Água ajuda a proteger vidas em Namanjavira
“Sem água, fazíamos o possível. Com água, conseguimos proteger vidas.” Paula Linda Domingos, médica e directora clínica do Centro de Saúde de Namanjavira, Distrito de Mocuba, Província da Zambézia, Moçambique.
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Mocuba, Zambézia - No Centro de Saúde de Namanjavira, no distrito de Mocuba, província da Zambézia, cuidar de mães e recém-nascidos sempre foi uma prioridade. No entanto, durante muito tempo, a falta de água e de condições adequadas de saneamento tornava esse cuidado mais difícil e mais arriscado.
“Antes, cada parto era também um risco”, explica Paula Linda Domingos. “Precisávamos de água para limpar as camas, lavar o material e garantir higiene, mas muitas vezes simplesmente não havia.”
Felismina teve três filhos naquele centro de saúde. Dois nasceram antes das melhorias. “Depois do parto, eu ficava à espera de que alguém fosse buscar água”, recorda. “Às vezes tomávamos banho ao ar livre. Eu tinha medo de apanhar uma infecção.”
Para muitas mulheres, a experiência era marcada por insegurança e falta de privacidade. Sem água, as casas de banho praticamente não podiam ser usadas. “Não tínhamos casa de banho. Era só ao ar livre”, conta Felismina. “Havia risco de tudo.”
Acoitre Sapala, também mãe de três filhos, lembra-se de levar água de casa para as consultas. “Se a água acabasse, não havia como lavar as mãos ou dar água à criança.” Hoje, “é só abrir a torneira”, conta.
Com a água disponível dentro da unidade sanitária, práticas essenciais passaram a fazer parte da rotina. A lavagem das mãos tornou-se constante antes e depois dos partos, antes de tocar num recém-nascido, antes de administrar uma vacina. Para a equipa de saúde, essa mudança é fundamental.
“Para esterilizar é preciso primeiro lavar bem”, explica a directora clínica. “Sem uma boa lavagem, o risco de infecções cruzadas era muito maior.”
As melhorias em água, saneamento e higiene, implementadas no âmbito do WinHCF (Água, Saneamento e Higiene em Unidades Sanitárias) na Zambézia, com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e do Banco Mundial, permitiram reforçar essas práticas básicas de prevenção. Hoje, o centro dispõe de água corrente, sanitários funcionais e melhores condições para gestão de resíduos.
Na maternidade, as mudanças são visíveis. As mães conseguem tomar banho antes e depois do parto, manter a higiene e recuperar com mais dignidade. “Agora conseguimos ir à casa de banho, tomar banho e ficar limpas”, diz Felismina.
A transformação também foi sentida pela equipa de apoio. Floide Mário, agente de serviço, recorda o esforço diário para buscar água. “Eu acordava às quatro da manhã para ir buscar água longe. Mesmo assim não era suficiente para limpar tudo.”
Sem condições adequadas, a gestão do lixo hospitalar era limitada e aumentava a exposição a riscos. Com a instalação de uma incineradora e maior disponibilidade de água, o trabalho tornou-se mais seguro e organizado. “Agora trabalhamos com mais segurança e orgulho”, afirma.
Para a directora clínica, o impacto vai além da infraestrutura. “Hoje temos condições para lavar o material, manter os sectores limpos e melhor apoiar as mães. Isso reduz infecções e melhora a qualidade dos cuidados.”
A comunidade também sente a diferença. As mães procuram os serviços com mais confiança e já não precisam de levar água de casa. “Hoje o centro é mais seguro para nós e para os nossos filhos”, diz Acoitre.
Ao garantir água disponível, sanitários funcionais e melhores práticas de higiene nas unidades sanitárias, o WinHCF contribui para tornar os partos mais limpos e seguros e para reduzir infecções evitáveis.
Em Namanjavira, a água não representa apenas uma melhoria estrutural. Representa condições concretas para prestar cuidados de saúde com mais segurança, dignidade e qualidade.
“Com água, conseguimos fazer o nosso trabalho como deve ser, e quando fazemos bem o nosso trabalho, salvamos vidas”, conclui Paula Linda Domingos.