Celina Sebastião: A Voz de Quem Quer Ver Todas as crianças correr.

"Duas Gotas que previnem a poliomielite e garantem Uma Vida Inteira de Passos".

Manuel Castelo
"Duas Gotas que previnem a poliomielite e garantem Uma Vida Inteira de Passos"
UNICEF Angola/2026
22 Maio 2026

Imagine uma tarde de sol. O som de risos ecoa pela rua: crianças saltam à corda, chutam bolas improvisadas e correm como se o mundo não tivesse fim. Agora, imagine uma dessas crianças sentada à sombra, a observar tudo a partir de uma janela ou de um banco, sentindo o peso de um corpo que não acompanha o ritmo do coração.

Esta não é uma cena de ficção. Infelizmente, é a realidade vivida por muitos adultos que, devido à poliomielite, viram roubada a oportunidade de ter uma infância plena.

Muitos de nós guardamos memórias de joelhos esfolados e de brincadeiras que nos tiravam o fôlego. Celina Sebastião gostaria de poder dizer que a sua infância foi assim. Gostaria de contar que saltou à corda e jogou bola como as outras crianças. “Mas isso não é verdade”, confessa, com uma coragem que toca profundamente.

Aos dois anos de idade, uma fase de descobertas e de primeiros passos, a poliomielite cruzou o caminho de Selina. O vírus, invisível e implacável, deixou marcas irreversíveis, paralisando os seus membros inferiores.

O que se seguiu não foi apenas consultas médicas, mas também a dor emocional de crescer, a ver o mundo em movimento, enquanto ela era forçada a ficar para trás. A pólio não afectou apenas o seu corpo; tentou, dia após dia, roubar-lhe a alegria. Enfrentar o estigma e a exclusão por parte de outras crianças foi o preço injusto de uma doença que poderia ter sido evitada.

A história de Celina Sebastião não é apenas um testemunho de superação; é um alerta urgente. Ela sobreviveu, lutou e hoje empresta a sua voz a milhares de pessoas, para que nenhuma criança tenha de viver o mesmo isolamento.

A Voz de Quem Quer Ver Todas as crianças correr.
UNICEF Angola/2026

A poliomielite é uma doença grave e a sua maior tragédia é que pode ser prevenida.

Com o compromisso de manter o país livre da paralisia infantil, o Ministério da Saúde (MINSA), em colaboração com o UNICEF e outros parceiros, informa que se realiza uma nova etapa da campanha de vacinação contra a poliomielite (paralisia infantil).

A campanha sincronizada com a República Democrática do Congo, decorrerá durante três dias: sexta-feira, sábado e domingo, nos dias 22, 23 e 24 de maio.

A vacina é segura, gratuita e administrada por via oral, consistindo em apenas duas gotas.

Pais, mães e encarregados de educação: estamos a falar de apenas duas gotas. Duas gotas que protegem o brincar.
Duas gotas que preservam a liberdade de caminhar.

Para uma criança dos 0 aos 5 anos, estas duas gotas fazem toda a diferença entre uma vida com autonomia e uma vida marcada por limitações físicas e emocionais. São apenas duas gotas, mas nelas cabe a esperança de um futuro saudável.

A vacinação é a única forma eficaz de prevenir esta doença grave, que pode causar paralisia irreversível.

No ritmo exigente do dia a dia é fácil esquecer que a vacina é um dos gestos mais poderosos de protecção que podemos oferecer a quem mais amamos. Vacinar não é apenas uma responsabilidade de saúde pública: é, acima de tudo, um acto de amor.

Durante a campanha, os vacinadores irão realizar visitas porta-a-porta para alcançar todas as crianças entre os 0 e os 5 anos, independentemente do seu histórico de vacinação. Mesmo crianças com tosse ou gripe ligeira podem e devem ser vacinadas.

Por isso, nos dias 22, 23 e 24 de maio, as famílias são convidadas a abrir as portas das suas casas. Abra a porta da sua casa e permita que os vacinadores administrem as duas gotas da vacina contra a poliomielite ao seu filho.

Ao vacinar as suas crianças, as famílias reforçam o seu compromisso com a saúde e proteção de cada criança. É como se os pais estivessem a dizer: 
“Filho, eu protejo o teu futuro. Eu garanto os teus passos. Eu cuido para que nunca tenhas de observar o mundo de fora, desejando a infância que um vírus te poderia roubar.”

Celina Sebastião transformou a sua dor numa missão de consciencialização. Ela lembra-nos que a poliomielite pode ser silenciosa, mas as suas consequências ecoam ao longo de toda a vida.

Não prive o seu filho do direito de viver plenamente a sua infância.

Lembre-se: a poliomielite não tem cura, mas tem prevenção. Lembra Celina.

O gesto que faz hoje garante passos firmes e felizes amanhã.

Vacine. Proteja. Ame.