Combate à dengue, zika e chikungunya - Estudo comportamental sobre a adesão a práticas de prevenção
Estudo mostra como indivíduos e comunidades se relacionam com arboviroses e quais aspectos motivam ou dificultam a adoção de comportamentos preventivos
Destaques
Esta pesquisa explora os fatores psicológicos, sociais e estruturais que influenciam a adoção, pelas pessoas, de práticas preventivas contra dengue, zika e chikungunya (arboviroses), com especial atenção aos estímulos e barreiras para a adoção desses comportamentos. Entre os achados, está a dissonância entre os que as pessoas falam que fazem e os hábitos que efetivamente incorporam em suas rotinas diárias, assim como a necessidade de reduzir custos e esforços associados à adoção de comportamentos de prevenção, entre outros. A pesquisa usa como marco teórico o Modelo de Determinantes Comportamentais (Behavioural Drivers Model, na sigla em inglês), desenvolvido pelo UNICEF para atuar em Mudança Social e de Comportamento (SBC, também na sigla em inglês). O principal ganho dessa abordagem é ir além de explicações que atribuem a responsabilidade pela adoção de comportamentos preventivos a uma decisão do indivíduo, como por falta de conhecimento ou interesse, chamando a atenção para os aspectos psicológicos, sociais e ambientais, tais como atitudes em relação às práticas de prevenção, normas sociais, infraestrutura e acesso a políticas públicas. O estudo retoma a literatura existente sobre comportamentos preventivos contra arboviroses no Brasil, e a enriquece com uma etapa qualitativa realizada com 24 grupos etnográficos em dois municípios de médio porte, selecionados através de dados epidemiológicos, o fato de contar com a presença do UNICEF e que foram, também, apontados o prioritários pelo Ministério da Saúde para ações de prevenção e combate a arboviroses. Além disso, entrevistas com gestores de saúde de oito municípios da Amazônia Legal e do Semiárido brasileiros complementam as dimensões trazidas pela escuta da população.