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“Pensar alto com os pés no chão”

Morador de Ilha Comprida (SP), o adolescente Rodrigo Oliveira descobriu cedo a importância de participar das discussões de sua escola e município

UNICEF Brasil
Foto mostra adolescente entre estantes de livros. Ele segura um livro nas mãos e está sorrindo.
UNICEF/BRZ/Fabio Hirata
23 agosto 2021

Rodrigo Oliveira de Lima Junior tinha apenas 11 anos quando se reuniu com o prefeito do município de Ilha Comprida, no litoral paulista, e reivindicou transporte escolar para as crianças da região onde mora. A viagem até a escola durava cerca de 90 minutos e percorria uma estrada de pedras, margeada pela Mata Atlântica. O transporte público era escasso e demandava constante manutenção. “Considero uma grande conquista a questão do ônibus escolar. Foi aí que tive vontade de entrar para o grêmio estudantil, e agora passei a integrar o Conselho Municipal da Juventude”, conta o adolescente, hoje com 17 anos.

O Conselho Municipal da Juventude reúne representantes da sociedade civil e poder público que buscam debater as políticas da juventude e reforçar a presença de meninas e meninos nos espaços de discussão e controle social. Ilha Comprida é um dos oito municípios do Litoral Sul paulista participantes da iniciativa Crescer com Proteção, que justamente vem fortalecendo a participação cidadã de adolescentes e jovens nos diferentes espaços de decisão dos municípios.

Uma parceria do UNICEF com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a Agenda Pública e o Instituto Camará Calunga, o Crescer com Proteção busca impulsionar políticas de prevenção e enfrentamento das diversas formas de violência contra crianças, adolescentes e jovens por meio do fortalecimento do Sistema de Garantia de Direitos.

Para Rodrigo, o Conselho Municipal da Juventude é uma forma de melhorar a gestão pública com foco nas demandas de meninas e meninos.

“O jovem quer cursos profissionalizantes, quer oportunidades. Uma parte dos jovens sai da escola sem pensar no futuro, sem perspectiva. E a gente tem que trabalhar para mudar esse pensamento e oferecer oportunidades. A gente quer fazer com que o jovem pense alto com o pé no chão.”

Rodrigo Oliveira, 17 anos, Ilha Comprida, São Paulo

O adolescente foi indicado para participar do Conselho por um professor que acompanhou a trajetória de ativismo de Rodrigo e viu nele um espírito de liderança.

O desejo de fazer o bem e a disposição para correr atrás de direitos são ensinamentos que começaram na infância. Rodrigo destaca a influência dos avós, com que mora no bairro de Pedrinhas. Outra personagem importante na formação do rapaz foi a professora da alfabetização, que ensinou ao menino valores como consciência social e solidariedade. Com todas essas lições de vida, Rodrigo tomou gosto pelo ativismo, entendeu que queria “dar um passo à frente e ter voz ativa”.

Com 12 anos, entrou para o grêmio estudantil, no qual continua a atuar até hoje na escola estadual onde estuda.

A desenvoltura com que se expressa entre os pares garantiu ao jovem o cargo de diretor de comunicação no grêmio estudantil atualmente. Rodrigo já assumiu diversas responsabilidades e desenvolveu vários projetos ao longo dos cinco anos na agremiação estudantil. Nos últimos tempos, ele tem dedicado seus esforços a facilitar o acesso remoto dos alunos às aulas, por meio da criação de um canal digital da escola nas redes sociais. O adolescente também está mobilizando os colegas para identificar alunos faltosos, acionar familiares e incentivar o retorno do estudante às atividades educacionais.

Com os pés no chão e o olhar para o futuro, Rodrigo planeja os próximos passos de sua vida: terminar o ensino médio e cursar faculdade de jornalismo. A partir de toda a experiência acumulada de diálogo com o poder público, ele espera servir de exemplo para crianças e adolescentes da sua região, mostrando a necessidade de persistir na busca por direitos, “enxergando o problema e clicando na tecla até ela funcionar”. E acrescenta: “O jovem tem que pensar que, lá na frente, é ele quem vai assumir a liderança. A gente deve influenciar outros jovens a seguir nesse caminho de contribuir com a mudança”.