” (ou seja, deixou de ser apenas um “tipo” de homicídio e passou a ser considerado um crime por si só). No caso de feminicídio contra adolescentes de 15 a 17 anos, o Código Penal também prevê aumento da pena.

Além disso, o Brasil lançou, em 4 de fevereiro de 2026, o Pacto Nacional contra o feminicídio, unindo os três Poderes, para enfrentar todo tipo de violências contra mulheres e meninas.

O que mais precisa ser feito: 

É preciso desenvolver e aprovar uma política nacional de prevenção de violências contra adolescentes com governança estabelecida, orçamentada e com alcance de longo prazo. Essa política deve ser desdobrada em estratégias estaduais e municipais, e reunir/conectar programas e ações já existentes com foco na prevenção de violências contra adolescentes, agregando-as e adotando um olhar de gênero, antirracista, intencional e intersetorial. 

Cada feminicídio de uma adolescente revela que chegamos tarde demais. É preciso agir antes, investindo de forma consistente na prevenção da violência, na educação para a igualdade de gênero e na proteção integral de meninas e adolescentes. O UNICEF reforça que nenhuma mulher, nenhuma menina, deve morrer para que medidas sejam tomadas.

Neste momento de dor, o UNICEF se solidariza com a família de Ana Kévile, seus amigos, amigas, colegas e toda a comunidade local. E trabalha que providências sejam tomadas para que o País não perca mais nenhuma adolescente para a violência e o machismo. 

Contatos para a imprensa

Aline Tavares
Oficial de Comunicação - Media Relations
Telefone: 61 998180250
Bruno Viécili
Especialista em Comunicação
UNICEF Brasil
Telefone: (71) 3183 5700
Telefone: (71) 99199 0913

Sobre o UNICEF

O UNICEF, Fundo das Nações Unidas para a Infância, trabalha para proteger os direitos de cada criança e adolescente, em todos os lugares, especialmente os mais vulneráveis, nos locais mais remotos. Em mais de 190 países e territórios, fazemos o que for preciso para ajudar crianças e adolescentes a sobreviver, prosperar e alcançar seu pleno potencial. Em 2025, o UNICEF comemora 75 anos no Brasil.

O trabalho do UNICEF é financiado inteiramente por contribuições voluntárias.

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