A força de uma família para seguir em frente: história de Ernestina Mamudo

A família de Ernestina foi uma das 1,583 famílias abrangidas pelo Programa de Resposta Conjunta das Nações Unidas (JRP), uma iniciativa do UNICEF, WFP, OIM e UNHCR, que providencia apoio humanitário, incluindo alimentos e artigos domésticos essenciais.

Miraldinda Gabriel
A família de Ernestina foi uma das 1,583 famílias abrangidas pelo Programa de Resposta Conjunta das Nações Unidas (JRP), uma iniciativa do UNICEF, WFP, OIM e UNHCR, que providencia apoio humanitário, incluindo alimentos e artigos domésticos essenciais.
UNICEF Moçambique/2026/Miraldina Gabriel
16 Julho 2026

Ancuabe, Cabo Delgado – Quando os ataques chegaram à comunidade de Minhaiane, no final de Maio, Ernestina Mamudo e a sua família só tinham uma saída, fugir. Levando apenas o essencial, poucas roupas. Fugir sem olhar para trás, para a sua casa, seus bens, sem olhar para a vida que tinha.

 

Uma fuga marcada pelo medo e pelo cansaço

Aos 55 anos, Ernestina nunca imaginou que teria de fugir pela mata à procura de um lugar seguro.

Ao seu lado seguia o marido, também com a saúde debilitada. Cada passo era um enorme desafio.

"Foi muito difícil fugir sem saber para onde íamos. Eu e o meu marido já não temos força como antigamente," disse Ernestina.

Enquanto outras famílias caminhavam rapidamente para escapar ao perigo, eles eram obrigados a parar várias vezes para descansar. O corpo simplesmente já não respondia. Foram os filhos que impediram que ficassem para trás.

"Algumas vezes os meus filhos tiveram de nos carregar para conseguirmos continuar a caminhada", conta.

Depois de dias de fuga, a família conseguiu finalmente chegar à comunidade de Muaja.

Ali, encontraram segurança, mas recomeçar seria outro desafio.

 

Quando a esperança é mais forte do que a perda

Uma família da comunidade de Muaja prontificou-se a emprestar-lhes  um abrigo temporário. Um tecto seguro já era o suficiente para eles. 

Os filhos passaram a procurar pequenos trabalhos nas machambas da comunidade, limpando capim ou realizando outras tarefas ocasionais. Era o único rendimento da família.
 

"O dinheiro que os meus filhos conseguiam servia apenas para comprar comida. Era o que considerávamos mais importante," disse Ernestina. Mesmo assim, nem sempre conseguiam fazer duas refeições por dia.

 

Uma assistência que devolve tranquilidade

A família de Ernestina foi uma das 1,583 famílias abrangidas pelo Programa de Resposta Conjunta das Nações Unidas (JRP), uma iniciativa do UNICEF, WFP, OIM e UNHCR, que providencia apoio humanitário, incluindo alimentos e artigos domésticos essenciais.

A assistência chegou num momento em que as necessidades eram muitas. Receberam alimentos, panelas, baldes e materiais de higiene. Pela primeira vez desde que fugiram, puderam olhar para os dias seguintes com mais tranquilidade.

"Agora sei que pelo menos vamos ter comida para o almoço e para o jantar. Isso era algo que já não conseguíamos desde que fugimos de Minhaiane," contou Ernestina.

Antes, todo o esforço da família era apenas para conseguir algo para comer. Agora, já não precisam de escolher entre comprar alimentos ou outros bens essenciais para o dia a dia.

 

Uma história de resiliência

A história de Ernestina mostra que, para milhares de famílias deslocadas em Cabo Delgado, recomeçar muitas vezes começa com o básico.

Um lugar seguro.

Uma refeição garantida.

Uma panela para cozinhar.

Um balde para buscar e conservar água.

A assistência humanitária não substitui tudo o que foi perdido, mas garante condições para que famílias como a de Ernestina possam reconstruir as suas vidas com dignidade, a um passo de cada vez.