Desastres naturais, crises alimentares e doenças

Angola é um país propenso a emergências causadas por secas ou inundações, crises alimentares e surtos de doenças graves

Boy runs over well in Angola
UNICEF/Angola/2014/Vinicius Carvalho

É preciso aumentar a resiliência dos mais vulneráveis a choques e crises

País de clima variado e realidades socioculturais diversas, Angola apresenta desafios humanitários causados por desastres naturais e doenças, agravados por crises de subnutrição que afectam principalmente as crianças.

 

Secas

O fenómeno 'El Niño' tem afectado Angola, com várias províncias do país a registarem índices de pluviosidade abaixo dos 60% do normal, sobretudo no sul do país. Esta situação esteve na origem de uma seca que afectou pelo menos sete províncias e que limitou a produção agrícola e afectou gravemente os meios de subsistência de uma grande parte da população, aumentando o número de crianças subnutridas. 

A seca aumentou também a migração, em alguns casos de comunidades inteiras, o que levou a um aumento do risco de violência contra a criança, tais como os abusos sexuais, o sexo transaccional e a exploração laboral infantil, entre outros. 

As secas deixaram mais de 800 mil pessoas em insegurança alimentar. As taxas de subnutrição aguda (SAM) em crianças permanecem altas, o que contribui significativamente para a mortalidade infantil e pode causar danos permanentes ao desenvolvimento cognitivo, comprometendo o seu bem-estar e produtividade enquanto adultos.

A formação de mais técnicos e a promoção de hábitos de prevenção são também estratégias essenciais para a redução da desnutrição entre as crianças em Angola.

 

Inundações

Já durante a estação das chuvas os frágeis escoamentos e as águas paradas nas zonas urbanas e peri-urbanas levam a inundações que provocam a perda de vidas, destruição de casas e infraestruturas, perda da produção agrícola, aumentando também o risco de surtos de cólera e outras doenças transmitidas pelas águas.

As inundações afectam também o acesso às comunidades rurais, limitando a capacidade de assistência e apoio. O planeamento e implementação adequados das actividades durante a estação seca são fundamentais para mitigar qualquer efeito adverso relacionado com chuvas fortes e eventuais inundações.

 

Doenças

Os surtos de febre-amarela registam uma tendência cíclica e já chegaram a afectar, no mesmo ano, 16 das 18 províncias de Angola. Por outro lado, a malária é ainda uma das principais causas de morte das crianças e mulheres em Angola.

O que o UNICEF faz

  • O Governo de Angola conta com o apoio do UNICEF para campanhas de vacinação e tratamentos de desnutrição aguda grave. 
  • O UNICEF presta também apoio logístico a nível municipal, para garantir que os alimentos e medicamentos cheguem aos centros de saúde em tempo útil.  
  • Para doenças como pólio, sarampo e rubéola, o UNICEF esteve na primeira linha de resposta e continua a  apoiar o Governo de Angola nas campanhas de prevenção e vacinação, mobilização social e gestão de incidentes. 
  • Em cooperação com os governos provinciais, o UNICEF desenvolve intervenções-chave de prevenção e resposta a inundações e secas através dos programas WASH – Água, saneamento e higiene, Saúde, Nutrição, Educação e Comunicação para o Desenvolvimento (C4D).