O mapa da primeira infância em Fortaleza
Confira os indicadores da promoção dos direitos da primeira infância entre 2016 e 2019
Entre 2016 e 2019, a cidade de Fortaleza apresentou uma diminuição significativa das desigualdades. Dos 58 bairros que contavam, em 2016, com as taxas mais altas de mortalidade neonatal1, 48 apresentaram evolução no indicador. O avanço ocorreu, inclusive, nos quatro bairros com o maior número de mortes de bebês há quatro anos: Barra do Ceará, Bom Jardim, Pici e Vicente Pinzon. Em Barra do Ceará, a taxa passou de 10,46 mortes por 1.000 nascidos vivos para 7,80; em Bom Jardim, foi de 8,14 para 1,94; em Pici, de 23,31 para 9,43; e, em Vicente Pinzon, a redução foi de 12,38 para 4,12.
Houve ainda outras conquistas nos cuidados com a primeira infância. A taxa de incidência de sífilis congênita na cidade caiu cerca de 22% entre 2016 e 2019, e a proporção de crianças de menos de 5 anos com sobrepeso também apresentou uma leve redução, de 5%.
A mortalidade neonatal caiu em toda a cidade. Passou de 8,14 mortes por 1.000 nascidos vivos em 2016 para 7,63 mortes por 1.000 nascidos vivos em 2019. Esses números mostram que, em 2019, houve 20 mortes a menos do que teria ocorrido se a taxa de 2016 tivesse se mantido.
Mesmo com essa evolução, o resultado alcançado em Fortaleza não atingiu o valor de referência2 de 6,48 mortes por 1.000 nascidos vivos da Plataforma dos Centros Urbanos.
1Mortalidade neonatal é o número de óbitos de bebês de 0 a 27 dias de vida completos, por 1.000 nascidos vivos, na população residente em determinado espaço geográfico, no ano considerado.
2Valor de referência (VR) é definido pelos dados coletados na linha de base, correspondendo à média aritmética das taxas das unidades territoriais acima da mediana, acrescido de um cálculo que tem como horizonte 2030, ano de referência para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, da ONU.
Mortalidade neonatal 2016 e 2019 – Fortaleza
Taxa por 1.000 nascidos vivos
O combate à sífilis congênita2 rendeu frutos. A redução de casos da doença chegou a 22%. Isso significa que, em 2019, a cidade registrou menos 167 recém-nascidos com sífilis do que teria se a taxa tivesse se mantido a mesma de 2016. Nesse período, a taxa caiu de 20,74 para 16,02 por 1.000 nascidos vivos.
Apesar dessa redução, a média do número de casos de sífilis congênita em Fortaleza permanece maior do a média brasileira – 8,2 casos para cada 1.000 nascidos vivos –, divulgada pelo Ministério da Saúde (2019).
3Sífilis congênita é a infecção do feto pela bactéria Treponema pallidum, transmitida da mãe para o bebê pela placenta, em qualquer momento da gestação. Se não for tratada, poderá causar uma série de problemas desde aborto até má formação no bebê.
Sífilis congênita 2016 e 2019 – Fortaleza
Taxa por 1.000 nascidos vivos
A redução no percentual de crianças de até 5 anos com sobrepeso4 foi de 5% entre 2016 e 2019. Passou de 7,46% para 6,14% do total de crianças acompanhadas nessa faixa etária.
4Sobrepeso infantil – O indicador é a proporção de crianças até 5 anos acompanhadas com peso elevado para a idade. O excesso de peso na infância afeta diretamente o crescimento e o desenvolvimento da criança, aumentando o risco de hipertensão e de doenças cardiovasculares, diabetes, dificuldades respiratórias, além de outras consequências ao longo da vida.
Sobrepeso infantil 2016 e 2019 – Fortaleza
Proporção de crianças menores de 5 anos com indicação de peso elevado para idade
Em síntese
A cidade de Fortaleza avançou na promoção dos direitos da primeira infância, com redução da desigualdade do impacto da mortalidade neonatal intramunicipal em 80% dos 58 bairros com os piores índices. A média municipal da taxa de mortalidade neonatal também caiu, mas não o suficiente para alcançar o valor de referência de 6,48 por 1.000 nascidos vivos, estabelecido pela Plataforma dos Centros Urbanos para a cidade. Isso indica que a melhora, até o momento, ainda não ocorreu na velocidade necessária para o alcance do índice projetado para 2030, o ano final para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.