Parto: na gestação, opinião não é informação
O parto normal acelera a recuperação, facilita a amamentação e traz benefícios comprovados para a mãe e bebê.
A campanha Parto normal. Uma escolha que merece respeito convida gestantes, famílias, redes de apoio e profissionais de saúde a refletir sobre como diferentes vozes influenciam a experiência da gestação e as decisões sobre o parto.
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Parto normal. Uma escolha que merece respeito.
No início da gravidez, 7 em cada 10 mulheres querem o parto normal no Brasil. Mas, ao longo da gestação, muitas questões impactam essa decisão. O Brasil está entre os três países do mundo onde mais se realizam cirurgias de cesáreas.
No Brasil
70% das mulheres desejam um parto normal no início da gravidez*. Ainda assim, 57% dos nascimentos acontecem por cesarianas, sendo quase 90% no setor privado.
No Mundo
A taxa de cesariana é de 21%. Na maioria dos países, o número de nascimentos por via vaginal é maior que o número de cesáreas, com exceção de 5 países, entre eles o Brasil.
A cesárea é uma cirurgia que pode salvar vidas, e deve ser realizada sempre que houver risco à vida da mãe ou do bebê. Quando não há necessidade, não traz benefícios adicionais e envolve riscos, como toda cirurgia.
*Fonte: Fiocruz (Pesquisa Nascer no Brasil)
O que é preciso para mudar esse cenário
- gestantes precisam de informação confiável para participar do processo de decisão sobre o parto.
- redes de apoio precisam respeitar, e não pressionar a gestante
- profissionais de saúde precisam orientar com base em evidências
Para as gestantes e sua rede de apoio, escolhas mais conscientes começam com acesso à informação de qualidade, escuta atenta, cuidado respeitoso e práticas baseadas em evidências.
O parto normal é uma escolha que merece respeito
Aqui, estão reunidas informações confiáveis para ajudar a gestante a esclarecer dúvidas e viver esse período da gravidez com mais segurança e confiança.
Saiba mais
Dúvidas mais frequentes
Dúvidas fazem parte da gestação, e buscar respostas também faz parte do cuidado.
Aqui, você encontra respostas para perguntas frequentes sobre parto, puerpério e amamentação, explicadas de forma simples e acessível. Com mais informação, é possível viver cada etapa desse processo com mais segurança e confiança.
Sobre o parto
dúvidas
Sim, para a maioria das gestações de risco habitual, o parto normal é uma opção segura e recomendada. Ele respeita o processo fisiológico do nascimento e está associado a uma recuperação mais rápida para a mulher e melhor adaptação do bebê ao nascer. A cesariana pode salvar vidas quando necessária. O problema está na realização de cesáreas sem indicação clínica, que pode aumentar riscos para a mulher e o bebê.
A cesariana é necessária quando existe alguma condição que coloca em risco a saúde da mulher ou do bebê, como posição transversa do bebê no momento do parto, placenta prévia ou descolamento prematuro da placenta, sinais de sofrimento fetal, alterações nos batimentos cardíacos do bebê ou herpes genital ativo durante o trabalho de parto, entre outras complicações avaliadas pela equipe de saúde. Nesses casos, a cesariana deve ser indicada com critério, explicada com clareza e realizada quando realmente for o caminho mais seguro.
Evidências mais recentes demonstram que, de modo geral, NÃO deve ser considerada indicação de cesárea:
- Bebê grande ou gestante “magra” - O tamanho do bebê estimado durante a gestação pode ter margem de erro, e nem sempre um bebê considerado “grande” ou o biotipo da mulher (ser mais magra ou baixa) impedem o parto normal. A avaliação deve ser individualizada, considerando a evolução do trabalho de parto e as condições clínicas reais.
- Cordão enrolado no pescoço (circular de cordão) – A presença de cordão ao redor do pescoço é relativamente comum e, na maioria das vezes, não causa complicações, visto que o bebê não respira pelo nariz antes de nascer.
- Presença de mecônio (fezes do bebê no líquido amniótico) - O mecônio pode indicar que o bebê eliminou fezes ainda no útero. Nesses casos, o mais importante é o monitoramento adequado do bebê durante o trabalho de parto, e não a realização imediata de cesárea.
- Completar 40 semanas de gestação – Alcançar 40 semanas faz parte do tempo esperado de uma gestação a termo — é uma estimativa, e não um prazo limite. Em gestações saudáveis, é possível aguardar o início espontâneo do trabalho de parto, geralmente até 41 semanas e, em alguns casos, até 42 semanas, desde que haja acompanhamento adequado e avaliação clínica contínua.
- Obesidade, diabetes gestacional e hipertensão gestacional – Essas condições podem sim aumentar o risco de acontecer certas complicações, mas não são indicação automática de cesárea. Com controle adequado da pressão arterial, e controle glicêmico, o parto normal pode ser bem-sucedido, desde que com monitoramento constante.
- Cesárea anterior – O parto vaginal após cesárea (VBAC) é uma opção para as gestantes desde que respeitado um intervalo mínimo de 18 meses entre a cirurgia e o parto.
Importante ressaltar que, apesar dessas situações, quando avaliadas isoladamente não indicarem cesárea, cada caso deve ser considerado e avaliado de forma individual considerando a saúde da mãe e do bebê, o contexto clínico e a evolução do trabalho de parto.
Sim. Muitas mulheres sentem medo, especialmente quando recebem relatos negativos ou informações confusas. Falar sobre esse medo com profissionais de saúde, buscar informações confiáveis e construir uma rede de apoio pode ajudar a trazer mais segurança. A informação ajuda a entender como o parto acontece e se preparar. Veja abaixo informações sobre as fases do trabalho de parto para compreender melhor o que esperar.
A dor do parto existe, mas ela pode ser cuidada. Existem formas de alívio, como analgesia e outras, como banho morno, massagens, respiração, movimento, posições confortáveis e apoio contínuo. Dor não precisa significar abandono ou sofrimento. Um parto bem acompanhado oferece suporte físico, emocional e profissional. A informação ajuda a entender como o parto acontece e se preparar. Veja abaixo informações sobre as fases do trabalho de parto para compreender melhor o que esperar.
O trabalho de parto pode ser dividido em pelo menos 4 fases:
- Fase latente: o corpo está se preparando para o parto, as contrações são leves, irregulares e espaçadas, duram em torno de 30 a 45 segundos, e acontecem entre cada 15 ou 30 minutos. A mulher consegue respirar fundo no momento das contrações, e voltar a fazer seus afazeres normalmente durante o intervalo das contrações. Na maioria dos casos, não há necessidade de ir para a maternidade nessa fase.
- Fase ativa: Nesse estágio as contrações uterinas passam a ser mais intensas e regulares - por exemplo, podem durar em torno de 1 minuto e ocorrer a cada 5 minutos ou menos. Geralmente, esse é o momento de ir para a maternidade.
As contrações são mais doloridas. Técnicas de relaxamento e respiração, banho de chuveiro e massagens podem aliviar a dor e o desconforto durante as contrações. Nos intervalos, é importante manter-se hidratada, descansar e movimentar. Essa fase pode ser a mais cansativa, mas também é um sinal de que o nascimento está muito próximo.
- Expulsivo: No expulsivo, a gestante sente necessidade fisiológica e espontânea de fazer força para baixo (expulsar) juntamente com a contração. As contrações são intensas, regulares e próximas uma das outras. Podem ocorrer a cada 2 a 3 minutos e duram cerca de 60 a 90 segundos. Essa costuma ser a fase mais rápida, indicando que o bebê está para nascer.
- Dequitação: Após o nascimento do bebê – quando as contrações doloridas geralmente acabam totalmente, e a mãe já tem o bebê nos braços – é o momento de expulsão da placenta. Pode-se sentir algumas contrações mais leves, mas ainda perceptíveis.
Sim. A analgesia pode ser usada durante o trabalho de parto, conforme a avaliação da equipe e o desejo da mulher. Usar analgesia não faz o parto deixar de ser normal. A analgesia pode oferecer alívio importante da dor e, em muitos casos, ajudar a mulher a descansar e recuperar forças para seguir no trabalho de parto.
Como qualquer intervenção, seu uso envolve benefícios e possíveis efeitos. A analgesia pode estar associada, em alguns contextos, a maior necessidade de outras intervenções, especialmente quando utilizada muito precocemente ou sem acompanhamento adequado.
Entre os efeitos possíveis, estão redução da sensibilidade às contrações e, em alguns casos, alterações na dinâmica do trabalho de parto, o que pode demandar ajustes na condução, como apoio mais direcionado no período expulsivo.
Por isso, é importante que a gestante tenha acesso a informações claras sobre essa opção, converse com a equipe de saúde e registre suas preferências no plano de parto, garantindo uma decisão informada e respeitada.
Parto humanizado não é um tipo de parto, é uma forma de cuidado. Significa que a mulher é respeitada, ouvida, informada e participa das decisões. Pode haver cuidado
Durante o trabalho de parto
durante trabalho de parto
Sim. Em geral, caminhar, mudar de posição e se movimentar podem ajudar no conforto e no andamento do trabalho de parto. A liberdade de movimento é uma prática recomendada quando não há contraindicação clínica.
Em muitas situações, a mulher pode ingerir líquidos e alimentos leves, conforme sua condição clínica e as orientações da equipe de saúde. O trabalho de parto exige energia. Por isso, a alimentação deve ser avaliada de forma individual e segura.
Nem sempre. O rompimento da bolsa precisa ser avaliado, mas não significa automaticamente uma emergência. É importante observar a cor do líquido, presença de sangramento, movimentos do bebê, contrações e seguir as orientações da equipe de saúde. Importante ressaltar que nem sempre o rompimento da bolsa acontece antes do início do trabalho de parto, esse acontecimento pode ocorrer em qualquer fase do trabalho de parto.
Direitos e Participação
Direitos e participação
Sim. No Brasil, a Lei do Acompanhante garante à mulher o direito de ter uma pessoa de sua escolha durante o trabalho de parto, o parto e o pós-parto imediato. O acompanhante pode oferecer apoio emocional, segurança e presença em um momento muito importante. A presença de doula ou de alguém da equipe não exlcui a presença do acompanhante, ambos podem estar presentes, segundo a Lei 15.381/2026.
Consentimento informado significa que a mulher deve receber explicações claras antes de qualquer procedimento. Ela tem direito de saber o que será feito, por que será feito, quais são os riscos e benefícios, além de poder fazer perguntas antes de decidir.
Corpo e Recuperação
corpo e recuperação
Não. Muitas mudanças no corpo estão relacionadas à gestação, aos hormônios e ao pós-parto, não apenas à via de nascimento. Com tempo, cuidado e apoio adequado, o corpo passa por um processo de recuperação. Quando necessário, profissionais como fisioterapeutas pélvicos podem ajudar.
Não há evidências de que o parto normal prejudique permanentemente a vida sexual da mulher. Alterações na libido e no conforto sexual podem acontecer no pós-parto, mas costumam estar relacionadas ao cansaço, alterações hormonais, amamentação, sono, emoções e recuperação do corpo. A sexualidade no puerpério precisa ser vivida com respeito, tempo e cuidado.
Puerpério é o período depois do parto, quando o corpo e as emoções da mulher passam por muitas mudanças. É uma fase que exige cuidado, apoio e acompanhamento. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda atenção à mulher e ao recém-nascido nas primeiras seis semanas após o nascimento, incluindo cuidados pós-natais e apoio à família.
A mulher deve buscar ajuda se tiver febre, sangramento intenso, dor forte, falta de ar, dor no peito, dor de cabeça intensa, visão turva, tristeza profunda, pensamentos de se machucar ou machucar o bebê, ou qualquer sinal que gere preocupação. No puerpério, cuidar da mulher também é cuidar do bebê.
Bebê e Amamentação
bebe e amamentação
Quando mãe e bebê estão bem, recomenda-se favorecer o contato pele a pele logo após o nascimento e apoiar o início da amamentação na primeira hora de vida. Esse momento ajuda no vínculo, na adaptação do bebê e no início da amamentação. O UNICEF reforça que amamentar na primeira hora é importante para o bebê e para a mãe, inclusive ajudando nas contrações uterinas e reduzindo o risco de hemorragia.
A primeira hora de vida é um período muito especial. O contato pele a pele e a amamentação precoce ajudam o bebê na adaptação fora do útero e fortalecem o vínculo com a mãe. Esse cuidado também contribui para a saúde da mulher no pós-parto.
Informação e Rede de Apoio
Informação e rede de apoio
Procure conteúdos de instituições de saúde, profissionais qualificados e materiais que expliquem riscos, benefícios e opções de cuidado de forma clara. Desconfie de frases absolutas (todos, sempre, nunca...), relatos assustadores e opiniões que tentam decidir por você.
A família pode apoiar com uma escuta atenta, opinando menos e ajudando a gestante a buscar informações confiáveis. Apoiar não é pressionar, é acolher, respeitar e estar presente. Falar sobre esse medo com profissionais de saúde, buscar informação confiável e construir uma rede de apoio pode ajudar a trazer mais segurança.
Desde 2023, o UNICEF Brasil mantém uma parceria estratégica com a farmacêutica MSD, por meio de sua iniciativa global MSD para Mães. O objetivo é promover a saúde integral da mulher no pré-natal, parto e puerpério nos locais onde o UNICEF atua.