“Precisamos cuidar da nossa saúde mental para agir melhor para a mudança social’’
Heloísa Oliveira, jovem participante do NUCA no Rio de Janeiro, fala sobre a importância de assegurar a saúde mental de jovens ativistas e articuladores sociais.
Diante de um mundo em constante transformação, em que os desafios sociais, políticos e ambientais estão interligados, Heloísa Oliveira, uma jovem ativista de 18 anos, decidiu ser protagonista de mudanças. Moradora do Complexo do Chapadão, em Costa Barros, Rio de Janeiro, Heloísa conheceu em 2023 o Núcleo de Cidadania dos Adolescentes (NUCA), uma iniciativa da #AgendaCidadeUNICEF em parceria técnica com CEDAPS e apoio da aliança global do UNICEF com a Fundação Abertis. Foi lá que encontrou a possibilidade de se envolver diretamente com a realidade de outros jovens e trabalhar para mudanças concretas.
“Desconforto eu sempre tive. Mas chegou um momento em que eu percebi que não é pra gente se conformar com ele. A gente pode - e deve - procurar meios de melhorar.”
Parte da #AgendaCidadeUNICEF, o NUCA tem como objetivo promover a participação ativa de adolescentes e jovens na construção de uma sociedade mais justa, com foco na defesa dos direitos e na promoção de cidadania. No Rio de Janeiro, a iniciativa tem incidência principalmente na região da Grande Pavuna, possibilitando que jovens se envolvam em questões cruciais para o seu desenvolvimento e bem-estar.
Como parte de uma ação mais ampla de pesquisa e conscientização, Heloísa e outros jovens do NUCA realizaram um levantamento de dados sobre como a juventude da região compreendia a saúde mental e quais eram os fatores que mais a impactavam. "A gente só viu em estatísticas o que já sabia: muitos problemas estão relacionados ao ambiente escolar e familiar. Foi uma forma de comprovar o quanto a saúde mental pode ser um desafio e de ajudar os jovens a entender o quanto impacta a vida deles", explica.
O levantamento resultou em ações como encontros para divulgar as informações coletadas e materiais educativos. Entre eles, uma cartilha com dados e uma história em quadrinhos com informações sobre pontos de apoio à saúde mental e serviços de atendimento telefônico no território. Além de aumentar a conscientização sobre o tema, as ações empoderaram os jovens a buscar ajuda quando necessário.
Heloísa explica que não se pode falar de justiça social, educação ou direitos humanos sem reconhecer o impacto da saúde mental no processo de transformação social. O esforço em buscar transformações sociais, em um contexto de vulnerabilidade social, pode levar a um sentimento de sobrecarga.
“A gente está lutando pelo básico, pelos nossos direitos que já deveríamos ter há muito tempo. Tudo isso afeta nossa saúde mental e autoestima.”
Ela aponta que o estresse, as pressões sociais e a sobrecarga emocional não podem ser ignorados quando se discute a construção de um mundo mais justo. Investir no bem-estar emocional da juventude é essencial para que as futuras gerações possam não apenas sobreviver, mas prosperar e liderar os processos de mudança.