Angola apresenta Perfil da Criança para orientar políticas públicas baseadas em evidências.
Relatório destaca avanços importantes, mas também desafios persistentes para garantir os direitos, o desenvolvimento e o bem-estar de cada criança em Angola.
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Luanda, 23 de Junho de 2026 – O Governo de Angola através do Instituto Nacional de Estatística (INE) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), apresentou formalmente o relatório Perfil da Criança em Angola 2023–2024, um documento estatístico essencial para orientar políticas públicas e reforçar a tomada de decisão baseada em evidências.
Baseado nos dados mais recentes do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS) e do Censo Geral da População, o relatório evidencia progressos relevantes, incluindo a redução da mortalidade de menores de cinco anos e o aumento do registo de nascimento. Ao mesmo tempo, chama a atenção para desafios ainda significativos na protecção, desenvolvimento e promoção dos direitos da criança.
A cerimónia de apresentação foi presidida pela Ministra da Acção Social, Família e Promoção da Mulher, Ana Paula do Sacramento Neto, que sublinhou a importância de analisar os dados com “honestidade intelectual” e de transformar as evidências em respostas concretas para as crianças e famílias.
“O lançamento do relatório sobre o Perfil da Criança em Angola é uma fotografia que permite rever o passado, executar o presente e projectar o futuro. Os dados estatísticos trazem notícias encorajadoras, mas obrigam-nos a fazer um exercício de honestidade intelectual”, afirmou a Ministra.
A publicação, o primeiro relatório temático derivado do IIMS, ganha particular relevância num país onde crianças e adolescentes representam praticamente metade da população. Entre 2025 e 2027, estima-se que Angola tenha cerca de 18 milhões de crianças, reforçando a urgência de políticas e investimentos orientados para este grupo.
O Presidente do Conselho de Administração do INE, Joel Futi, destacou a responsabilidade da instituição na produção e gestão de dados estatísticos sobre uma população tão jovem. Segundo o responsável, a escolha do Perfil da Criança como primeiro relatório temático reflecte a necessidade de disponibilizar informação útil ao Executivo, à sociedade civil, às universidades, ao sector privado e aos parceiros internacionais.
“Estes dados estatísticos e estudos vão permitir não apenas aos membros do Executivo, mas também à sociedade, às universidades, às empresas e às organizações internacionais retirarem o máximo proveito dos números que temos estado a produzir. Estes dados são um manancial que permitirá avaliar se, de facto, estamos na direcção certa”, afirmou Joel Futi.
Em representação do UNICEF em Angola, a Representante Adjunta, Cristina Brugiolo, saudou o esforço do Executivo e reforçou a importância de uma cultura de decisão baseada em evidências.
“Sem dados, navegamos às cegas. Com dados, podemos construir políticas mais eficazes, mais equitativas e capazes de transformar vidas. Que este Perfil não seja apenas um documento de consulta, mas sim uma ferramenta viva”, afirmou Cristina Brugiolo.
O encerramento do evento coube ao Ministro do Planeamento, Vítor Hugo Guilherme, que destacou o rigor técnico do documento e apelou à utilização das estatísticas para formular políticas públicas mais eficazes e inclusivas, capazes de reduzir assimetrias regionais e responder às necessidades das crianças nas zonas urbanas e rurais.
“Hoje presenciamos um acto de grande relevância nacional, na medida em que lançamos o alicerce sólido para melhor planear, monitorizar e formular políticas públicas mais eficazes e inclusivas. Este Perfil da Criança não deve ser visto apenas como uma publicação estatística. É, acima de tudo, um compromisso com o futuro que desejamos para a nossa nação”, afirmou o Ministro.
Com a apresentação do Perfil da Criança em Angola, o país dispõe de uma ferramenta estratégica para acompanhar os progressos, identificar lacunas e orientar intervenções prioritárias em benefício da infância. O desafio passa agora por converter as evidências em acções concretas, com impacto directo nas comunidades e na vida de cada criança.