Em Namerrecua, o saneamento mantém as crianças na escola e a aprender
Com o apoio da UNICEF e financiamento da União Europeia, a Escola Primária de Namerrecua recebeu três novos blocos sanitários inclusivos: um para professores, um para raparigas e outro para rapazes.
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Montepuez, Cabo Delgado — Na Escola Primária de Namerrecua, ir à escola nem sempre significava ter um lugar seguro para aprender a ler e a escrever. Para muitas crianças, especialmente as raparigas, cada dia de aulas vinha acompanhado de medo, vergonha e escolhas difíceis.
Com 676 alunos, a escola tinha apenas uma latrina improvisada feita de capim. Frágil e quase a desabar, a estrutura não tinha água, privacidade nem segurança adequada para as crianças que a utilizavam. Muitas evitavam usá-la. Algumas faziam as suas necessidades em espaços abertos ao redor da escola, o que afectava as condições de higiene e saneamento. Outras regressavam a casa durante o horário escolar para satisfazer as suas necessidades básicas.
Para muitas raparigas, a situação era ainda mais difícil. A falta de privacidade tornava-se especialmente problemática durante o período menstrual, pois gerir a higiene pessoal com dignidade era quase impossível.
Sentia muita vergonha de usar as casas de banho porque qualquer pessoa podia ver-me. Quando estava menstruada, preferia ir para casa durante o intervalo para poder cuidar da minha higiene.
“Sentia muita vergonha de usar as casas de banho porque qualquer pessoa podia ver-me”, conta Márcia Abibo, de 11 anos, aluna da 4.ª classe. “Quando estava menstruada, preferia ir para casa durante o intervalo para poder cuidar da minha higiene.”
As palavras de Márcia reflectem a realidade enfrentada por muitas raparigas, para quem a falta de saneamento adequado se tornou uma barreira invisível à educação.
“Ir para casa era uma opção, mas eu não gostava porque tinha medo de deixar os meus cadernos na sala e alguém roubar durante o intervalo”, acrescenta.
Sem água, as antigas casas de banho permaneciam sujas e difíceis de usar. Para raparigas e adolescentes, especialmente durante a menstruação, a situação fazia com que faltassem às aulas com frequência.
Com o apoio da UNICEF e financiamento da União Europeia, a Escola Primária de Namerrecua recebeu três novos blocos sanitários inclusivos: um para professores, um para raparigas e outro para rapazes.
Para Rendi Duarte, aluno da 3.ª classe, a mudança mais importante na sua escola foi a construção das novas casas de banho. Ele já não precisa de perder tempo a caminhar até casa sempre que precisa urgentemente de usar a casa de banho e agora consegue concentrar-se melhor nas aulas.
Desde que começámos a usar estas novas casas de banho, já não preciso de ir para casa para beber água ou usar a casa de banho.
“Antes, eu tinha de voltar para casa sempre que precisava de usar a casa de banho porque as casas de banho da escola não estavam em boas condições e quase estavam a cair”, recorda. “Desde que começámos a usar estas novas casas de banho, já não preciso de ir para casa para beber água ou usar a casa de banho. Posso usá-las sempre que quiser sem que ninguém me veja.”
Para muitas crianças, o acesso à água e ao saneamento não diz respeito apenas à infraestrutura. Trata-se de dignidade, segurança e da oportunidade de continuar a aprender sem interrupções.
As melhorias também estão a ajudar a promover práticas de higiene mais seguras, reduzir o absentismo escolar e criar um ambiente mais inclusivo, onde raparigas e rapazes, com e sem deficiência, podem usufruir do seu direito à higiene e saneamento seguros.