Um movimento pela saúde das meninas.
Com o lançamento da campanha contra o cancro do colo do útero Angola dá um passo histórico pela saúde das meninas.
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Luanda, 16 de Outubro de 2025 - Lélia Bartolomeu tem 12 anos, representa as meninas da sua idade num evento de alto nível. Serena, com sorriso no rosto, encara a tarefa com elevada responsabilidade, pois leva a mensagem das meninas da sua idade para os decisores políticos, quer ter a certeza de que é ouvida. Na audiência, a Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, cinco Ministros, Secretários de Estado, vários parceiros sociais, membros do corpo diplomático acreditado em Angola e representantes de Agências das Nações Unidas.
Lélia falava no acto de lançamento da campanha de comunicação e mobilização para a vacinação contra o cancro do colo do útero, lançada pelo Governo de Angola, dois dias após o mundo celebrar o dia da menina.
O Governo de Angola prevê vacinar mais de 1,9 milhões de meninas dos 9 aos 12 anos de idade contra o cancro do colo do útero, um dos tipos de cancro mais comuns que afectam as mulheres em todo o mundo.
Segundo as estatísticas da OMS, as mulheres africanas são desproporcionalmente afectadas, com cinco vezes mais chances de apanharem a doença e sete vezes mais chances de morrerem pela doença em comparação com mulheres de países desenvolvidos.
Angola dá um passo histórico pela saúde das meninas.
Com o lançamento da campanha contra o cancro do colo do útero Angola dá um passo histórico pela saúde das meninas e começa um movimento que tem a primeira-dama da República de Angola, Ana Dias Lourenço, como embaixadora e tem as Ministras da Saúde e da Educação como rostos da campanha.
As estatísticas do Instituto Angolano de Controlo do Cancro (IACC) mostram que o cancro do colo do útero tem ocupado, consequentemente, o primeiro ou segundo lugar, entre os tumores malignos diagnosticados nos últimos cinco anos.
Em 2022, foram tratados 285 casos de cancro do colo do útero no IACC, o que corresponde a 17% de todos os cancros tratados, tornando-se o segundo tumor mais frequente. Em 2023, foram diagnosticados 235 casos.
Durante o lançamento da campanha, a Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, destaca a importância que “a vacinação contra o cancro do colo do útero é uma dessas chaves para o futuro. Um futuro onde as nossas meninas cresçam saudáveis, as nossas famílias prosperem e o nosso país se fortaleça. Por isso, esta campanha também é um investimento para o futuro de Angola”.
A vacinação gratuita contra o cancro do colo do útero, destinada a meninas dos 9 aos 12 anos, terá início no dia 27 de outubro e decorrerá até 7 de novembro, numa primeira fase em escolas e unidades sanitárias.
Luísa Grilo, Ministra da Educação, salientou que, “uma vez que as escolas serão os principais locais de vacinação, os professores terão igualmente a responsabilidade de apoiar o processo de registo das meninas vacinadas, em estreita coordenação com as equipas de saúde, para garantir o controlo e a eficácia da campanha em todas as escolas abrangidas”.
A Ministra apelou o envolvimento dos directores, professores e técnicos de educação, em colaboração activamente com os profissionais de saúde e autoridades locais, é necessário para assegurar que nenhuma menina elegível fique fora do processo, reforçou a ministra.
Acção colectiva que junta governo, parceiros e comunidades
A iniciativa é fruto da parceria entre o Governo de Angola, através dos Ministérios da Saúde e da Educação, e organizações como o UNICEF, OMS, PNUD, Gavi – The Vaccine Alliance, União Europeia, o Banco Mundial, entre outros parceiros de desenvolvimento.
Onome Dibosa-Osadolor, especialista sénior em imunização do UNICEF para a região Oriental e Austral, afirmou que “após dezasseis anos de colaboração inabalável e determinação coletiva entre sectores, Angola dá um passo ousado com a introdução da vacina contra o cancro do colo do útero ou HPV”.
A especialista acrescentou que “este marco é uma prova do que é possível alcançar através da parceria e da determinação”, salientando que o “UNICEF tem a honra de ter feito parte desta jornada e continua empenhado em apoiar Angola e todos os países parceiros na missão comum de salvar vidas e garantir que ninguém fica para trás”.
Por sua vez, o representante da OMS em Angola, Indrajit Hazarika, disse que “a Campanha Nacional de Vacinação contra o Cancro do Colo do Útero representa um compromisso firme do país com a saúde da mulher, em plena consonância com a Estratégia Global de Eliminação do Cancro do Colo do Útero e os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável.
O movimento para a vacinação das meninas para além de membros do governo prevê envolver influenciadores digitais, líderes religiosos, líderes comunitários, jornalistas e outros actores comprometidos com a saúde das meninas.
Uma nova vacina para o calendário nacional
O calendário de vacinação nacional de Angola inclui várias vacinas aplicadas em diferentes idades desde o nascimento. As doses são distribuídas desde o nascimento até os 15 meses e incluem reforços para doenças como poliomielite, sarampo, rubéola. Fazem parte deste leque de vacinas as que protegem contra a raiva e o tétano.
Com vista a reforçar o compromisso com a saúde preventiva e com as novas gerações a Primeira-Dama anunciou que, “a partir de Janeiro de 2026, a vacina contra o cancro do colo do útero passará a integrar o Plano Nacional de Vacinação de Rotina para as meninas de 9 anos”.
Para tal o governo de Angola tem investido em todo o equipamento necessário para assegurar a introdução da vacina de forma êxitosa. Destaca-se o investimento em equipamentos de cadeia de frio, capacitação dos técnicos de vacinação e gestores de cadeia de frio.
A sociedade angolana está a ser mobilizada. Profissionais de saúde, líderes locais, professores, jornalistas, influenciadores, pais e mães são chamados a se tornar protagonistas desta missão colectiva que assegura mais saúde para as meninas e futuras mulheres.