Nova formação logística quer levar vacinação mais segura as comunidades angolanas.
Técnicos nacionais e provinciais recebem capacitação intensiva para corrigir falhas na conservação de doses e elevar as taxas de cobertura vacinal no país.
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O Ministério da Saúde (MINSA), com o apoio do UNICEF e da Organização Mundial da Saúde (OMS), realizou em Luanda, de 01 a 12 de junho de 2026, uma formação intensiva em gestão da cadeia de frio e vacinas para quarenta profissionais de logística, com o objetivo de fortalecer o sistema nacional de imunização e garantir a segurança das vacinas nas comunidades.
A formação reuniu quarenta profissionais de logística, incluindo logísticos provinciais, nacionais e representantes municipais, selecionados de acordo com o seu potencial de liderança.
A capacitação integrou componentes teóricas e imersões práticas, abrangendo noções sobre normas internacionais de qualidade da OMS e gestão de temperatura, bem como visitas de campo ao depósito nacional e a unidades sanitárias. A meta principal foi estabelecer um grupo coeso de formadores capazes de replicar este modelo de formação, em cadeia, nos diversos municípios das províncias angolanas.
A sessão formativa, levada a cabo pelo Ministério da Saúde, UNICEF e OMS, terá um impacto direto e real nas comunidades angolanas, ao garantir que os serviços de vacinação cheguem à população com total segurança, eficácia e qualidade recomendadas. A capacitação dos profissionais de logística permitirá resolver problemas crónicos de conservação e gestão de stocks, utilizando tecnologias modernas como o Fridge Tag para monitorizar temperaturas e reduzir o desperdício de doses. Com a replicação deste conhecimento junto dos técnicos municipais em todo o país, o impacto final refletir-se-á na elevação das taxas de cobertura vacinal em cada município e no reforço do engajamento comunitário, incentivando os encarregados de educação a levarem os seus filhos aos postos de vacinação com maior confiança.
Para Fernando Adilson Avelino, profissional da área de logística da província da Huíla, a capacitação aborda diretamente as principais dificuldades do quotidiano, como as falhas de inventário que podem gerar ruturas de stock e interromper a vacinação regular.
"Após esta formação, estaremos capacitados para ultrapassar os problemas de gestão e conservação. Estes problemas serão resolvidos, pois passamos a ter conhecimento e instrumentos para o fazer."
O técnico de logística destaca ainda a importância da tecnologia na rotina diária de monitorização, referindo o uso de dispositivos modernos como o Fridge Tag, capaz de registar o histórico de temperatura nas câmaras de refrigeração durante 30 dias, melhorando assim o controlo.
"Estes meios vão trazer um impacto positivo, porque temos um objetivo principal, que é levar os serviços de vacinação às nossas comunidades com segurança", conclui Fernando, reforçando também a importância do engajamento comunitário para que as mães levem os seus filhos aos postos de vacinação.
Insénia Izaura, que atua na logística central de vacinas pelo Programa Nacional de Imunização da Direção Nacional de Saúde Pública, traz a perspetiva de quem opera numa área mais estratégica. Ela ressalta que, embora o nível central disponha de infraestruturas robustas — como câmaras de refrigeração e o sistema de controlo remoto de temperatura RDNT —, o grande desafio é uniformizar a qualidade em todos os níveis.
"No nível nacional, tivemos uma boa pontuação durante a avaliação. Graças a esta formação, percebemos que todos os níveis precisam trabalhar em conjunto para que a pontuação a nível nacional seja aceitável."
Insénia detalha que o plano pós-formação prevê a divisão da equipa nacional por regiões para capacitar técnicos municipais e das unidades sanitárias mais isoladas. Ela também enfatiza o valor prático do aprendizado, citando o teste de agitação para identificar vacinas danificadas pelo congelamento como uma das práticas adquiridas.
"Hoje considero-me especialista em logística, graças às formações que o UNICEF tem proporcionado, pelo que estou grata."
Steve Macheso, especialista em imunização, enquadra a formação no panorama epidemiológico do país. Segundo ele, a capacitação já estava planeada desde o início do ano, mas precisou ser adiada devido à resposta emergencial a surtos de cólera e poliomielite em todo o território nacional.
O formador alerta para falhas na cadeia de frio detetadas durante supervisões, destacando os riscos que estas representam para a qualidade e a eficácia das vacinas.
Por outro lado, demonstra otimismo com a presença de especialistas globais e locais na formação, sublinhando que esta visa desenhar um sistema logístico “à prova de falhas”, com os olhos postos no futuro.
"Estamos a realizar esta formação para fortalecer as competências dos nossos logísticos. Isso também nos ajudará a melhorar os resultados na próxima avaliação, que está prevista para 2028."
Com o encerramento das atividades práticas e teóricas em Luanda, os 40 técnicos formados terão a missão de descentralizar o conhecimento.
A expectativa do Ministério da Saúde e de parceiros como o UNICEF e a OMS é que a replicação imediata destas diretrizes resulte na diminuição do desperdício de doses de vacinas, no aumento do tempo de atividade dos equipamentos e, prioritariamente, na elevação das taxas de cobertura vacinal em cada município de Angola.