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Protegendo as crianças mais vulneráveis do impacto do coronavírus: uma agenda de ação

É urgentemente necessária uma coordenação global para impedir que esta crise de saúde se transforme em uma crise dos direitos da criança

uma mãe, com máscara, segura sua bebê nos braços. elas estão olhando uma para a outra.
UNICEF/UNI316644// Frank Dejongh

A pandemia da doença do coronavírus (covid-19) é de uma escala que a maioria das pessoas vivas hoje nunca viu. Em todo o mundo, o surto está reivindicando vidas e meios de subsistência, à medida que os sistemas de saúde ficam sobrecarregados, as fronteiras são fechadas e as famílias lutam para permanecer à tona.
 

>> Ações do UNICEF no Brasil em resposta à covid-19


Comunidades em todo o mundo estão enfrentando o desafio – de profissionais de saúde arriscando a vida para combater o vírus a jovens implementando maneiras inovadoras de compartilhar mensagens de saúde pública.

No entanto, mesmo que a propagação do vírus diminua em alguns países, seu preço social virá rapidamente e será caro. E em muitos lugares, isso acontecerá às custas das crianças mais vulneráveis.

Sem uma ação urgente, esta crise de saúde corre o risco de se tornar uma crise de direitos da criança.

As perturbações da sociedade têm um forte impacto sobre as crianças: na sua segurança, no seu bem-estar e no seu futuro. Somente trabalhando juntos podemos manter milhões de crianças e adolescentes – incluindo aqueles que foram desenraizados por conflitos, crianças vivendo com deficiência e meninas em risco de violência – saudáveis, seguros e aprendendo.

O UNICEF pede uma ação global rápida para:

1. Manter as crianças saudáveis

Os esforços internacionais para fortalecer os sistemas de saúde – garantindo que os suprimentos e equipamentos de proteção cheguem às comunidades afetadas e capacitando os profissionais de saúde para prevenir, diagnosticar e tratar a doença por coronavírus – serão um longo caminho para combater o vírus. Mas os sistemas de saúde sobrecarregados ameaçam mais do que aqueles que adoecem com a covid-19.

Nas partes mais pobres do mundo, as crianças que precisam de serviços básicos, porém essenciais – incluindo aqueles para proteção contra doenças como pneumonia, malária e diarreia –, correm o risco de não recebê-los. À medida que os sistemas de saúde se retesam, bebês e crianças perdem a vida por causas evitáveis.

O UNICEF pede aos governos e parceiros que mantenham serviços vitais de saúde materna, neonatal e infantil. Isso significa continuar atendendo às necessidades urgentes da covid-19, enquanto realizam intervenções críticas de saúde, como financiamento para vacinas, que garantem que as crianças sobrevivam e prosperem. Nossa resposta à covid-19 deve ser uma que fortaleça os sistemas de saúde a longo prazo.
 

2. Alcançar crianças vulneráveis com água, saneamento e higiene

Proteger nós mesmos e os outros por meio de práticas adequadas de lavagem das mãos e higiene nunca foi tão importante. Mas, para muitas crianças, as instalações básicas de água e higiene permanecem fora de alcance.

Algumas crianças não têm acesso a água potável porque vivem em áreas remotas ou em locais onde a água não é tratada ou é poluída. Outras crianças não têm acesso a instalações porque estão sem casa, morando em uma favela ou na rua.

O UNICEF apela aos governos para que priorizem essas crianças. E pede urgentemente financiamento e apoio para que possa alcançar mais meninas e meninos com instalações básicas de água, saneamento e higiene.
 

3. Manter as crianças aprendendo

À medida que as escolas ao redor do mundo são fechadas para impedir a disseminação do coronavírus, mães, pais, cuidadores e educadores têm se adaptado, encontrando novas maneiras de manter as crianças aprendendo. Mas nem todos os meninos e meninas têm acesso a internet, livros ou material escolar.

Devemos fazer mais para garantir que todas as crianças tenham igual acesso à aprendizagem. O UNICEF pede aos governos que ampliem as opções de aprendizado em casa, incluindo soluções sem tecnologia e de baixa tecnologia, e priorizem a conectividade com a internet em áreas remotas e rurais. Com mais de 800 milhões de crianças fora da escola, agora não é hora de desviar o financiamento nacional destinado à educação. O UNICEF e seus parceiros continuarão a trabalhar juntos para manter as crianças aprendendo, não importa onde estejam.
 

um menino e uma menina estão junto com a mãe estudando. eles estão sentados a uma mesa. a mãe está entre os dois.
UNICEF/UNI317537// Frank Dejongh

4. Apoiar as famílias para cobrir suas necessidades e cuidar de suas crianças

O impacto socioeconômico da covid-19 será sentido pelas crianças mais vulneráveis do mundo. Muitas já vivem na pobreza, e as consequências das medidas de resposta à covid-19 correm o risco de mergulhá-las ainda mais em dificuldades.

À medida que milhões de pais e mães lutam para manter seus meios de subsistência e renda, os governos devem ampliar as medidas de proteção social – programas e políticas que conectam as famílias aos cuidados vitais de saúde, nutrição e educação.

A proteção social inclui transferências de renda e apoio a alimentação e nutrição. Inclui governos ajudando a proteger empregos e trabalhando com empregadores para apoiar adequadamente pais e mães que trabalham.

Sem uma ação urgente para mitigar os impactos sociais e econômicos do surto do coronavírus e resposta à covid-19, dezenas de milhões de crianças que já vivem à beira das dificuldades cairão na pobreza.
 

5. Proteger as crianças contra a violência, a exploração e o abuso

À medida que o ritmo das comunidades é alterado, as crianças que já correm risco de violência, exploração e abuso se tornam ainda mais vulneráveis.

A turbulência social e econômica aumentará o risco entre as meninas de casamento precoce, gravidez e violência. Com o isolamento, as crianças e os adolescentes que enfrentam violência em casa ou online estarão mais afastados da ajuda. E o estresse e o estigma da doença e da tensão financeira exacerbarão situações familiares e comunitárias voláteis.

Devemos impedir que essa pandemia se transforme em uma crise de proteção infantil. Os governos precisam levar em conta os riscos exclusivos de meninas e de crianças e adolescentes vulneráveis, incluindo aqueles que enfrentam discriminação e estigma, ao planejar o distanciamento social e outras medidas de resposta à covid-19. Devemos apoiar meninas e meninos que podem ser temporariamente separados de seus pais devido a doenças e trabalhar juntos para nos preparar para uma onda daqueles que procuram soluções remotas de proteção e saúde mental.

6. Proteger as crianças refugiadas e migrantes e as afetadas por conflitos

Todos os dias, crianças refugiadas, crianças migrantes e crianças afetadas por conflitos enfrentam ameaças indizíveis a sua segurança e seu bem-estar – e isso na ausência de uma pandemia. Para muitos desses meninos e meninas, o acesso a cuidados e instalações básicas de saúde é extremamente limitado, enquanto as condições de vida restritas tornam inviável o distanciamento social.

As necessidades humanitárias não devem ser esquecidas durante a resposta à covid-19. O secretário-geral das Nações Unidas pediu um cessar-fogo global para concentrar nossa luta em um inimigo comum, que não conhece fronteiras. Os sistemas de saúde nos países devastados pela guerra já estão à beira do colapso. Cabe à comunidade global se unir em apoio às crianças mais vulneráveis – aquelas que são arrancadas de suas famílias e casas – para defender seus direitos e protegê-las da propagação do vírus.
 

uma mulher, que está usando uma máscara cirúrgica, coloca uma máscara cirúrgica em uma menina
UNICEF/UNI317998/Choufany

O que o UNICEF está fazendo?

Nossa resposta à doença do coronavírus deve construir um futuro melhor para todas as crianças. Em todo o mundo, o UNICEF está trabalhando com comunidades, governos e parceiros para diminuir a propagação do coronavírus e minimizar os impactos sociais e econômicos nas crianças e suas famílias.

Nós nos comprometemos a:

  • Trabalhar com governos, autoridades e parceiros globais de saúde para garantir que suprimentos vitais e equipamentos de proteção cheguem às comunidades mais vulneráveis.
  • Priorizar a entrega de medicamentos, nutrição e vacinas vitais, e trabalhar em estreita colaboração com governos e redes de logística para mitigar o impacto das restrições de viagem na entrega desses suprimentos.
  • Trabalhar com parceiros para distribuir urgentemente instalações de água, saneamento e higiene para as comunidades mais vulneráveis.
  • Distribuir mensagens e recomendações vitais de saúde pública para retardar a transmissão do vírus e diminuir a mortalidade.
  • Apoiar os governos para manter as escolas seguras e garantir que as crianças continuem aprendendo.
  • Fornecer aconselhamento e apoio a mães, pais, responsáveis e educadores para apoiar o aprendizado em casa e a distância, e trabalhar com parceiros para projetar soluções educacionais inovadoras. 
  • Orientar os empregadores sobre a melhor forma de apoiar pais e mães que trabalham e projetar novas soluções de proteção social que garantam que as famílias mais pobres possam acessar financiamento crítico.
  • Proporcionar aprendizado e compartilhamento de informações entre pares para apoiar a saúde mental das pessoas jovens e combater o estigma, a xenofobia e a discriminação.
  • Intensificar nosso trabalho com crianças refugiadas e migrantes e com aquelas afetadas por conflitos para garantir que estejam protegidas da covid-19.

Ações do UNICEF no Brasil

Desde março de 2020, o UNICEF vem trabalhando intensamente para mitigar os impactos da pandemia de covid-19 na vida de crianças e adolescentes no Brasil. Eles são as vítimas ocultas da pandemia, sofrendo gravemente as consequências dela.

A resposta do UNICEF à covid-19 foi desenhada para contribuir com a prevenção, a detecção precoce e o controle do novo coronavírus no País; e reduzir os impactos da epidemia na vida de meninas e meninos, no curto, médio e longo prazos. 

Ao longo desses seis primeiros meses, o UNICEF analisou dados socioeconômicos e epidemiológicos para definir áreas prioritárias de atuação, chamadas de hotspots. São territórios especialmente vulneráveis aos efeitos duradouros da pandemia, como evasão escolar e aumento da pobreza e da violência contra crianças e adolescentes. 

>> Saiba mais sobre a resposta do UNICEF ao coronavírus no Brasil

>> Veja o que alcançamos até agora