Cabo Delgado: Casas de banho para higiene menstrual reforçam saúde, conforto e dignidade

Nelita e Chaual fazem parte das famílias que aderiram à iniciativa de construção de casas de banho para higiene menstrual nas suas residências.

Miraldinda Gabriel
Um casal sentado com seu filho de frente a sua casa.
UNICEF Moçambique/2026/Miraldina Gabriel
29 Maio 2026

Chiúre, Cabo Delgado – No centro de reassentamento de Nacivara, a vida está a ser reconstruída depois de centenas de famílias terem fugido da violência armada no norte de Cabo Delgado. Aos poucos, surgem novas rotinas, novos lares e renovadas esperanças para o futuro.

Entre essas famílias está a de Chaual Mbaraca, de 26 anos, que vive em Nacivara desde 2021 com a esposa, Nelita Virgilio, e o filho de dois anos. O casal prepara-se agora para receber mais um bebé.

Recentemente, Nelita participou numa sessão de sensibilização sobre higiene, promovida pelo comité comunitário de higiene e saneamento do centro. Durante o encontro, as mulheres aprenderam sobre a importância de dispor de uma casa de banho destinada à higiene menstrual e aos cuidados no período pós-parto, um espaço privado que permite às mulheres e raparigas cuidarem da sua higiene com segurança, conforto e dignidade.

“Explicaram que é importante ter uma casa de banho para a higiene íntima da mulher, porque durante a menstruação ou no período pós-parto temos mais privacidade e segurança para cuidar de nós”, conta Nelita. “Isso fez muito sentido para mim, porque, quando estiver no pós-parto, vou poder usar a minha própria casa de banho, sem pressa e sem receio.”

Ao regressar a casa, Nelita partilhou com o marido o que tinha aprendido e perguntou se poderiam construir um espaço semelhante para a família. Para Chaual, o pedido fez todo o sentido.

“A minha esposa disse que era importante ter uma casa de banho onde pudesse se sentir segura e à vontade para cuidar da sua higiene íntima”, explica Chaual. “Achei que era uma excelente ideia, sobretudo porque, depois do nascimento do bebé, ela vai precisar de ainda mais privacidade e conforto.”

Com materiais disponíveis localmente, Chaual construiu uma casa de banho para a esposa, um espaço seguro e reservado, onde ela pode secar os seus absorventes reutilizáveis sem constrangimento e cuidar da sua higiene íntima sem interrupções.

“Também coloquei uma porta adequada para garantir que ninguém entre enquanto ela estiver lá dentro”, acrescenta.

Para Nelita, o novo espaço representa mais do que conveniência: é um sinal de cuidado, respeito e protecção dentro de casa.

“Quando ele começou a construir a casa de banho, fiquei muito feliz”, diz. “Isso significa que vou ter mais liberdade e tranquilidade para cuidar da minha higiene sem preocupações.”

Para muitas mulheres e raparigas em comunidades de deslocados, a privacidade continua a ser um dos maiores desafios na gestão da menstruação, sobretudo quando as instalações sanitárias são partilhadas por várias pessoas.

A higiene menstrual está directamente ligada à saúde, à protecção e à dignidade. O acesso a espaços sanitários seguros e privados ajuda mulheres e raparigas a manterem a higiene, reduz o desconforto e a ansiedade e contribui para um ambiente familiar mais saudável.

Nelita e Chaual fazem parte das famílias que aderiram à iniciativa de construção de casas de banho para higiene menstrual nas suas residências. A iniciativa é apoiada pelo UNICEF e pela Helvetas, com financiamento do CERF, e visa reforçar a privacidade e a dignidade de mulheres e raparigas em idade reprodutiva.