Da cadeia de frio às linhas da frente.

Garantir que as vacinas cheguem a todas as crianças com segurança e reforçar os sistemas de saúde.

Kelson Sobrinho
Da cadeia de frio às linhas da frente.
UNICEF Angola/2026
15 Maio 2026

Todas as manhãs, no município do Kilamba, nos arredores de Luanda, Mafuta Manuel inicia o seu trabalho com uma verificação simples, mas crítica: a temperatura dos equipamentos de refrigeração de vacinas. Para Manuel, técnico de logística do Ministério da Saúde de Angola, esta tarefa pode significar a diferença entre uma vacina que protege a vida de uma criança e uma que não pode ser utilizada.

Apenas dois anos após assumir o seu cargo, Manuel já é um actor central para garantir que as vacinas cheguem com segurança às crianças, especialmente àquelas que nunca receberam uma única dose de rotina.

“Sou responsável por garantir que as vacinas sejam transportadas e armazenadas à temperatura correcta, desde o armazém até à unidade sanitária”, explica. “Parece técnico, mas, no fim, trata-se de crianças.”

Antes dos recentes investimentos na cadeia de frio da imunização em Angola, Manuel enfrentava desafios diários. O transporte de vacinas por longas distâncias, o fornecimento de energia pouco fiável e ferramentas limitadas de monitorização tornavam difícil manter as temperaturas adequadas. As quebras na cadeia de frio colocavam as vacinas e as crianças em risco.

“Com equipamentos limitados, nunca podíamos ter a certeza absoluta de que as vacinas eram mantidas correctamente, sobretudo durante as actividades móveis”, recorda.

Essa realidade mudou com o apoio do UNICEF, viabilizado pelo financiamento do Governo da República da Coreia. Através deste apoio, Angola reforçou os sistemas da cadeia de frio, incluindo a introdução de equipamentos solares de refrigeração e transporte, garantindo que as vacinas permaneçam eficazes mesmo em zonas remotas e durante falhas de energia.

Manuel também recebeu formação técnica em gestão da cadeia de frio, disponibilizada pelo Ministério da Saúde com o apoio do UNICEF. Hoje, consegue monitorizar remotamente as temperaturas de armazenamento em tempo real, permitindo uma acção imediata em caso de risco.

“Este apoio tornou o nosso trabalho mais fiável e consistente”, afirma. “Agora temos confiança de que as vacinas que chegam às unidades sanitárias são seguras e eficazes.”

“Este apoio tornou o nosso trabalho mais fiável e consistente”, afirma. “Agora temos confiança de que as vacinas que chegam às unidades sanitárias são seguras e eficazes.”
UNICEF Angola/2026

O impacto destes investimentos é ainda mais visível durante campanhas de vacinação em larga escala. Durante a Campanha Nacional de Imunização, realizada de 26 a 28 de março de 2026, o país alcançou mais de 9 milhões de crianças com menos de cinco anos em apenas três dias.

No município onde Manuel trabalha, a melhoria foi evidente.

“Com os novos equipamentos e dados actualizados, as nossas campanhas tornaram-se muito mais eficazes”, explica. “Mesmo à distância, posso controlar a cadeia de frio e garantir que as vacinas são preservadas.”

Estes ganhos são especialmente importantes para as chamadas crianças “sem dose”, ou seja, aquelas que nunca receberam uma vacina de rotina. Antes da pandemia da COVID-19, quase uma em cada três crianças com menos de um ano em Angola deixava de receber pelo menos uma vacina essencial, ficando exposta a doenças evitáveis.

Perante este cenário, o Governo de Angola tomou medidas firmes para reduzir esta lacuna.

Com o apoio do UNICEF, da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Gavi, do Ksrelief e de parceiros bilaterais como a República da Coreia, Angola expandiu os serviços de imunização, reforçou a infraestrutura da cadeia de frio, melhorou os sistemas de dados de saúde e intensificou a mobilização comunitária.

Os resultados são encorajadores. Durante a campanha de vacinação contra a poliomielite, em março de 2026, muitos municípios registaram níveis de cobertura próximos ou superiores a 95%, o limiar necessário para interromper a transmissão do vírus. Este progresso reflecte não apenas melhores equipamentos, mas também coordenação, compromisso político, confiança comunitária e profissionais de saúde dedicados como Manuel.

“O sistema funciona melhor agora”, afirma. “As vacinas chegam ao último quilómetro em boas condições e as crianças são protegidas, tanto nas campanhas como na imunização de rotina.”

Da cadeia de frio às linhas da frente.
UNICEF Angola/2026

A experiência de Angola demonstra uma verdade clara: a prevenção não é um custo, mas um investimento com retorno. As vacinas continuam a ser uma das intervenções de saúde mais custo-efectivas disponíveis. Quando combinadas com sistemas sólidos de cuidados primários, dados fiáveis e envolvimento comunitário, contribuem para a resiliência face a surtos de doenças, bem como a choques económicos e climáticos.

Sustentar estes ganhos exigirá financiamento nacional contínuo, dados de qualidade e um foco deliberado nas comunidades ainda subatendidas. Os sistemas de cadeia de frio, muitas vezes invisíveis, continuarão a ser fundamentais neste esforço.

Para Manuel, fazer parte desta transformação tem sido profundamente significativo.

“Faço parte de uma equipa jovem e dinâmica”, afirma. “Estes dois anos foram muito importantes para o meu crescimento profissional. Com o apoio do Governo da Coreia, o nosso trabalho tornou-se mais eficiente, o que significa que milhares de crianças no meu município estão protegidas contra a poliomielite e outras doenças.”

Garantir que as vacinas cheguem a todas as crianças com segurança e reforçar os sistemas de saúde.
UNICEF Angola/2026

Através da parceria com o UNICEF, o investimento da República da Coreia está a ajudar Angola a garantir que as vacinas cheguem a todas as crianças com segurança, reforçando os sistemas de saúde e protegendo as comunidades para as próximas gerações.

Da tecnologia solar aos técnicos capacitados, dos sistemas de dados à entrega no último quilómetro, este apoio traduz a ciência em acção.

E, para as crianças do Kilamba e de todo o país, significa um início de vida mais saudável e um futuro mais seguro.