Cólera

As chuvas intensas, a falta de saneamento e o acesso limitado à água potável aumentam o risco de surtos de cólera e de outras doenças transmitidas pela água

As chuvas intensas, a falta de saneamento e o acesso limitado à água potável aumentam o risco de surtos de cólera.
UNICEF/Angola/2025

A cólera é um risco para a vida das pessoas em áreas afectadas

Desde 2017, Angola tem registado surtos recorrentes de cólera, afetando várias províncias e colocando milhões de pessoas em risco. Em 2025, o país enfrentou um dos surtos mais significativos dos últimos anos, com mais de 27.600 casos reportados e 771 mortes em 18 províncias. As comunidades mais afetadas são aquelas com acesso limitado a água potável, saneamento seguro e serviços básicos de saúde especialmente durante a época chuvosa, quando o risco de transmissão aumenta de forma substancial.

Diante deste cenário, o Governo de Angola reforçou a implementação do Plano Nacional de Preparação, Prevenção e Resposta à Cólera, com o Ministério da Saúde a intensificar a vigilância epidemiológica e a coordenação com as Direções Provinciais de Saúde, garantindo ações rápidas de deteção, notificação e controlo de casos.

O UNICEF Angola desempenhou um papel central no apoio à resposta governamental. Em colaboração com autoridades nacionais e locais, o UNICEF contribuiu para a reabilitação de diversos pontos de água desde 2017, melhorando o acesso a água segura para milhares de famílias. Durante o surto de 2025, esta resposta foi intensificada e complementada com a distribuição de guias, materiais e produtos para tratamento de água, reforçando as práticas de prevenção em zonas de maior risco.

Além disso, o UNICEF apoiou a execução de duas rondas de vacinação oral contra a cólera (OCV), permitindo alcançar mais de 2,7 milhões de pessoas em municípios prioritários, graças ao financiamento reprogramado do Gavi e ao trabalho conjunto com o Ministério da Saúde e parceiros internacionais. Um processo robusto de logística reversa permitiu ainda recolher e contabilizar quase 2 milhões de frascos de vacinas, garantindo transparência e segurança em toda a cadeia de fornecimento.

A Comunicação foi outro pilar essencial da resposta. Por meio de programas de rádio, mobilização porta-a-porta e ações comunitárias, foram reforçadas mensagens sobre higiene, lavagem das mãos, tratamento de água e procura precoce de cuidados médicos. Estas iniciativas contribuíram para melhorar o conhecimento e as práticas de prevenção ao nível das famílias e comunidades.

O UNICEF continuou igualmente a apoiar a monitorização de dados epidemiológicos e a trabalhar com o setor da Educação para capacitar professores na disseminação de mensagens preventivas entre crianças e jovens, fortalecendo a consciência coletiva sobre riscos e comportamentos de prevenção.

A resposta também incluiu ações estruturantes. O UNICEF investiu na melhoria da preparação para emergências, com foco em água, saneamento e higiene, bem como no reforço das capacidades institucionais a nível provincial e municipal. O objetivo é reduzir vulnerabilidades e evitar novos surtos através do fortalecimento do abastecimento de água, da gestão de resíduos, da vigilância local e da mobilização comunitária contínua.

Com esta abordagem integrada combinando abastecimento de água, vacinação, comunicação de risco, educação, vigilância e fortalecimento institucional, o UNICEF Angola tem apoiado o Governo na construção de uma resposta mais robusta e sustentável para proteger crianças, famílias e comunidades contra a cólera, hoje e no futuro.