A bebé Fatumata recebe a primeira vacina contra a malária na Guiné-Bissau
Um marco histórico na luta do país contra a malária.
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No âmbito dos esforços para expandir o acesso a vacinas que salvam vidas para as crianças na Guiné-Bissau, o UNICEF, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Aliança Global para Vacinas (Gavi) apoiaram o Ministério da Saúde na introdução, pela primeira vez no país, da vacina contra a malária. Esta vacina já está a ser utilizada em 25 países endémicos de malária em todo o mundo. Para além da aquisição das vacinas, o UNICEF liderou iniciativas de mobilização comunitária e atividades de comunicação para a mudança de comportamento, com vista a apoiar a introdução da vacina. O lançamento oficial da vacinação contra a malária ocorreu a 28 de janeiro de 2026.
Esta história conta o percurso da primeira criança a receber a vacina contra a malária na Guiné-Bissau, assinalando um marco histórico na luta do país contra a doença.
Cadi Mané sorri enquanto segura Fatumata, de cinco meses, a primeira criança a receber a vacina contra a malária na Guiné-Bissau.
Na manhã de 28 de janeiro, Cadi Mané, parteira no Hospital Regional de Gabú e mãe de três filhos, dirigiu-se orgulhosamente ao local do lançamento da vacina contra a malária, na cidade de Gabú, a maior da região leste do país. Era um dia de celebração e orgulho para ela. A sua filha de cinco meses, Fatumata, estava prestes a fazer história como a primeira criança na Guiné-Bissau a receber a vacina contra a malária.
Sinto muito orgulho, porque sabemos que vai melhorar a saúde dela, afirmou.
Vestida com um conjunto cor-de-rosa vivo, combinado com um laço no cabelo, Fatumata observava enquanto os profissionais de saúde preparavam as vacinas e centenas de pais aguardavam na fila com os seus bebés e crianças pequenas.
Enquanto Mané segurava a filha junto ao peito, um profissional de saúde administrou cuidadosamente a vacina na parte superior da perna de Fatumata.
Nesse momento, Fatumata tornou-se a primeira criança da Guiné-Bissau a receber a vacina contra a malária, assinalando um marco significativo para o país.
Para Mané, este momento é profundamente pessoal. Ela vê um futuro cheio de possibilidades para a filha.
“O meu desejo é que a Fatumata venha a seguir uma carreira na área da saúde, como eu”, disse. “Mas o futuro será a escolha dela.”
Tal como Mané, muitos outros pais deslocaram-se ao local para proteger os seus filhos de uma doença que continua a ser uma das principais causas de doença e morte entre crianças menores de cinco anos na Guiné-Bissau.
Tomar todas as medidas para prevenir a malária
Como profissional de saúde, Mané compreende bem o impacto devastador que a malária pode ter nas crianças. Por isso, está empenhada em fazer tudo o que estiver ao seu alcance para proteger a filha.
Apesar de ela, o marido e os filhos dormirem sob redes mosquiteiras tratadas com inseticida (MTI), a malária afetou recentemente a sua família. Quando um menino de oito anos, que se encontrava a viver com eles, apresentou sintomas, Mané realizou imediatamente um teste de diagnóstico rápido e levou-o sem demora ao hospital para tratamento.
Esta experiência reforçou uma realidade essencial: embora as medidas de prevenção existentes — como a quimioprevenção sazonal da malária e as redes mosquiteiras tratadas com inseticida — sejam eficazes, nem sempre são suficientes, por si só, para prevenir a doença.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacina aumenta a proteção quando combinada com outras medidas de prevenção da malária. Evidências provenientes de outros países africanos demonstram ainda que, quando integrada com outras intervenções preventivas, a vacina reduz significativamente a gravidade da doença e as mortes entre crianças.
Um marco histórico e o início da vacinação
Autoridades governamentais, representantes da sociedade civil e profissionais de saúde estiveram no centro do planeamento e implementação da vacinação em cada região. No primeiro dia, os profissionais de saúde administraram a vacina a cerca de 58.000 crianças, com idades entre 5 e 59 meses, em 19 áreas de saúde e 24 centros de saúde. A vacinação continuará nos próximos meses, com doses adicionais antes do início da época das chuvas.
A elevada incidência da malária no país continua a exercer uma forte pressão sobre o sistema de saúde, sendo a doença responsável por mais de um terço de todas as consultas e hospitalizações nas unidades de saúde públicas.
Esta vacina reforça práticas familiares já adotadas, como o uso de redes mosquiteiras, a higiene no domicílio e a quimioprevenção sazonal, afirmou Neusa Mendes Samy, Diretora do Serviço Nacional de Imunização e Vigilância Epidemiológica.
Rumo a um futuro livre da malária
Este marco representa um passo importante na luta da Guiné-Bissau contra a malária.
Em conjunto com as medidas existentes de prevenção e tratamento — como a quimioprevenção sazonal da malária e o uso de redes mosquiteiras tratadas com inseticida — espera-se que a vacina contribua para a redução da incidência da malária e para a prevenção da doença grave entre as crianças.
A partir de agora, a vacina contra a malária passa a integrar o calendário nacional de vacinação, sendo administrada a crianças a partir dos cinco meses de idade.
A Gavi orgulha-se de apoiar a Guiné-Bissau na proteção das crianças através da vacinação. Trabalhamos em estreita colaboração com o Governo e os parceiros para garantir que os esforços de prevenção da malária sejam abrangentes e complementares, alcançando as famílias que mais precisam, afirmou Marius Keller, Oficial de Ligação da Gavi para a Guiné-Bissau.