Por uma infância sem racismo

Campanha faz um alerta sobre os impactos do racismo na vida de milhões de crianças e adolescentes brasileiros e convida cada um a fazer uma ação por uma infância e adolescência sem racismo.

Seria possível uma infância sem racismo?

Seria possível termos todas as crianças de até 1 ano de idade sobrevivendo?

Seria possível um Brasil com todas as crianças – sem faltar nenhuma delas – tendo seu nome de família assegurado no registro civil de nascimento?

Seria possível termos todas as crianças – sem faltar nenhuma delas – com acesso a educação integral?

Seria possível termos todas as crianças livres dos efeitos da discriminação racial?

Depende de nós!

logo da campanha mostra a palavra racismo em preto sendo a letra o substituída pelo símbolo de proibir (um círculo vermelho com um traço diagonal)
UNICEF Brasil

A discriminação racial persiste no cotidiano das crianças brasileiras e se reflete nos números da desigualdade entre negros, indígenas e brancos.

Com a campanha Por uma infância sem racismo, o UNICEF e seus parceiros fazem um alerta à sociedade sobre os impactos do racismo na infância e adolescência e a necessidade de uma mobilização social que assegure o respeito e a igualdade étnico e racial desde a infância.

Baseada na ideia de ação em rede, a campanha convida pessoas, organizações e governos a garantir direitos de cada criança e de cada adolescente no Brasil.

Dez maneiras de contribuir para uma
infância sem racismo

Um grupo de crianças corre em direção à câmera. Elas estão numa estrada de terra, no Semiárido brasileiro.
UNICEF/BRZ/Manuela Cavadas
1. Eduque as crianças para o respeito à diferença. Ela está nos tipos de brinquedos, nas línguas faladas, nos vários costumes entre os amigos e pessoas de diferentes culturas, raças e etnias. As diferenças enriquecem nosso conhecimento.
Senhora indígena cercada por quatro crianças também indígenas
UNICEF/BRZ/João Ripper
2. Textos, histórias, olhares, piadas e expressões podem ser estigmatizantes com outras crianças, culturas e tradições. Indigne-se e esteja alerta se isso acontecer – contextualize e sensibilize!
Adolescente está na janela de casa, atrás dela casas de tijolo aparente de uma comunidade de Salvador.
UNICEF/BRZ/João Ripper
3. Não classifique o outro pela cor da pele; o essencial você ainda não viu. Lembre-se: racismo é crime.
Um menininho indígena está no colo de sua mãe, que o abraça.
UNICEF/BRZ/João Ripper
4. Se seu filho ou filha foi discriminado, abrace-o, apoie-o. Mostre-lhe que a diferença entre as pessoas é legal e que cada um pode usufruir de seus direitos igualmente. Toda criança tem o direito de crescer sem ser discriminada.
Dois meninos olham um para o outro enquanto sorriem. Há uma moldura vazia na frente deles.
UNICEF/BRZ/João Ripper
5. Denuncie! Em todos os casos de discriminação, busque defesa no conselho tutelar, nas ouvidorias dos serviços públicos, na OAB e nas delegacias de proteção à infância e adolescência. A discriminação é uma violação de direitos.
um grupo de meninas está numa quadra de esportes. Algumas estão ajoelhadas na frente de outras. A menina no centro segura uma bola.
UNICEF/BRZ/Manuela Cavadas
6. Proporcione e estimule a convivência de crianças de diferentes raças e etnias nas brincadeiras, nas salas de aula, em casa ou em qualquer outro lugar.
Uma menininha olha para o avô. Ela está sorrindo.
UNICEF/BRZ/João Ripper
7. Valorize e incentive o comportamento respeitoso e sem preconceito em relação à diversidade étnica e racial.
Adolescente menina sorri para a câmera
UNICEF/BRZ/João Ripper
8. Muitas empresas estão revendo sua política de seleção e pessoal com base na multiculturalidade e na igualdade racial. Procure saber se o local onde trabalha participa também dessa agenda. Se não, fale disso com seus colegas e supervisores.
Menina indígena olha para a câmera. Ela está com uma roupa de miçangas.
UNICEF/BRZ/João Ripper
9. Órgãos públicos de saúde e de assistência social estão trabalhando com rotinas de atendimento sem discriminação para famílias indígenas e negras. Você pode cobrar essa postura dos serviços de saúde e sociais da sua cidade. Valorize as iniciativas nesse sentido.
Dois alunos em sala de aula olham para a câmera
UNICEF/BRZ/João Ripper
10. As escolas são grandes espaços de aprendizagem. Em muitas, as crianças e os adolescentes estão aprendendo sobre a história e a cultura dos povos indígenas e da população negra; e como enfrentar o racismo. Ajude a escola de seus filhos a também adotar essa postura.

Mensagem de Lázaro Ramos, embaixador do UNICEF no Brasil

A invisibilidade do racismo

Estou muito feliz e orgulhoso por participar dessa campanha do UNICEF que demonstra claramente o impacto do racismo na infância. É importante chamar atenção de toda a sociedade para um problema invisível para muitos, mas muito real para quem sente, de verdade, na própria pele os efeitos dele.

Crescemos numa sociedade na qual virou lugar comum dizer que o brasileiro não é racista, posto que é um povo multicolor, fraterno e cordial; e que os problemas são de ordem social e financeira apenas. Entretanto, essa campanha inovadora do UNICEF traz luz aos indicadores oficiais que não nos deixam dúvidas. O racismo é real! Existe dolorosamente para milhares de meninos e meninas indígenas e negros.

Esse racismo não se revela apenas no constrangimento imposto, muitas vezes de forma dissimulada, às nossas crianças. Ele se mostra num aspecto ainda muito mais cruel, que é o de violar e impedir que as crianças e os adolescentes realizem os seus direitos de viver, aprender, crescer e se desenvolver plenamente.

Parabéns, UNICEF, pela coragem e pela iniciativa. Essa atitude me deixa ainda mais orgulhoso, pois, se eu já tinha orgulho de ser embaixador do UNICEF, agora tenho mais ainda com a coragem e com o compromisso de vocês, e de todos os parceiros envolvidos, de fazer uma campanha como essa.

Espero realmente que a nossa sociedade possa, definitivamente, "enxergar igualdades num mundo de diferenças", para fazermos agora um mundo melhor para cada uma das nossas crianças e adolescentes.

Lázaro Ramos
Ator, escritor, diretor, apresentador e embaixador do UNICEF no Brasil

Você também pode ajudar o UNICEF em suas ações.