Quase metade das crianças do mundo expostas a pelo menos três ameaças climáticas sobrepostas – mais de 60 por cento das crianças em Moçambique afectadas – UNICEF

Seca, calor extremo e vagas de calor são o trio dos riscos mais frequentes que colocam em perigo milhões de crianças em todo o mundo, segundo novo relatório climático

16 Junho 2026
Um rapaz olhando para a camera.
UNICEF/MOZA00008/Alexandre Marques

NOVA IORQUE/MAPUTO, 16 de Junho de 2026 – Quase metade das crianças do mundo – ou 1.1 mil milhões – estão agora expostas a pelo menos três riscos climáticos sobrepostos, colocando em risco a sua saúde, educação e sobrevivência, segundo o novo relatório do UNICEF lançado hoje. Quase todas as crianças do mundo enfrentam pelo menos um risco climático, enquanto mais de 4 milhões podem enfrentar até seis ameaças sobrepostas, alerta o relatório. 

O Relatório de Risco Climático Infantil 2026 apresenta os dados mais recentes sobre a exposição das crianças às oito ameaças climáticas mais frequentes: inundações costeiras, secas, calor extremo, incêndios, ondas de calor, inundações fluviais, tempestades de areia e poeira, e tempestades tropicais.

Pela primeira vez, o relatório revela exactamente onde e com que intensidade as múltiplas e sobrepostas ameaças climáticas afectam as crianças e os serviços sociais essenciais de que dependem, e como os governos podem tomar acções concretas para responder.

"A vida das crianças continua a ser afectada pelo impacto das ondas de calor, incêndios florestais, secas e inundações", disse a Directora Executiva do UNICEF, Catherine Russell. "Metade das crianças do mundo vive agora com pelo menos três ameaças climáticas sobrepostas a moldar as suas vidas diariamente."

A seca, o calor extremo e as ondas de calor constituem a combinação mais comum de riscos climáticos, com mais de 296 milhões de crianças a viver em zonas expostas a estas três condições, de acordo com os resultados do estudo. A segunda combinação mais comum: seca, calor extremo e tempestades tropicais deixa mais de 115 milhões de crianças em todo o mundo expostas a estas ameaças que se sobrepõem.

 

Moçambique

Em Moçambique, 64,6 por cento das crianças (11.6 milhões) estão expostas a pelo menos três riscos climáticos sobrepostos, colocando milhões em risco devido aos efeitos combinados de ciclones, inundações, secas, calor extremo e surtos de doenças sensíveis às alterações climáticas.

A extensa costa de Moçambique, as zonas costeiras de baixa altitude, as principais bacias hidrográficas e a dependência da agricultura de subsistência e dos recursos naturais tornam as crianças particularmente vulneráveis.

A pobreza, os choques recorrentes e as falhas nos serviços essenciais reduzem ainda mais a capacidade das famílias de enfrentar crises e recuperar. Só em 2024 e 2025, ciclones tropicais afectaram quase 1.8 milhões de pessoas e destruíram ou danificaram 183 unidades de saúde e mais de 4,600 salas de aula no país.

Estes riscos sobrepostos afectam a vida das crianças de várias formas: danificam escolas, unidades de saúde, sistemas de água e infraestruturas de saneamento; reduzem a disponibilidade de água e a segurança alimentar; aumentam o risco de surtos de doenças e de desnutrição; e interrompem a aprendizagem quando as escolas são danificadas, usadas como abrigos temporários ou se tornam inseguras devido ao calor, às inundações ou à falta de saneamento.

"Para as crianças moçambicanas, as alterações climáticas já não são uma previsão — são uma realidade vivida a cada época de ciclones," disse Mary Louise Eagleton, Representante do UNICEF em Moçambique. "Trabalhando em apoio ao Governo de Moçambique, o nosso desafio é claro: construir escolas, unidades de saúde e sistemas de água que resistam aos choques, para que nenhuma criança veja a sua aprendizagem ou a sua saúde interrompidas por um desastre."

As conclusões do relatório sublinham a necessidade urgente de investir em serviços sociais resilientes aos choques climáticos em Moçambique, incluindo escolas seguras e ecológicas, instalações de saúde resilientes, sistemas de saneamento resistentes a choques, serviços de nutrição, sistemas de alerta precoce e preparação sensíveis para crianças, protecção social responsiva a choques e participação significativa de crianças e jovens na acção climática.

Sem medidas urgentes para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, os riscos climáticos tornar-se-ão mais frequentes e graves, pressionando ainda mais os orçamentos e sistemas governamentais, ameaçando o bem-estar das crianças, alerta o relatório.

Para proteger os direitos das crianças contra ameaças climáticas e adaptar-se às crescentes alterações ambientais, o UNICEF apela aos governos, empresas e parceiros relevantes para:

  • Reduzir as emissões e tomar medidas ambiciosas para cumprir os compromissos internacionais existentes, com base nos melhores dados científicos disponíveis, incluindo a eliminação gradual e urgente dos combustíveis fósseis e uma transição justa para as energias renováveis.
  • Proteger as crianças através de uma adaptação climática inclusiva, redução do risco de desastres e respostas a perdas e danos que priorizam a resiliência dos serviços sociais, garantindo que as crianças e os serviços críticos para crianças sejam incluídos nos planos nacionais de adaptação e nas estratégias sectoriais, na governação do risco de desastres, nos planos de preparação e resposta. Isto inclui, por exemplo, o desenvolvimento de instalações de aprendizagem seguras e ecológicas e de instalações de saúde resilientes às alterações climáticas, garantir a segurança alimentar das crianças, a eficácia dos sistemas de alerta precoce para múltiplos riscos para as crianças e a sua acessibilidade aos serviços de que dependem, e o reforço da eficiência dos serviços de água e saneamento, bem como de sistemas de protecção social capazes de responder a situações de crise.
  • Capacitar crianças e jovens para participarem de forma significativa na acção climática, investindo na educação, conhecimento e competências climáticas, e reforçar a capacidade dos decisores e especialistas para respeitarem os direitos das crianças a serem ouvidas, a liberdade de expressão e a participação em decisões que afectam as suas vidas.

"Esta análise pode ajudar governos e decisores a planear melhor e a investir de forma mais eficaz em serviços resilientes", disse Russell. "Quando reforçamos os sistemas de saúde e educação, e melhoramos as infraestruturas tendo as crianças em mente, protegemo-las das ameaças climáticas actuais e ajudamos a garantir o seu futuro."



Nota para os editores:

O CCRR 2026 analisa a exposição das crianças a oito riscos climáticos: inundações costeiras, secas, calor extremo, incêndios, ondas de calor, inundações fluviais, tempestades de areia e poeira, e tempestades tropicais, bem como a dois riscos sensíveis ao clima, como poluição atmosférica e doenças transmitidas por vectores; ao mesmo tempo que consideram as vulnerabilidades inerentes das crianças em sete dimensões: água, saneamento e higiene (WASH), nutrição, protecção, saúde, educação, pobreza e sobrevivência infantil.

Link para o Relatório de Risco Climático das Crianças aqui.   

Materiais multimédia disponíveis aqui

Contacto para os media

Guy Taylor
Chefe de Advocacia, Comunicação e Parcerias
UNICEF
Telefone: +258 85 18 39 954
Telcinia Nhantumbo
Communication Officer
UNICEF Moçambique
Telefone: +258 84 748 9538

Sobre o UNICEF

O UNICEF trabalha em alguns dos lugares mais difíceis do mundo, para chegar às crianças mais desfavorecidas. Para salvar as suas vidas. Para defender os seus direitos. Para ajudá-las a alcançar o seu verdadeiro potencial. Presentes em 190 países e territórios trabalhamos para cada criança, em qualquer parte, todos os dias, para construirmos um mundo melhor para todos. E nunca desistimos. Para mais informação sobre o UNICEF e seu trabalho para cada criança, visite www.unicef.org/mozambique.

Siga o nosso trabalho nas redes sociais: WhatsApp | Twitter | Facebook | LinkedIn

Por favor, considere fazer uma doação para o nosso trabalho em Moçambique.