Uma picada, duas vacinas: Protegendo as crianças da Guiné-Bissau através da imunização

Campanha de vacinação contra o sarampo e a rubéola alcança todas as crianças da Guiné-Bissau em apenas 10 dias graças à mobilização social

Ana Ernesto
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UNICEF Guinea-Bissau/2024/Ana Ernesto
12 Fevereiro 2025

“Mães, não deixem os vossos filhos adoecerem. Vacinem-nos”, diz Salimatu Mara. A mãe, de 51 anos, faz um discurso emocionado durante o lançamento da campanha nacional de vacinação contra o sarampo e a rubéola, passando uma mensagem importante a todos os pais.

O lançamento da campanha de vacinação contra o sarampo e a rubéola foi uma celebração vibrante no bairro de Hafia, em Bissau, capital da Guiné-Bissau. O evento contou com música, dança e apresentações teatrais para promover a vacina, atrair crianças das escolas e comunidades próximas e imunizar as que podiam ser vacinadas. Este esforço nacional visa proteger cerca de 900.000 crianças contra o sarampo e a rubéola — duas doenças graves que ameaçam este pequeno país de 2 milhões de pessoas da África Ocidental. Além das vacinas, as crianças também recebem suplementação de vitamina A e comprimidos de albendazol, para protegê-las de vermes intestinais.

O objetivo da campanha é ambicioso, mas alcançável: imunizar aproximadamente 900.000 crianças de seis meses a 14 anos, em 10 dias. Para atingir esta meta, é necessário um esforço colaborativo entre diversos parceiros: GAVI, a Aliança para Vacinas, como principal doador, Plan International, Organização Mundial da Saúde (OMS) e UNICEF, responsável pela entrega de mais de um milhão de doses de vacinas contra sarampo e rubéola no país, através da Divisão de abastecimento do UNICEF. Juntos, os parceiros trabalham ao lado do governo, através do Ministério da Saúde Pública, para proteger eficazmente cada criança da Guiné-Bissau contra doenças evitáveis.

Esta campanha é particularmente crucial: a última campanha nacional de vacinação contra o sarampo ocorreu em 2019. Desde então, o país teve dois surtos de sarampo, em 2021 e 2022. O sarampo é uma das doenças mais contagiosas, que pode causar complicações graves, como pneumonia, cegueira, ou mesmo morte, especialmente entre crianças menores de cinco anos. Já a rubéola apresenta riscos devastadores para mulheres grávidas e podendo causar malformações congênitas nos bebés. A vacinação é a única forma eficaz de prevenir estas doenças, e a vacina combinada é uma grande vantagem.

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Como ações falam mais alto do que palavras, Salimatu dá o exemplo. Ela orgulhosamente coloca os filhos na fila para serem os primeiros a serem vacinados. As filhas mais novas, Katia e Aissatu, de três e quatro anos, tomaram as gotas de vitamina A e os comprimidos de albendazol sem hesitar. Agora, com uma única injeção, as filhas estão protegidas contra duas doenças potencialmente fatais. Uma injeção, duas vacinas.

Construir confiança dentro da comunidade é uma parte essencial da campanha, explica a enfermeira Segunda Indjucan, de 49 anos, que já participou em inúmeras campanhas de vacinação — "mais do que consigo contar", diz, com uma risada alegre. Ela nota que as comunidades são muito mais recetivas quando reconhecem e confiam nas equipas de vacinação. Segunda acredita que incluir agentes comunitários de saúde como mobilizadores nas campanhas de vacinação foi decisivo.

Ao fornecer informações precisas e sensibilizar sobre os graves efeitos do sarampo e da rubéola, bem como os benefícios da vacinação, os agentes comunitários desmistificam rumores e combatem boatos. "Um dos rumores mais comuns nas comunidades é que as meninas vacinadas ficam inférteis", o que não é verdade, explica Maria de Jesus Vieira, uma enfermeira de 59 anos. Ela enfatiza a importância da comunicação, incluindo a explicação dos possíveis efeitos secundários das vacinas, para evitar a disseminação de desinformação. 

"O segredo é sensibilizar as mães. Tudo depende de como se fala com elas", diz Maria.

Nos últimos três dias, Mansata Turé, uma agente comunitária de saúde, tem visitado incansavelmente as famílias e espalhado a mensagem nos movimentados mercados de rua de Hafia, usando um megafone: "Levem os vossos filhos aos postos de vacinação!" Com 29 anos, Mansata é agente comunitária de saúde e residente local, o que facilita a sua conexão com os vizinhos. "Eu já conheço toda a gente em Hafia, por isso é natural para mim falar com eles", afirma, confiante.

Mansata Ture, Agente de Saúde Comunitária (ASC) de Hafia, a publicitar a campanha no mercado local.
UNICEF Guinea-Bissau/2024/Ana Ernesto Mansata Ture, Agente de saúde Comunitária (ASC) de Hafia, a publicitar a campanha no mercado local.

Para Salimatu Mara, não foi necessário qualquer convencimento. Quando Mansata Turé, a agente comunitária de saúde de Hafia, bateu à sua porta, alguns dias antes do início da campanha, ela imediatamente concordou em vacinar os filhos. Salimatu sente orgulho em saber que todos os nove filhos estão totalmente vacinados e nunca sofreram de doenças graves. 

"Se o seu filho estiver vacinado, as doenças não serão fortes o suficiente para deixá-lo doente", ela explica.

Os filhos de Salimatu são os primeiros na fila para serem vacinados.
UNICEF Guinea-Bissau/2024/Ana Ernesto Os filhos de Salimatu são os primeiros na fila para serem vacinados.

Enquanto os filhos de Salimatu recebem as vacinas, a fila no posto de vacinação continua a crescer. Os pais de Hafia ouviram a mensagem de forma clara — seja através de Mansata, de outros vizinhos, da rádio, de líderes comunitários locais ou das escolas da área. Somente em Hafia, Segunda e Maria esperam vacinar cerca de 160 crianças por dia, durante os 10 dias da campanha. "Pode ser mais", diz Maria de Jesus, sorrindo. "Podemos vacinar 200 crianças num único dia", acrescenta. Segunda reflete sobre o progresso: 

"É emocionante ver os pais confiarem em nós para cuidar da saúde dos seus filhos."

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