Proteção infantil
Aperfeiçoar a proteção infantil
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Situação e desafios
Apesar do progresso significativo na proteção infantil na última década, a aprovação do Código de Proteção Integral da Criança foi interrompida em 2022 na sequência da dissolução do parlamento. Tal iniciativa teria dado resposta a questões essenciais, como o acesso legal a serviços nas comunidades, a gestão de casos, a regulamentação da adoção e a proteção contra a violência baseada no género (VBG).
Em 2022, continua a haver problemas fundamentais de proteção infantil no país, como a baixa taxa de registos de nascimento, o trabalho infantil e a violência contra as crianças, que se manifesta na mutilação genital feminina (MGF), no casamento infantil, nos castigos corporais e na violência sexual.
Embora o registo de nascimentos tenha melhorado, a taxa ainda é baixa, com apenas 46% das crianças com menos de 5 anos e 36% das crianças com menos de 1 ano. Além dos desafios ao acesso, em alguns casos, os homens recusam-se a aceitar a responsabilidade paterna e, quando se trata de bebés nascidos com anormalidades ou deficiências, muitos pais escondem a existência da criança e nunca registam o seu nascimento.1
As crianças não registadas são extremamente vulneráveis, já que o seu acesso aos serviços pode ser limitado, em alguns casos, por exemplo, as crianças não conseguem aceder a justiça juvenil ou não conseguem provar a sua idade em casos de casamento infantil ou trabalho infantil.
Embora tenha havido progressos na última década quanto à redução da MGF e do casamento infantil, os dados mais recentes mostram que ambos persistem.2 Cerca de 30% das raparigas dos 0 aos 14 anos foram submetidas a MGF e 26% das mulheres dos 20 aos 24 anos relatam ter estado casadas ou em união de facto antes dos 18 anos.
Na Guiné-Bissau, o uso de violência física começa muitas vezes numa tenra idade. Cerca de 75% das crianças de 1 a 14 anos já foram disciplinadas com algum tipo de violência física.
O castigo corporal é generalizado nas escolas,3 em particular nas primárias, onde as turmas são grandes, com alunos de diferentes idades, e onde os professores não receberam formação sobre métodos de ensino amigos da criança.4 A violência física e sexual perto das escolas é um enorme desafio. Embora os estudos sejam escassos, as associações de estudantes e organizações comunitárias relatam muitos casos de violência, incluindo assédio sexual por colegas e professores que ficam impunes.
Os talibés ou almudus (crianças que frequentam escolas corânicas ou madrassas), a maioria dos quais vive nas regiões orientais de Bafatá e Gabú, são especialmente vulneráveis ao abuso, à exploração e ao tráfico, já que a maioria das crianças está em regime de internato.5 Alguns estudantes vivem em condições precárias e são forçados a mendigar ou trabalhar para sobreviver. Alguns são até enviados para escolas corânicas (daaras) no vizinho Senegal ou na Gâmbia.
Bala Djamanca, 13 anos, tinha sido enviado para uma daara (escola corânica) no vizinho Senegal, sem quaisquer documentos, nem sequer uma certidão de nascimento. Sem a presença da sua família, Bala sofreu abusos e foi forçado a mendigar nas ruas.
Resultados Principais